Acidic Scent (Novel) - Capítulo 90
Capítulo 90
— Ei, este não é o mesmo cara de antes! Que porra é essa?
Os homens, percebendo tarde demais, avançaram, mas o Diretor Jo ergueu um braço para contê-los. Ele suspeitava que Marvin pudesse estar armado, assim como da última vez. Mesmo se não estivesse, aquele homem conseguiria derrubar alguns deles sem nem suar. Não havia necessidade de provocá-lo sem motivo.
— Você tem faro de cão de caça, hein? Como me rastreou desta vez?
O último informante que ele usara, o Executivo Heo, já fora descartado. Sem outra fonte, seria impossível para Marvin ter agido tão rápido. O olhar desconfiado do Diretor Jo varreu os dois funcionários do porto que os haviam seguido. Eles continuavam ali, sem entender nada, piscando um para o outro.
— Não envolva pessoas inocentes nisso. Não foram eles.
Marvin olhou sutilmente para os homens da Dongyang. Eles encolheram os ombros.
— Que porra, cara! Por que está olhando para a gente? Chefe, não fomos nós!
O Diretor Jo estalou a língua, lambendo o lábio inferior. O homem tinha histórico, então não se podia confiar totalmente nele. Mas ele também não podia simplesmente mandar seus homens darem uma surra nele sem motivo. Um ratinho liso.
— Então o que te traz aqui desta vez?
— Eu acabei de falar. O último lote era bom, então pensei em trocar por mais um pouco.
— Trocar? Você quer dizer roubar e fugir, não é?
O Diretor Jo bateu o pé de cabra contra o chão, a irritação límpida em seus gestos.
— Qual é a sua verdadeira jogada? Alguém te mandou na frente para fazer reconhecimento? Quem diabo é você?
Um Ômega quebrado. Foi assim que Ko Hyung-joon o chamara. Havia boatos de que ele estivera envolvido no desenvolvimento inicial dos supressores de segundo estágio, mas o Diretor Jo não recebera detalhes. Ele fora descartado, deixado para se virar sozinho. Para a Dongyang, era apenas um entregador.
Embora não demonstrasse, o Diretor Jo estava incomodado. Eles haviam sido excluídos do negócio lucrativo de queimar milhões em testes, e aquilo queimava. Talvez, se pegasse aquele cara, pudesse finalmente conseguir uma fatia do bolo.
O comércio de supressores de curto prazo estava suspenso de qualquer forma. A demanda caíra depois que o sistema de alocação ruiu. Talvez fosse hora de mudar de produto totalmente.
— Tudo bem, vamos negociar. Cheque a qualidade primeiro. Só trabalhamos com “Made in Europe”, alta qualidade, forte e de longa duração. Quer testar? Você é um Ômega, certo? Sem problemas. Alguns detentores de traços também tomam, duas vezes por mês.
O Diretor Jo rasgou uma caixa a seus pés com um canivete. Embalagens plásticas lacradas rolaram para fora. Ele pegou uma marcada com a letra O, abriu e entregou o conteúdo a Marvin.
— O ideal é com água, mas você pode simplesmente engolir o pó se precisar. Vai em frente, experimente.
Marvin encarou o pequeno pacote plástico diante de si. Dentro havia uma colher de pó branco. Ele sabia que aquilo era apenas uma encenação, uma deboche, mas entrou no jogo, pegando o pacote da mão do Diretor Jo.
Era a mesma embalagem que o Executivo Heo lhe dera da última vez. Agora ele tinha sua prova. O problema era ganhar mais tempo.
Marvin olhou de relance para o investigador parado na popa do navio. Eles haviam concordado em fingir ser motoristas de caminhão juntos, e o plano tinha duas partes. A primeira já havia falhado. Agora precisavam ir para a segunda opção, mais arriscada.
Marvin enviou um sinal sutil com os olhos. O investigador assentiu levemente e começou a se mover em direção à rampa.
— Mas se eu tomar isso agora, vai ter alguém para me… atender?
Marvin atraiu a atenção de todos de volta para si. O Diretor Jo deu um sorriso de canto e pegou o supressor de volta da mão de Marvin.
— Claro. Compre em grande quantidade e nós te damos um bônus. Você pode se divertir lá em cima com um dos grandes. Quanto você vai comprar? Só vendemos no atacado, no mínimo 100 milhões. Em dinheiro? Aceitamos cripto também, então não se preocupe com o pagamento.
Ele fez um aceno para seus homens. Alguns deles se esgueiraram por trás de Marvin. Marvin sentiu a movimentação e baixou o olhar. O investigador já não estava em lugar nenhum. Não havia mais aliados no navio.
— Quanto custa tudo o que vocês carregaram?
— 40 bilhões.
O Diretor Jo falou como se não fosse nada.
Os funcionários do porto, ouvindo o valor bruto pela primeira vez, não puderam conter o espanto. Eles rapidamente cobriram a boca, mexendo-se desconfortáveis.
O Diretor Jo debochou da reação deles. — Esse é o preço ao consumidor. Depois de custos e taxas, não ficamos com muito. Nós só movemos o produto e, se formos pego uma única vez, perdemos tudo.
— Qual é o preço no atacado?
— Eu pareço o tipo de cara que compartilha segredos de negócio? De qualquer forma, estamos atrasados. Vamos carregar isso e sair daqui. Ajude se for comprar. Mesmo se não for, dê uma mãozinha. Vamos terminar isso e ir comer.
O tom subitamente amigável pegou Marvin de surpresa. Marvin entrou na onda de leve.
— Vamos esperar mais um pouco. Outra pessoa deveria estar aqui, mas está atrasada. Ela vai cuidar do pagamento.
— Quem?
Marvin não respondeu, apenas pressionou os lábios em um sorriso fraco. Então, na popa, a rampa que conectava o navio à doca começou a se recolher com um rangido mecânico. Os homens no navio olharam confusos enquanto o caminho desaparecia.
— Que porra é essa? Quem mexeu nisso?
Os homens da Dongyang correram para a popa. O investigador, ainda se passando por motorista de caminhão, já estava fora do navio, operando o painel de controle da rampa. Um membro da tripulação que desembarcara antes estava ao lado dele.
— Ei, o que você está fazendo? Reconecte isso!
Um dos homens da Dongyang gritou com ele. O tripulante atordoado finalmente caiu em si e se moveu em direção ao painel. O investigador exibiu seu distintivo.
— Sou da Promotoria. Se tocar nisso, é obstrução da justiça. Afaste-se.
— Da Promotoria? Que diabo—
O tripulante hesitou, olhando ao redor em pânico.
— A polícia e o nosso promotor estarão aqui a qualquer minuto. Não piore as coisas para o seu lado. E vocês— ele apontou para os homens da Dongyang —, fiquem onde estão.
Os trabalhadores da doca murmuravam, trocando olhares nervosos. A situação os dividira perfeitamente: o bando da Dongyang estava preso dentro do compartimento de carga, enquanto as testemunhas sem noção permaneciam na doca. O gerente do porto já começara a dar passos discretos para trás.
O Diretor Jo, percebendo o que estava acontecendo, soltou uma risada seca enquanto olhava para Marvin.
— Então você vai simplesmente nos prender aqui e enrolar? Acha que ainda vai estar respirando quando isso acabar?
— Provavelmente.
O Diretor Jo balançou a cabeça em descrença, mas latiu ordens para seus homens. Eles precisavam apagar aquele incêndio primeiro.
— Ei, mandem alguns caras para cima. Peguem as cordas e desçam para a doca. Reconectem essa rampa!
Marvin rapidamente bloqueou a escada para o convés com o próprio corpo, como se os desafiasse a passar por ele.
— Maldito insolente! Eu estava doido para te dar uma lição!
Um dos homens avançou, mas seu parceiro o puxou de volta. Aquele cara tem uma arma. A advertência passou em silêncio entre eles, e os homens congelaram. O rosto do Diretor Jo se contorceu em frustração.
— Saiam da porra do caminho, seus inúteis—
Ele se moveu para cuidar de Marvin ele mesmo, pé de cabra erguido, mas Marvin se esquivou para fora da porta.
— Que pena. Me disseram para não lutar hoje. Fica para a próxima.
A porta se fechou com estalo. Um trinco metálico se encaixou no lugar. Aquele era o único caminho para o convés. A testa do Diretor Jo se franziu. Sua paciência estava no limite.
Ele se voltou para seus homens.
— Mande dois caras pular. Agora.
— O quê?
— Pulem. Ficou surdo? Só nadar até lá. É logo ali. Vão e reconectem. O resto de vocês, carreguem os caminhões agora. Assim que estiver no lugar, nós saímos dirigindo. Entenderam?
Seus homens hesitaram. Pular no mar gelado do inverno à noite não era nada atraente. No fim, os dois novatos mais jovens não tiveram escolha.
Tirando os casacos e sapatos, eles tremiam enquanto encaravam a água escura. Seus rostos ficaram pálidos como cera.
— Pulem, porra! Não temos tempo!
Enfurecido, o Diretor Jo deu um chute no traseiro de um deles. O homem cambaleou para a frente, agarrando-se desesperadamente ao parapeito. Ele não ia soltar de jeito nenhum — escalou de volta, tremendo. O Diretor Jo, furioso, ergueu o pé para chutar novamente—
De repente, sirenes ecoaram e as luzes da doca se acenderam. Vans da polícia e viaturas de patrulha avançaram em alta velocidade pela entrada do porto.
Merda. Porra.
O Diretor Jo massageou as têmporas, como se sua cabeça estivesse prestes a rachar. Aquilo era familiar demais. Infelizmente, aquilo não era algo que alguns acordos de bastidores com os policiais pudessem resolver.
Pior: se perdessem 40 bilhões de won em produtos, os superiores não o deixariam viver. Ele seria esquartejado vivo, processado como gado, embalado em caixas e despachado. Comida para os peixes.
O Diretor Jo abriu os olhos, sua expressão endurecida, e discou um número. Chinês jorrou do receptor.
[Capitão, sou eu. Vire o navio. Cancelamos o descarregamento. Volte para a China.]
Os homens ao redor dele trocaram olhares.
[Agora. As cordas? Corte-as. Largue tudo. Se você não se mover agora, a polícia coreana vai te prender. Ah, e tem um rato no convés. Pegue ele. Se não conseguir, use o arpoador. Atire nele. É, arranque os olhos e qualquer coisa de valor, depois jogue o resto no mar. E mande alguém destravar esta porta.]
Ele desligou e tirou os óculos, limpando as lentes embaçadas na camisa. Seu rosto estava corado de raiva.
— Aquele desgraçado tem muita coragem…
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello