Acidic Scent (Novel) - Capítulo 95
Capítulo 95
O mar invernal de novembro engoliu Marvin por inteiro. Um frio que parecia congelá-lo até os ossos drenava impiedosamente sua vitalidade.
Seu corpo submergia cada vez mais fundo. Em choque, seu organismo não funcionava direito. Marvin se debateu na água; se afundasse demais, seria difícil voltar à superfície. Ele agitou os membros, usando a flutuabilidade para alinhar o corpo aos poucos. Tendo sido obrigado a pular sem puxar o ar adequadamente, ele já estava sem fôlego.
Aos poucos, ele emergiu. Com todas as forças que lhe restavam, nadou em direção às luzes tremeluzentes, mas a temperatura de seu corpo caía rapidamente. Quando achou que estava quase lá, percebeu que o caminho ainda era longo. Ele acenou os braços e lutou. Foi quando ouviu alguém gritar:
— Ei, aqui! Jogue para cá!
Algo caiu na água com um estrondo. Esticando os braços, ele agarrou uma boia de salvamento. Pensando ser sua última esperança, Marvin a puxou com força. Seu corpo foi içado velozmente.
— Puhah!
Ele soltou uma enorme lufada do ar que estava prendendo assim que rompeu a superfície da água.
— Oh, ele emergiu! Puxem!
Os guardas costeiros agarraram a corda presa à boia e o puxaram. Logo, Marvin, tendo escalado até o bote de borracha deles, desabou no piso. Ao sair da água, um frio ainda mais extremo do que o de estar submerso o açoitou. Os lábios de Marvin batiam incontrolavelmente enquanto ele encolhia o corpo gelado feito uma bola.
Uma manta foi jogada sobre ele imediatamente.
— Você está bem? Está consciente?
Marvin assentiu. Vendo que a condição dele era melhor do que esperavam, os guardas costeiros suspiraram aliviados. O bote de borracha logo foi içado para o navio de patrulha da Guarda Costeira. O som ruidoso de rádios, gritos e alto-falantes agredia seus ouvidos. Todos estavam ocupados gerenciando a cena caótica.
— Dê licença. Senhor, por favor, sente-se aqui.
Um socorrista abriu caminho pela multidão e se aproximou de Marvin. Ele tomou a temperatura de Marvin imediatamente, checou suas pupilas e escutou seu coração.
— Aqui, precisamos de outra manta! E de uma toalha!
O interior do navio de patrulha estava extremamente agitado. Eles já tinham passado da metade da transferência de todos do navio da Jingang, e parecia haver certa resistência lá também, pois chamados de reforço vinham de várias direções.
— Líder de equipe, temos um paciente aqui também!
— Mande eles atravessarem primeiro! Não fiquem remoendo as coisas aí.
— Alguém pode trazer uma toalha aqui!
O socorrista que atendia Marvin também continuava pedindo suprimentos, mas não havia ninguém disponível para ajudar.
— Por favor, espere aqui um momento.
Por fim, ele mesmo saiu para buscar toalhas e uma manta extra. Marvin tremia como uma folha. Ele nem estava tentando fazer barulho, mas sua respiração continuava escapando pelos lábios. Os músculos de sua mandíbula doíam por causa dos tremores violentos.
Então, em determinado momento, ele avistou um rosto familiar em meio à multidão. Perguntou-se se o frio extremo o estava fazendo ver coisas, mas o homem caminhava lentamente em sua direção. Ele sentiu uma mistura de alegria e surpresa.
Não sabia que Jin-woo viria pessoalmente. Presumira que ele estaria esperando no píer.
Marvin apenas o encarou fixamente, incapaz até de cumprimentá-lo. Sua boca parecia congelada.
— Você sempre disse que o que mais odiava era o frio. Deve ter muita coragem para pular no mar com este tempo — murmurou Jang Jin-woo, olhando para Marvin enquanto se aproximava até ficar bem ao lado dele.
Os lábios firmemente selados de Marvin se contorceram num esforço para responder, mas subitamente algo foi colocado sobre seus ombros. Marvin olhou para ele com os olhos um pouco surpresos. Jang Jin-woo tirara o próprio sobretudo e o colocara sobre ele.
A ação inesperada fez sumir as palavras que ele estava prestes a dizer. Seu cérebro, tremendo de frio, não processava os pensamentos direito.
Não entendo.
Sem pensar muito a fundo, Marvin agarrou o sobretudo de Jin-woo como se fosse uma capa, puxando-o com força ao redor de seu corpo trêmulo.
— Não sei como você fez, mas realmente parou o navio. Para ser sincero, eu não tinha altas expectativas nem mesmo quando enviei aquela mensagem. Mas fomos bem-sucedidos na prisão em flagrante, e você também não parece gravemente ferido… Fiquei um pouco surpreso.
— …Eu dei uma surra em dois ou três deles — Marvin conseguiu forçar a voz, rouca. Foi um alívio que ela sequer tenha saído.
— Tudo bem. Vou fazer com que tudo seja registrado como legítima defesa.
Ao som da voz de Jin-woo, firme e penetrando seus ouvidos, Marvin olhou para cima novamente. Ele ostentava uma expressão de extrema satisfação. E com razão; tudo se concluíra de acordo com o plano dele. Atrás dele, os despojos da operação eram transferidos em ordem, algemados.
Tinha sido um grande espetáculo. Se tivessem sido presos silenciosamente no píer, algumas acusações poderiam ter ficado ambíguas. Agora, várias outras foram adicionadas: obstrução da justiça, fuga, violação das leis marítimas. Eles podiam começar com todos já sob custódia. A caçada de Jang Jin-woo fora um sucesso perfeito.
E ele olhava para a figura à sua frente, que contribuíra grandemente para aquela caçada, com um olhar generoso. Se tivesse demorado mais um pouco, talvez até tivesse desalinhado o cabelo de Marvin.
— Senhor, deixe-me enxugá-lo com isto.
Felizmente, isso não aconteceu. O socorrista que fora procurar uma toalha voltou. O contato visual entre os dois homens se quebrou. Jang Jin-woo deu um passo para trás, cedendo Marvin ao socorrista. O paramédico enxugou o cabelo completamente molhado de Marvin e o ajudou a se levantar.
— Por causa da hipotermia, o senhor provavelmente precisará ficar na enfermaria por um tempo. Por favor, me siga.
Marvin olhou para Jang Jin-woo, que assentiu como quem diz: Pode ir.
— Promotor Jang, localizamos os itens. Vamos até lá para verificá-los?
Nesse instante, alguém se aproximou de Jin-woo e falou com ele. Ele também devia estar ocupado. Tendo trazido tantas pessoas ali, haveria coisas que precisaria confirmar. Mas, até o momento em que se virou completamente, Marvin viu que o olhar de Jin-woo nunca o deixara.
Marvin seguiu silenciosamente o socorrista até a enfermaria. Como até seus sapatos estavam encharcados, parecia que precisava trocar de roupa. O paramédico colocou uma manta extra na cama e ajudou Marvin a tirar as roupas molhadas.
— Por favor, tire tudo, incluindo as roupas íntimas, e enxugue-se com isto. Depois se cubra com a manta. Volto logo para checar como o senhor está. Quer que eu traga um pouco de água quente?
— Quero.
O socorrista assentiu e saiu da enfermaria. Pouco depois, Marvin estava completamente nu. Ele empilhou as roupas molhadas em um canto e usou a toalha para enxugar cada parte do corpo. A enfermaria parecia ter um aquecedor ligado, pois um ar quente entrava de algum lugar.
Seu corpo, que tremia violentamente, começou a se acalmar um pouco. Marvin jogou a manta sobre si e se sentou na cama, esperando pelo socorrista. Achou que o paramédico voltaria logo, mas não havia sinal de ninguém por um tempo.
Eles devem estar ocupados.
Sinceramente, sua situação não era crítica; ele apenas caiu na água. Havia outros pacientes no navio. Além disso, fora ele quem causara aquela situação, então não podia reclamar. Ainda assim, ele só dera um soco no plexo solar de um cara para desmaiá-lo, e outro só ficara com alguns cortes no rosto…
E havia outros? Haveria o cara com o tiro na mão, e aquele com o corte na mandíbula…
Perdido em seus pensamentos, Marvin virou a cabeça ao som da porta se abrindo. Pensou que fosse o socorrista, mas a pessoa parada à porta era completamente inesperada.
— Promotor Jang.
Jang Jin-woo entrou em silêncio. Em seguida, trancou a porta com um estalo. Tendo dado seu sobretudo a Marvin, ele estava apenas de terno. Marvin notou, com atraso, que ele usava até gravata. Lembrou-se de Jin-woo dizendo que estava em uma reunião importante, motivo pelo qual as ligações eram difíceis. Aquilo mostrava o quão repentinamente aquela situação estourara para ele também.
— Como está se sentindo?
— Estou bem. É só o meu corpo em choque por ter pulado de repente na água fria.
— A Guarda Costeira viu você cair. Ainda bem que lançaram o bote imediatamente; se tivessem te perdido de vista, levaria tempo para te encontrar. A temperatura do seu corpo já teria caído completamente até lá.
Jang Jin-woo aproximou-se de Marvin. Ele segurava uma caneca que parecia ter conseguido com o socorrista. Passava a impressão de que viera ali após bloquear preventivamente qualquer interferência externa.
— É. Estava inacreditavelmente frio. Aprendi qual é a sensação de ficar preso no gelo.
— Mas, vendo como você sempre sobrevive, acho que você realmente era um excelente agente, hein?
— Você pode testemunhar por mim durante a avaliação do meu pedido de reintegração. Minha maior fraqueza era a sensibilidade ao frio, mas você pode dizer que eu a superei.
— De fato.
Jang Jin-woo soltou uma risada leve e sentou-se ao lado de Marvin. Em seguida, entregou-lhe a caneca de água morna. Seu olhar deslizou naturalmente para as coxas e pernas de Marvin, claramente visíveis abaixo da manta.
Sentindo-se pego nu, Marvin tossiu sem jeito e explicou que o paramédico lhe dissera para tirar a roupa e se enxugar. Enquanto dizia aquilo, soava tão óbvio que chegava a ser engraçado. Ele, mais do que ninguém, saberia dessa regra básica. Jang Jin-woo não respondeu, apenas escutando em silêncio.
Marvin puxou outro assunto:
— Você confirmou os itens?
— Sim, eram exatamente 10 toneladas. Além disso, o capitão estava transportando drogas e era um estrangeiro que nem sequer fora devidamente registrado no país. Eu estava preocupado de não termos o suficiente para implicar firmemente o Presidente da Jingang, Yun Jo-beom, mas agora as coisas se resolveram tão facilmente.
Ele se sentia tão bem que quase caiu na gargalhada, mas, inesperadamente, a expressão de Jang Jin-woo estava estranhamente calma e serena.
— Que bom.
— Kim Marvin, sua contribuição foi significativa. O que você quer? Eu gostaria de lhe dar uma recompensa especial.
Marvin soltou uma risada curta. Era bom ouvir aquilo, mas ele apenas fizera o que precisava ser feito.
— Não preciso. Nunca recebi recompensas por cada pequena coisa que fiz no trabalho. Seu elogio é suficiente.
— Então, posso pegar a recompensa para mim?
— Hã?
Marvin virou a cabeça para olhar para Jang Jin-woo. A distância entre eles era bastante curta. Não era difícil adivinhar o que ele queria, dada a forma ostensiva como se aproximava.
Ele abaixou a cabeça, mirando os lábios de Marvin, que ainda estavam curvados num leve sorriso. Suas testas se tocaram, e Marvin pôde sentir sua respiração. O corpo frio de Marvin se aqueceu em um instante.
— Você não deveria… estar lá fora?
A cena do lado de fora ainda não estava totalmente resolvida. Ele não achava que Jin-woo tinha tempo para estar fazendo aquilo com ele ali.
Mas Jang Jin-woo apenas se aproximou mais. Como se não se importasse particularmente com a enorme operação que acabara de orquestrar, segurou a nuca de Marvin e sussurrou baixinho:
— Primeiros socorros primeiro.
E então, sem hesitar, cobriu os lábios de Marvin com os seus. Uma onda de respiração quente o lavou.