Acidic Scent (Novel) - Capítulo 92
Capítulo 92
— Qual é a gravidade?
— Sinceramente, é um milagre ele ainda estar respirando. Ele foi esfaqueado por todo o corpo. E os olhos dele… simplesmente… sumiram. Ugh…
O policial fez uma careta, cobrindo metade do rosto como se quisesse bloquear a cena grotesca.
— Sério?
O comandante do esquadrão do choque lambeu os lábios, parecendo desconfortável. Ele olhou para Jang Jin-woo, que escutava a conversa. Com uma vítima de um crime violento agora envolvida, eles não podiam simplesmente deixar os suspeitos escaparem. Após um momento de hesitação, ele se aproximou dos dois homens.
— Vamos fazer o seguinte, Promotor. O senhor poderia pedir para alguém do seu escritório ligar para o nosso chefe? Se tivermos a confirmação de alguém de cima, as coisas ficam mais fáceis para mim. Assim que isso for resolvido, coordenaremos com a Guarda Costeira imediatamente.
Já era tarde, e eles haviam corrido para o local apenas para perder a prisão mais crítica. Se fossem entregar o caso para a Guarda Costeira, precisavam pelo menos que a Promotoria mantivesse as aparências com uma ligação para a Agência Policial de Daejeon. Jang Jin-woo assentiu, entendendo o pedido subentendido.
— Espere aqui.
Ele imediatamente tirou o celular e se afastou. Parecia já saber para quem ligar. Colocou o telefone no ouvido sem hesitar. O comandante observava, esfregando o queixo. Esse cara tem contatos. Talvez ele não seja um zé-ninguém afinal. Ele murmurou entre dentes antes de se voltar para seu subordinado com uma expressão amargurada.
— Chame duas ambulâncias. Só por precaução. E faça a equipe ficar de prontidão no ônibus. Se o navio voltar para a costa, nós assumimos. Me avise quando o representante da empresa de navegação chegar.
— Sim, senhor.
— Ei, conseguimos falar com o capitão? O que ele disse?
Ele se voltou para a administração do porto enquanto perguntava. O policial que recebera a ordem saiu em disparada para retransmitir as instruções, deixando Kim Hoseok sozinho. Ele observou Jang Jin-woo se afastando ao longe, imaginando para quem diabos ele estaria ligando àquela hora.
Ele não parece do tipo, mas com certeza sabe como mexer os pauzinhos quando precisa.
Jang Jin-woo podia se fazer de excêntrico, mas ainda era um promotor até o tutano. Kim Hoseok imaginou que ele estivesse ligando para alguém do alto escalão, talvez até para o chefe da Agência Policial de Daejeon. Alguém com peso suficiente para mobilizar recursos em um piscar de olhos. Com as apostas agora em 40 bilhões de won, a persuasão não seria difícil.
40 bilhões.
Aquilo seria manchete de jornal por dias. E com a promotoria, a polícia e a Guarda Costeira, todos envolvidos, a imagem pública seria perfeita. A mídia devoraria a notícia, elogiando a operação em termos gloriosos.
— Uau…
Kim Hoseok não pôde deixar de soltar uma risadinha impressionada. Como Jang Jin-woo sempre conseguia cair em situações como aquela? Era sorte ou apenas um instinto incrível para o tempo certo?
Eles não trabalhavam juntos há muito tempo, mas Kim Hoseok já havia aprendido uma coisa: Jang Jin-woo sabia exatamente quando pressionar e quando recuar. E agora, mesmo como um mero investigador, ele percebia que aquele era o momento de avançar com tudo.
Não se tratava apenas dos supressores. Uma empresa de navegação de médio porte que sustentava toda uma região, enredada com o crime organizado. Aquilo era enorme. Agora que haviam confirmado que as drogas estavam no navio, tudo o que precisavam fazer era trazê-lo de volta. Os superiores na promotoria não deixariam uma oportunidade de ouro como aquela escapar. A essa altura, eles mobilizariam até um caça da força aérea se fosse preciso.
Fiel ao seu estilo, Jang Jin-woo não perdeu tempo. Devia ter conseguido o sinal verde de alguém importante. Ele baixou o telefone e deu alguns passos para trás antes de erguê-lo ao ouvido novamente. Parecia estar prestes a fazer outra ligação.
Mas ninguém atendeu. Após uma longa espera, ele começou a digitar uma mensagem, com uma das mãos enfiada no bolso. O vento uivava ferozmente, açoitando seu sobretudo, mas ele nem parecia notar. Apenas continuava tentando falar com alguém.
Ele não está com frio?
Kim Hoseok chegara ao seu limite. Desistindo do espetáculo, encolheu os ombros e voltou para o escritório. Lá dentro, o telefone do comandante do esquadrão do choque estava tocando. — Sim, Chefe — disse ele, entrando em posição de sentido. Kim Hoseok o deixou a sós e se aproximou do aquecedor. Fung. Seu nariz escorria. A julgar pela atmosfera, a Guarda Costeira seria destacada em breve.
— Por que você não atende o telefone? Pare de graça e fique escondido.
Marvin encarou a mensagem recebida, piscando. Não conseguia dizer se Jang Jin-woo estava irritado ou preocupado.
Não é que eu esteja te ignorando; eu literalmente não posso atender.
Ele resmungou internamente, mas enviou uma resposta calma.
— Eles viraram o navio em direção à China. Vou tentar atrasá-los, mas envie uma equipe de busca.
Ele apertou para enviar imediatamente, mas a mensagem apenas ficou girando, a pequena seta circulando sem parar. Finalmente, falhou. Eles deviam ter se afastado demais da costa. O sinal sumira.
Jang Jin-woo provavelmente já soubera de tudo através do investigador. Ele não desistiria assim tão fácil. Dizer para ele se esconder significava que estava articulando com a polícia. Jang Jin-woo não era do tipo que fazia promessas vazias. Ele provavelmente estava ajustando o plano enquanto conversavam. Isso significava que Marvin só precisava aguentar firme e fazer a sua parte.
Ele revistou os bolsos do homem desacordado caído ao seu lado. Um pequeno canivete, uma carteira e um celular que também estava descarregado e sem sinal. Para se conectar ao Wi-Fi do navio, ele precisaria encontrar um membro da tripulação. Convenientemente, eles também estavam procurando por ele.
Quando sentira o navio se mover pela primeira vez, ele cogitara pular na água. Mas permanecer a bordo parecia mais útil para o rastreamento. E com certeza, agora ele era a caça.
Ele vira dez pessoas no compartimento de carga. Duas eram funcionários, então, excluindo-as, restavam oito. Além disso, não tinha ideia de quantos membros da tripulação ainda estavam a bordo. O fato de alguém ter destravado o compartimento de carga significava que eles também estavam no esquema. Um confronto direto parecia arriscado.
Marvin respirou fundo. Seu corpo vibrava com a tensão, aquele tipo que ele não sentia há algum tempo. Ele precisava se mover sem ser visto. A escuridão ajudava, mas estar em menor número em um espaço confinado o colocava em desvantagem. Tinha que agir rápido.
Ele escaneou a cabine. Nada para amarrar o homem, então empurrou o corpo desacordado para debaixo da cama. Pelo menos ele não seria encontrado antes de acordar. Prendendo a respiração, escutou os movimentos do lado de fora. Passos se aproximaram, seguidos por vozes.
— Você checou aquele lado?
— Sim, nada lá. Devemos voltar para cima?
— Nós cuidamos disso. Comece pela outra ponta e cheque cada um dos quartos, um por um. Para onde diabos aquele rato fugiu?
Era o Diretor Jo. Assim que seus passos sumiram, o homem deixado para trás suspirou profundamente. Ele não parecia muito animado, mas cumpriu as ordens, abrindo cada uma das portas das cabines, uma a uma. Marvin se pressionou contra a parede, segurando o fôlego. Finalmente, a porta de sua cabine rangeu e o homem deu um passo para dentro.
— Ei, Kim Dong-woon. Você está aí?
O homem varreu a cabine apertada e olhou para baixo. O pé de Dong-woon sobressaía debaixo da cama. No momento em que percebeu o que estava vendo, um antebraço travou em volta de sua garganta por trás, e uma lâmina fria foi pressionada contra seu olho.
— Guh—
— Já que você está tão ansioso para vender globos oculares, talvez eu compre um par. Se importa se eu levar um?
— Hng! Gk—!
O homem se debatia, esmurrando o braço de Marvin, mas o mata-leão não afrouxava. O pânico se instalou quando ele percebeu que aquilo não era só um aviso. A lâmina estava realmente se cravando na pele abaixo de seu olho.
— E-espera! Por favor!
Sangue escorreu por sua bochecha, e o terror o paralisou. Ele havia entrado para a tripulação recentemente. Ele ia mesmo morrer daquele jeito? Sentia que ia se mijar todo. Dong-woon o alertara sobre o cara armado. Sem hesitar, ele desembuchou tudo.
— T-tem cinco membros da tripulação… er… cinco, mais o capitão. Ele… ele é chinês!
— Este navio está voltando para a China? De onde ele saiu?
— Porto de… Porto de Seokdo.
— Certo. Era tudo o que eu precisava. Relaxa. Isso vai acabar logo.
— E-espera! Só um segundo!
Ele sentiu a lâmina pressionar mais fundo. Ele ia desmaiar. Com lágrimas escorrendo, implorou:
— P-por favor! Eu vou ficar quieto! Só não… por favor, não faça isso! Por favor, hng!
No momento em que a pressão em sua garganta cedeu, ele desabou no chão, arfando e tendo ânsias. O sangue lambuzava suas palmas. Estava apavorado demais para abrir os olhos. E se já estivesse cego?
Depois do que pareceu uma eternidade, ele finalmente ergueu a cabeça. Estranhamente, a cabine estava vazia. Apenas o sapato de Dong-woon era visível debaixo da cama.
Pelo menos eu ainda consigo enxergar. O alívio o lavou, mas a exaustão veio em seguida. Ele sabia que devia voltar lá para fora, mas não conseguia se forçar a se mexer. Na próxima vez, ele realmente perderia um olho.
Ele olhou alternadamente para seu companheiro imóvel e para a porta entreaberta, emoldurada pelas ondas balançando. Então, silenciosamente, ele se levantou e fechou a porta atrás de si.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello