Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 156
Capítulo 156
— Bliss voltou?
Ao retornar para casa tarde da noite, Ashley franziu o cenho diante daquela notícia inesperada. Era verdade que, após enviar Bliss para a Inglaterra, ele esteve ocupado demais com questões que surgiram de repente para conseguir lhe dar a devida atenção. Mas, mesmo assim, voltar daquele jeito, sem dizer uma única palavra… Ashley não conseguiu esconder seu descontentamento com a atitude impulsiva do caçula, a quem sempre considerou o mais dócil e obediente de seus filhos.
— Por quê? Por qual motivo?
Diante da pergunta óbvia, Koi respondeu com uma expressão constrangida:
— Não sei. Senti o cheiro de feromônios no Bi, mas ele não disse o que aconteceu.
— Sentiu o cheiro de feromônios? — Ashley repetiu as palavras dele, mantendo o cenho franzido. — Isso significa que ele teve um cio? Os feromônios dele surgiram de repente? O que diabos aconteceu?
— Não sei.
Mesmo diante da enxurrada de perguntas seguintes, Koi apenas balançou a cabeça negativamente.
— Ele não diz nada, só chora. Como eu não sabia o que fazer, apenas o consolei por enquanto e vim para cá.
— Haa…
Com o peito sufocado de frustração, Ashley soltou um longo suspiro. Desalinhando os cabelos que antes estavam perfeitamente arrumados, ele perguntou novamente:
— Você confirmou com o chefe da equipe de segurança?
Ao mencionar o homem barbudo que havia sido enviado junto com Bliss para garantir sua segurança e vigilância, Koi respondeu de forma amarga:
— Sim… Ele apenas me disse que não aconteceu nada demais.
Ele não fazia a menor ideia sobre a identidade dos amigos que Bliss tinha por lá. Havia a possibilidade de Bliss ter lhe implorado para não dizer nada. No fim, a única maneira de obter uma resposta era se o próprio Bliss resolvesse falar. E os pensamentos de Ashley não eram diferentes.
— Preciso descobrir o que aconteceu.
— Ash, Ash! Espere, Ash!
Koi segurou apressadamente Ashley, que já estava se virando para sair. Olhando para Ashley, que o encarava com o cenho franzido, ele continuou, hesitante:
— Pressionar o menino agora não vai ajudar em nada. Vamos esperar até que ele mesmo queira falar, sim?
— Se algo aconteceu com o nosso filho, é dever dos pais saber.
Apesar do tom de apelo de Koi, a atitude de Ashley era irredutível. Quando Ashley ficava assim, era difícil contê-lo. Koi sabia disso muito bem por experiência própria ao longo dos anos, mas, mesmo assim, sentiu que precisava insistir.
— Mas…
Ao começar a falar com dificuldade, Ashley olhou para ele. Depositando suas esperanças no fato de que, em qualquer circunstância, Ashley pelo menos ouvia o que ele tinha a dizer, Koi abriu a boca. Embora soubesse que ouvir e aceitar eram duas coisas totalmente diferentes.
— O Bi agora já é um adulto. Se há um problema, ele tem idade para resolver por si mesmo.
“Um adulto de apenas alguns meses.” Aos olhos de Ashley, Bliss ainda não passava de uma criança indefesa. Diante da reação imediata dele, que franziu as sobrancelhas, Koi foi obrigado a externalizar as palavras que tanto hesitaria em dizer:
— Nós não poderemos protegê-lo para sempre.
Diante daquela frase, Ashley hesitou pela primeira vez. Koi continuou, tentando falar da forma mais calma possível, mas com cuidado para não soar insensível:
— É bom proteger os filhos, mas também precisamos respeitar a vontade deles, Ash. Por isso, por favor, não diga nada por enquanto.
Ashley não respondeu. Contudo, era evidente que ele estava balançado.
— Vamos esperar. Até que o Bi sinta vontade de falar por conta própria.
Depois que Koi terminou, Ashley permaneceu em silêncio por um tempo, apenas encarando-o, antes de finalmente dizer de forma lenta:
— E se esse momento nunca chegar?
Diante daquela expressão contorcida de angústia, Koi acariciou o braço dele para confortá-lo e respondeu:
— Se for assim, devemos apenas deixá-lo em paz, sem saber. É o que eu acho.
“É triste, mas…”, ele sorriu com amargura.
— Um dia, os filhos acabam deixando os braços dos pais. Esse momento simplesmente chegou para o Bi também.
Era cômico se machucar com as próprias palavras, mas o coração de Koi também não estava tranquilo. Apesar disso, era preciso dizer. Pois aquela era a realidade.
— Nós é que não estávamos preparados.
As palavras de Koi faziam sentido. Ashley inclinou a cabeça para trás e fixou o olhar no teto. Diante daquela reação cheia de angústia, Koi esperou em silêncio. Pensando que, se mesmo depois de tudo isso, Ashley ainda fizesse questão de pressionar Bliss, ele não tentaria mais impedi-lo.
Por outro lado, a mente de Ashley Miller estava uma completa bagunça. Ele até podia ignorar os outros filhos, mas Bliss era alguém que ele simplesmente não conseguia deixar de lado. Bliss era diferente daqueles garotos. Como ele poderia deixá-lo em paz em um mundo repleto de feras que só queriam se aproveitar daquela criança tão pequena e frágil?
No entanto, Ashley não podia simplesmente sair correndo dali. Ele sabia que Koi também não estava errado. Não importava o quanto tentassem, ele e Koi acabariam partindo antes de Bliss, e o caçula inevitavelmente ficaria sozinho. Se ele deixasse Bliss sob a responsabilidade dos outros filhos, a pior situação possível certamente aconteceria.
“Se bem que, com Nathaniel, talvez fosse um pouco diferente…”
Recentemente, ele havia conseguido um “parceiro” e, por isso, dava para respirar um pouco aliviado. Mas a outra parte era um beta. Ele não seria capaz de marcar Bliss e, não importa o quão forte Nathaniel fosse, era óbvio que ele não conseguiria resistir aos feromônios de Bliss. Se isso acontecesse, o pior cenário se tornaria realidade.
Nathaniel certamente preveria uma situação dessas. Então, a atitude dele seria óbvia. Ele mandaria um secretário ou outra pessoa qualquer apenas para verificar como as coisas estavam, agindo como se estivesse “gerenciando” Bliss, e Bliss acabaria sozinho de qualquer forma.
“Pelo menos ele estaria fisicamente seguro…”
— Haa.
Ele soltou um suspiro profundo e esfregou os olhos. A única opção restante era Chase. Com ele, as coisas ficariam bem. Como ele já possuía uma marca, não seria capaz de sentir os feromônios de outros ômegas e, acima de tudo, ele tinha algo que faltava aos outros irmãos: a capacidade de sentir “sentimentos” por outros seres humanos além de seu parceiro de vida.
No entanto, aquilo era algo que ele não podia fazer de jeito nenhum. Como ele poderia, a essa altura do campeonato, pedir a Chase para cuidar de outro irmão?
“Fui eu quem estragou tudo.”
Não adiantava se arrepender agora. No momento, o mais importante era resolver o problema de Bliss. O que ele deveria fazer?
— Ash.
Koi voltou a falar com Ashley, que apoiava a mão na testa enquanto soltava um gemido baixo de dor de cabeça:
— Pense no futuro depois. Por enquanto, vamos apenas esperar. Se realmente não der certo, você pode perguntar a ele nessa hora, não acha?
Sentindo uma culpa tardia por parecer ter sobrecarregado Ashley com um dilema tão grande, Koi o abraçou com carinho e deu tapinhas em suas costas.
— Eu apenas acredito no Bi e quero dar um pouco de tempo a ele. Por isso, não precisa se preocupar tanto. Isso só significa que tanto ele quanto nós precisamos de tempo.
— …Tudo bem.
No fim, Ashley acabou cedendo. Com uma voz sem forças, ele continuou:
— Só um pouco deve ser o suficiente… Sim, farei o que você disse.
Ashley abraçou Koi de volta em silêncio. Como se quisesse acalmá-lo, Koi deixou seus feromônios emanarem. Ashley enterrou o nariz no pescoço alvo e reto dele, respirando fundo. Ao sentir a única fragrância que era capaz de consolá-lo, ele sentiu seus nervos, que antes estavam à flor da pele, relaxarem instantaneamente.
“Um mês deve ser o bastante.”
Ele também pretendia interrogar o chefe da equipe de segurança separadamente. Aquele homem podia até conseguir esconder as coisas de Koi, mas não seria capaz de enganar Ashley.
Se alguém tivesse machucado seu precioso caçula…
Ao abrir os olhos que mantinha fechados, suas pupilas roxas cintilavam em um tom dourado. Apertando Koi em seus braços com força o suficiente para quase esmagá-lo, Ashley cravou os dentes no pescoço dele e jurou para si mesmo:
“Eu o jogarei no Rio Hudson para servir de comida de peixe.”
***
O rosto do homem que caminhava pelo corredor silencioso estava completamente rígido de tensão. Ele já esperava por uma situação daquelas, mas isso não significava que ele pudesse agir como se nada estivesse acontecendo. Afinal, seu oponente era Ashley Miller. Mentiras não funcionam com ele. Mas ele também não podia simplesmente revelar toda a verdade.
O que ele deveria fazer?
Foi justamente há algumas horas que uma ajuda inesperada surgiu para salvá-lo. Ao ouvir a voz da mulher com quem ele tanto sonhara, o chefe da segurança esqueceu instantaneamente todas as suas preocupações e gritou de alegria:
— Larien! Sou eu, sou eu. Ah, você finalmente entrou em contato comigo…!
— Sim, baby. Sou eu.
Do outro lado do celular, a voz que continuava doce como sempre fez com que o chefe da segurança tapasse a boca com uma das mãos. Ele estava tão emocionado que sentia como se seu coração fosse explodir.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna