Blood Poker (Novel) - Capítulo 01
🩸 Blood Poker 01
[7 anos atrás, Hospital Especializado para Paranormais da Filial Haon]
Daniel, que olhava distraidamente para o céu através da vidraça panorâmica, desviou o olhar em direção à saída. Ele estava esperando por alguém no café localizado no saguão da ala dos Espers.
Não muito tempo depois, um homem tão bem-apessoado quanto Daniel abriu a porta de vidro e apareceu. Quando Daniel acenou, o homem percebeu o movimento e esboçou um sorriso discreto. Seu jaleco de médico balançava levemente enquanto ele caminhava com as mãos nos bolsos.
O crachá do homem, que se esparramou em uma postura relaxada assim que se sentou na cadeira, trazia o nome Dr. Tony Evan. Daniel abriu um sorriso gentil e falou:
— Como tem passado?
— Bem, na medida do possível. E você?
O cansaço transparecia no homem, que esfregava levemente os olhos. Daniel, em silêncio, empurrou o café em direção a ele.
— Como você pode ver.
Quando Daniel respondeu dando de ombros, Tony acariciou o queixo. Seu olhar, tentando sondar as intenções de Daniel, era bastante afiado.
— Hmm. Você não parece tão bem assim.
Embora Daniel estivesse mascarando tudo com um sorriso simpático, era difícil enganar os olhos de Tony, que estava com ele desde o internato. Tony, percebendo as arestas que não podiam ser escondidas, estalou a língua.
— O que deu em você para se candidatar ao Centro? Logo você, que só vivia pesquisando?
Daniel, que fez uma expressão travessa fechando levemente um dos olhos, apenas molhou a garganta com a bebida. Tony, impaciente, repetiu o que já havia dito antes:
— Eu disse que isso não combina com você.
Mas Daniel não deu a mínima para o sermão de Tony.
— Aquele monstro que dizem ter despertado novamente subindo dois níveis… ele está aqui, não está?
As palavras que saíram da boca de Daniel foram bastante inesperadas, fazendo Tony arregalar os olhos. Daniel era alguém obcecado por pesquisar Gons ou Onis, mas que nunca teve grande interesse nos paranormais. Esse interesse repentino e atípico era estranho.
— Ha Jaeil?
— Sim, Ha Jaeil.
Ao mesmo tempo em que o nome foi mencionado, Tony lembrou-se do estado dele e falou com um tom de quem estava exausto:
— Ah, nem me fale. Colocaram um Guia com alta taxa de compatibilidade, mas só o Guia que saiu perdendo. Agora estão contendo o surto com medicamentos, mas estamos vigiando de perto porque não sabemos quando vai dar problema. É o primeiro Esper tão problemático que vejo. Além disso, ele é da família Ha. Não dá nem para fingir que não é conosco.
Diante da pessoa que dizia estar morrendo de tanto trabalhar, o canto da boca de Daniel subiu de forma peculiar.
— Despertar dois níveis e sobreviver com medicamentos, sem Guia…
— …
— O receptáculo dele deve ser extraordinário, não?
Ouvindo aquilo, parecia que Daniel tinha algum plano oculto. Tony franziu o rosto e o encarou.
— O que você está tramando? Se for por causa daquela coisa que você mencionou da última vez…
Daniel arregalou levemente os olhos e soltou uma risada franca.
— Não é isso.
— Então por quê?
— É que acho que ele vai se tornar minha responsabilidade.
Tony entendeu menos ainda. Diziam que outros médicos responsáveis estavam fazendo um escândalo porque não queriam o caso, e ele ia se voluntariar para um trabalho difícil por conta própria?
— Daniel. Você não engana meus olhos.
— Pense o que quiser. Qual supressor ele está usando? Qual a dosagem?
Daniel não se importou e continuou falando o que queria. Era algo que Tony já sentia antes: não era diferente de falar com uma parede. Daniel já havia agido como um louco teimoso nessa parte mais de uma ou duas vezes, e Tony ficava impressionado sempre que lidava com ele. De alguma forma, ele achou estranho, desde o momento em que Daniel apareceu no hospital.
— Eu já disse que Gons e Espers são seres completamente diferentes. Até a sociedade científica publicou isso.
Desta vez, Daniel, talvez incomodado, encarou Tony e virou o rosto com um “hunf”. Aproveitando a oportunidade, Daniel mergulhou em pensamentos profundos, ignorando a enxurrada de sermões de Tony. Então, ele franziu as sobrancelhas. Era a expressão que ele fazia quando tinha uma ideia nova ou brilhante. Virando o rosto para Tony, ele exibiu um sorriso simpático.
— Acima de tudo, ele precisa ficar saudável.
— O quê?
Para Tony, que não entendia o motivo, Daniel mostrou um sorriso radiante com os olhos.
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— Olá. Sou Daniel Gray. Vamos nos dar bem daqui para frente.
Jaeil, que observava em silêncio a mão estendida de Daniel, esticou a sua lentamente. Fazia apenas dois dias que ele havia recebido alta e acabara de ser designado a um novo Guia ontem. Mesmo vindo para a sala de consulta após o Guiding, o semblante do homem, cujos resultados desta vez também não foram muito bons, estava sombriamente abatido.
— É um prazer.
A voz baixa e firme ecoou dentro da sala de consulta. Ele não parecia nem um pouco satisfeito, mas Daniel, com sua sociabilidade característica, tentou preencher a lacuna deixada pelo homem.
— Sua voz é realmente muito boa.
— …
Jaeil não ficou contente nem ofendido com as palavras vazias de Daniel. Apenas desviou o olhar indiferente para o vazio. Em seu perfil impecável, transparecia um tédio e um enfado profundos, como se desejasse que aquele tempo passasse logo.
Daniel, que acabou não gostando da forma como ele mantinha distância sem ter feito nada, decidiu abandonar sua falsidade à vontade. Desfazendo sua postura correta em um instante e apoiando o queixo na mão, ele deixou escapar um riso leve.
— Parece que o fato de você não ter motivação para nada também é verdade.
Com o tom um tanto sarcástico, o olhar do homem voltou-se para Daniel. O que havia em seus olhos, embora seco, era claramente emoção.
— Parece que você odeia bastante os guias, não?
Como ele não negou, Daniel puxou a cadeira para perto e inclinou a parte superior do corpo em direção ao homem.
— Eu também.
— …
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O Gon, cujo núcleo se moveu para a mão, foi temporariamente designado como teratoma. Foi uma decisão provisória, pois era cedo para dizer que o Gon havia evoluído para um estágio superior novamente.
Apesar da proeza de terem eliminado todos, a ansiedade de ter que enfrentar um novo tipo de monstro se espalhou rapidamente por todo o Centro. Os superiores também reconheceram a gravidade e elevaram o alerta de vigilância em mais um nível.
Além da permissão de armas de fogo para civis, o uso de coletes à prova de balas ao sair tornou-se obrigatório. Não houve exceção para os paranormais. Para os Espers, que podiam proteger seus próprios corpos, era apenas uma recomendação, mas para os Guias era obrigatório, e o não uso resultava até em pontos de penalidade.
O fato de Espers de nível A terem sido incluídos nas patrulhas constantes, que antes eram compostas principalmente por nível C, significava que a situação era realmente séria. E quando até o cronograma de treinamento prático no Oni Cube — algo que os Guias diziam em uníssono que nunca fariam — foi decidido, reclamações surgiram de todos os lados.
— Ah, porra, esses desgraçados. Por que estamos passando por esse sofrimento por causa dessa merda?
Park Yongseok, vestido com traje de combate, não hesitou em usar palavrões. As palavras vulgares sem um sujeito definido eram pesadas, mas todos pareciam concordar.
Aqueles que, como Park Youngseok, estavam acomodados com o presente, apenas demonstravam seu desgosto. Já era exaustivo fazer o Guiding dos Espers, e agora tinham que proteger o próprio corpo, treinar e até ser enviados para campos de batalha reais.
— Por que diabos estou fazendo esse tipo de treinamento se nem tenho motivo para entrar em um Oni Cube? Porra.
O que Park Youngseok dizia era verdade. Guias de alto nível, capazes de gerenciar múltiplos Espers, eram mais valorizados do que os próprios Espers. Isso porque educar um Guia assim demandava muito tempo e esforço, e eles eram numericamente inferiores aos Espers.
Entre os Guias, os de nível A, que recebiam o tratamento mais nobre — especialmente os acima de Steeple —, tinham o direito de recusar ordens de entrada no Oni Cube. O mesmo valia para o direito de recusar um Guiding que colocasse suas vidas em risco.
Dificilmente o direito de recusa desapareceria com alguns treinamentos desses, mas os Guias se sentiam ofendidos com a própria intenção dos superiores de possivelmente enviá-los dependendo da situação. Eles, que já haviam se tornado águas paradas, não tinham consciência de que estavam apodrecendo.
A raiva de Park Youngseok, cuja vida era a coisa mais importante do mundo, acabou respingando no submisso Seunghyun.
— Ei.
Seunghyun estava olhando para a arma que segurava e soltando uma exclamação de admiração inocente para Joy: “Isso realmente parece uma arma de verdade”. A arma de ar comprimido, feita exatamente no formato do fuzil usado por forças especiais reais, era movida a gás, mas, como Seunghyun disse, parecia realmente uma arma.
Com o chamado arrogante e rude, os olhares de Joy e Seunghyun se voltaram para Park Youngseok. Lee Jaejin estava colado ao lado dele. Claro que, talvez pelo histórico de ter sido derrotado anteriormente, ele não estava sendo tão atrevido quanto antes.
Seunghyun encarou Park Youngseok com um olhar que perguntava: “Você está me chamando?”. Então, Park Youngseok, que achava irritante até aquele olhar sereno, torceu os lábios.
— Sim, você.
— Sim.
Seunghyun deu um passo em direção a ele. Atrás daquela atitude excessivamente obediente, Joy engoliu um xingamento. Ela havia perdido o momento de intervir e, apenas por aquele chamado insolente, faltava um pretexto para se meter.
— No Setor 13, tiroteios devem ser rotina. Dizem que você é muito bom em tiro, não é?
Apontando o cano da arma de brincadeira para Seunghyun, Park Youngseok debochou abertamente. Se fosse uma arma de verdade, seria motivo de punição, e se os Espers vissem, seria uma situação perigosa de causar horror. Mesmo sendo um Guia que, no máximo, teria tido alguns meses de treinamento no centro de instrução, o que ele estava fazendo era extremamente imprudente. O mesmo valia para os outros, incluindo Park Youngseok. Não passavam de um bando desorganizado. Imersos na inércia por muito tempo, ninguém pensava em tomar uma atitude.
— Você já matou alguém?
Com aquelas palavras, o rosto de Seunghyun endureceu levemente. Seu desejo de ignorar qualquer coisa que Park Yongseok disse tornou-se inútil. Ele estava sendo muito mais paciente do que com os outros, afinal ele era seu superior, mas sentiu que desta vez ele estava passando dos limites.
Ji Seunghyun, que conseguia fazer o Guiding de Ha Jaeil — o Esper mais difícil de lidar no Centro —, não estava mais em uma posição inferior. Atualmente, Ji Seunghyun não tinha contatos, mas, por isso mesmo, não tinha pontos fracos. Exceto pelo fato de vir do Setor 13, ele era um Guia de pleno direito que fazia o seu trabalho, ou como dizia Park Youngseok, “fazia valer o que comia”.
Ji Seunghyun não tinha motivos para ser criticado por Park Youngseok. Deveria ele aceitar alguém egoísta que não aceitava a situação de guerra e só pensava no próprio bem-estar apenas por ser seu superior? Seunghyun não queria mais ser oprimido por Park Youngseok, que chamava de desumanos aqueles que ainda lutavam no Setor 13. Mesmo que sua origem o seguisse como um rótulo e limitasse constantemente tudo o que ele era, ele não queria mais perder.
Além da habilidade de distinguir o que era importante, Seunghyun tinha, desde algum tempo, uma frase que o apoiava. Em Haon, ele não estava sozinho.
*— Feche os ouvidos e os olhos para as outras coisas.*
*— Desejo que ouça apenas a mim.*
Ao girar a língua dentro da boca, uma das bochechas de Seunghyun inchou e desinchou. Um olhar carregado de insolência voltou-se para Park Youngseok.
— Por que eu mataria alguém?
— Em um lugar sem lei nem ordem, o que haveria que não pudesse ser feito?
Ele estava decidido a provocar. Estava julgando a pessoa à sua maneira, criticando sua origem e sem conhecer bem sua forma de vida. Era uma mentalidade estreita e suja.
— Quem atirou uma vez, não conseguiria atirar duas?
Ele o estava rotulando como um assassino que já fizera aquilo no passado e que tinha potencial para fazer novamente no futuro. Para ele, Ji Seunghyun era um alvo fácil para descontar sua frustração. Uma voz baixa atingiu Park Youngseok, que apenas ria.
— Ah. É mesmo?
Inclinando levemente a cabeça e apoiando o peso em uma das pernas, Ji Seunghyun respondeu com um tom bastante petulante. Os olhares dos Guias ao redor, que observavam a atitude desavergonhada de Park Youngseok, voltaram-se instantaneamente para Seunghyun. A maioria fez uma expressão de surpresa, pois achavam que ele continuaria sendo atacado mansamente.
— Por que o seu tom de voz está desse jeito?
Park Youngseok nem sequer pensou que ele mesmo havia provocado daquela forma. Focado apenas no fato de que ele estava agindo sem educação, empurrou o abdômen de Seunghyun com o cano da arma. Por não ter controlado a força, o corpo de Seunghyun foi impulsionado pelo impacto.
— …Superior. Acho que suas palavras foram um pouco excessivas.
Era uma conversa totalmente sem nexo e que tinha apenas o objetivo de difamar. Joy, que desde o início questionava se aquilo era mesmo uma conversa, não aguentou e se colocou entre os dois.
— Em um lugar onde os recursos são limitados, o que você teria feito para sobreviver de forma tão impecável? É óbvio.
Era uma insistência sem cabimento. Foi uma declaração insolente que fazia qualquer um franzir a testa, mas as pessoas ao redor começaram a murmurar como se estivessem assistindo a uma briga. Mesmo sem fazer barulho, já estavam todos do mesmo lado.
— Os recursos limitados não são os mesmos em Neo?
Seunghyun, que encarava Park Youngseok com o rosto gélido, finalmente soltou uma frase.
— O quê?
Com o tom de voz subitamente mais curto, Park Youngseok ficou furioso.
— É exatamente isso.
Ji Seunghyun, cujo olhar também se tornou sombrio, não se conteve. Era de se perguntar como ele aguentou até agora. As pupilas azuis de Joy se moviam alternadamente para olhar para Park Youngseok e Ji Seunghyun.
— Como acho que este é um lugar onde o senhor não aguentaria nem um dia, sinto que minha habilidade é renovada.
— O quê?
Havia uma abundância de tranquilidade no gesto de segurar suavemente o cano da arma de Park Youngseok e mudar sua direção.
— Se estivéssemos no Setor 13, o senhor conseguiria sequer olhar para o meu rosto adequadamente?
— …
— Isso aqui já teria voado.
Ji Seunghyun, que batia levemente na própria têmpora com o dedo indicador, parecia ter se tornado outra pessoa. Diante da fala absurda de que, se ali fosse o Setor 13, ele explodiria a cabeça dele, a boca de Park Youngseok se abriu de espanto.
— Seu desgra…
Foi no momento em que ele ia retrucar aos gritos, perguntando o que ele estava dizendo. O instrutor de treinamento abriu a porta e entrou.
O rosto do homem, que tinha uma postura tão ereta quanto a de Ha Jaeil, era familiar. Ele era Ethan Leon, o instrutor responsável pelo tiro de Seunghyun, e era a pessoa de maior nível entre os paranormais naquele espaço. Park Youngseok, que rosnava como se fosse avançar em Seunghyun a qualquer momento, mas não queria causar confusão na presença de um superior, encarou Seunghyun e acabou recuando.
Ethan, que tinha uma fisionomia com olhos levemente puxados para cima, analisou rapidamente os Guias compostos por nível médio ou superior.
Embora devessem ter ouvido as notícias sobre o novo tipo de Gon, suas aparências eram relaxadas, sem qualquer sinal de tensão. Não demonstravam sinceridade nem motivação. Se fossem Espers, ele teria corrigido aquela mentalidade nem que fosse na base da punição, mas eles eram Guias. Não era um nível que já havia endurecido a ponto de não valer a pena?
Ethan, parado diante deles, colocou as mãos nas costas e manteve a coluna ereta. Uma voz com volume acentuado ecoou pelo espaço.
— Senhores Guias, dificilmente a entrada no Oni Cube será permitida para vocês, mas tenham como objetivo exercer o mínimo de astúcia para proteger o próprio corpo, mesmo nas piores situações.
— …
— O tempo limite é de 20 minutos. O objetivo é a sobrevivência. No prédio, há Espers esperando no papel de Onis. Também aplicaremos a regra de que um Oni que eliminar cinco ou mais Guias evolui para Gon.
— …
Seunghyun, inclinando levemente a parte superior do corpo, sussurrou para Joy, que estava ao seu lado:
— Um Guia consegue sentir a energia de um Esper que entra em uma certa distância, não consegue?
Ela, com o olhar fixo em Ethan, apenas virou levemente a cabeça para sanar a dúvida de Seunghyun.
— Sim. Existe um traje especial que pode bloquear a energia. Eles usam isso até quando treinam entre Espers. Não sei com quantos tiros será contabilizado agora, mas se for atingido, é automaticamente considerado morto.
“Entendi”, murmurou Seunghyun baixinho, voltando a se concentrar em Ethan.
— Atribuiremos pontos de bônus aos Guias que sobreviverem dentro do tempo.
Com a menção a pontos de bônus, os rostos dos Guias se iluminaram. Quando alguém levantou a mão, Ethan assentiu levemente, permitindo a pergunta.
— Então por que nos deram fuzis e óculos de visão noturna? Apenas pistolas de autodefesa deveriam ser suficientes.
O rosto de Ethan, voltado para a direção de onde veio o som, relaxou levemente antes de voltar ao normal.
— Bem pontuado. Também daremos pontos de bônus se vocês acertarem pelo menos um tiro em um Oni ou Gon.
Ao ouvir as palavras de Ethan, a maioria dos Guias fez cara de quem não entendia o motivo. Por que dariam pontos de bônus por acertar um Oni em um treinamento cujo objetivo era a sobrevivência? Normalmente, quando um local se tornava um Oni Cube, era preciso se esconder o mais rápido possível para aumentar a taxa de sobrevivência.
Seunghyun, que observava Ethan fixamente, também mergulhou em pensamentos. Por que seria? Ao redor, os murmúrios continuavam. O olhar de Seunghyun, que estava parado segurando o fuzil, voltou-se novamente para Ethan. Por algum motivo, Ethan também olhava para Seunghyun. Seunghyun, subitamente atingido por um pensamento, franziu o cenho. Ethan, que percebeu a leve mudança de expressão, olhou para outro lugar sem grande reação.
— Qual é o motivo? Existe a necessidade de enfrentarmos os Onis?
— São ordens superiores.
Ethan parecia decidido a não dar a resposta. Ele apenas recebia em silêncio os olhares cheios de dúvida dos Guias.
— Então, a partir de agora, assumiremos que este local se tornará um Oni Cube quando todas as luzes se apagarem em 15 minutos. Nos vemos em 20 minutos.
Assim que ele terminou de falar, os Guias saíram da sala em bando. Queriam encontrar um lugar seguro para se esconder o mais rápido possível. Joy deu um tapinha no ombro de Seunghyun antes de sair.
— Novato. Então, até daqui a pouco.
— Não vamos juntos?
Joy olhou fixamente para o rosto de Seunghyun e deu um sorriso radiante.
— Pelo menos em momentos assim, você deve tentar sozinho. Não acha?
Aquilo também era verdade. Seunghyun assentiu em silêncio. Os passos de Seunghyun, que seguiam Joy, pararam subitamente. Ele era o último Guia a deixar a sala, e a única pessoa que restava nela era Ethan. Seunghyun olhou de relance para Ethan e disse com um semblante um tanto amargo:
— Parece que os Guias são mais egoístas do que eu imaginava.
Ji Seunghyun devia ser o único a ter percebido as intenções de Ethan. Isso porque ele era o único Guia que não havia sido contaminado pela cultura dos Guias, nem sofrido lavagem cerebral pelo sistema de níveis. Mesmo que houvesse um Guia que descobrisse esse objetivo, a probabilidade de que eles, acostumados a uma vida acomodada, fingissem não saber mesmo sabendo, era alta.
— …
Ethan não confirmou nem negou, mas Seunghyun compreendeu seus sentimentos apenas pelo olhar silencioso e baixo. O Esper que deixava tudo o que estava fazendo e corria assim que a ordem de mobilização era dada. O Guia que brandia a arma como se fosse um brinquedo. A diferença de temperatura entre os dois extremos era, mais uma vez, notável.
Comparados aos Espers, os Guias também eram seres fracos, mas comparados aos humanos, eles, que também realizavam treinamentos mínimos, tinham o dever de proteger os humanos. Talvez por terem vivido décadas atrás dos Espers esquecendo seu dever, agora nem sequer tinham a consciência de que era um dever. Eles separavam suas tarefas, dizendo que matar Onis era exclusivamente trabalho dos Espers. Sentir repulsa pelo egoísmo criado por uma longa paz era impossível, a menos que se fosse um terceiro interessado.
O objetivo dos superiores parecia ser estimular a motivação deles com o pretexto de pontos de bônus, mas, como Ethan disse, não parecia que seria tão fácil assim.
Verificando a hora, Seunghyun carregou com familiaridade o pente de munição que possuía. Ele inspecionou com um rosto sério a arma que os outros Guias consideravam um fardo e saiu pela porta.
— Vamos nos ver vivos.
Com a última frase lançada por Seunghyun, o canto da boca de Ethan subiu levemente.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna