Acidic Scent (Novel) - Capítulo 194
CAPÍTULO 194
Lim Sang-wook não deixou passar aquela reação momentânea. Com as mãos entrelaçadas, encarou Jang Jin-woo em silêncio antes de falar calmamente:
— Promotor Jang. Por que você acha que eu fiz questão de te contar tudo isso hoje?
— Vejamos. Pensei que talvez o senhor achasse que eu estivesse curioso.
— E não estava?
Jang Jin-woo esboçou um sorriso de lamentação, como se estivesse em uma posição difícil para responder. Não deu desculpas. Lim Sang-wook também não se importou; o que ele queria desde o início era bem claro.
— Agora que ouviu toda a história, já deve saber: se estiver pensando em tentar me arranhar, é melhor desistir. Pode denunciar ou cavar o quanto quiser, o resultado será um só. Sou politicamente limpo. Não há nada em que me pegar.
Seu rosto ostentava confiança, como quem está absolutamente seguro do que diz.
— Defina logo o seu lado. Para não levantar suspeitas desnecessárias. Afinal, quando se curva a espinha, é preciso ir até o chão para conseguir o que se quer, não é mesmo?
— Terei isso em mente.
Só depois de ouvir essa resposta é que Lim Sang-wook esticou a mão em direção ao centro da mesa. Pegou o celular de Jang Jin-woo, que estara jogado ali de canto, e o examinou de todos os lados. Ao confirmar que não havia nada de anormal, devolveu-o ao dono.
— Fico feliz que tenha entendido. Da próxima vez, vamos nos ver em um clima mais relaxado.
He levantou-se da cadeira. Como já tinha dito tudo o que queria, vestiu o casaco, demonstrando que não tinha mais nada a fazer ali.
— Saia com calma.
Lim Sang-wook nem sequer se despediu de Jang Jin-woo, que se levantara para acompanhá-lo, e simplesmente saiu. Jang Jin-woo continuou encarando a porta que se fechara com um estalo, mantendo uma postura levemente inclinada.
De repente, olhou para o celular que segurava na mão. A tela apagada não mostrava nada. No entanto, na tela de descanso de outro celular, que ele tirara do bolso traseiro, o contador de tempo já ultrapassava mais de uma hora.
— Eu também precisava de um seguro, não acha? Como o próprio filho dele estava envolvido, pensei que não fingiriam que não me conheciam se as coisas dessem errado mais tarde, por isso o escalei de propósito. Assessores perderem a cabeça quando surgem problemas não é novidade. Mas eu não tenho intenção de virar mártir por este governo.
A voz de Lim Sang-wook que saía do arquivo de áudio pausou exatamente naquele ponto. Ao mesmo tempo, o tamborilar de dedos sobre a mesa também cessou.
Quem ouvia a gravação ergueu o olhar com a testa profundamente franzida, encarando o homem de pé à sua frente. Era um olhar que perguntava: “Você está falando sério?”.
A expressão de Jang Jin-woo, parado diante da mesa, permaneceu inalterada. É claro que era sério. Se não fosse, nem teria trazido aquilo até ali.
A fisionomia de Goo Sang-min, Promotor-Chefe Adjunto da Promotoria do Distrito de Seul, ficou sombria. O júnior que aparecera logo cedo pedindo uma conversa a sós de repente perguntou até onde o Chefe Adjunto estava disposto a ir. Em seguida, trouxe à tona aquela conversa de quando beberam juntos, sobre o “dever do promotor” e coisas do tipo.
Diante de um Goo Sang-min desconfortável com a abordagem repentina, Jang Jin-woo apresentou apenas um pequeno celular. E o conteúdo que saía dali era simplesmente inacreditável.
— Então… você vai mesmo fazer isso? Mandar um mandado de busca e apreensão para a Secretaria da Presidência?
— Sim.
— Sob qual acusação?
— Abuso de poder.
— Ha.
Goo Sang-min soltou um riso desacreditado. No entanto, o olhar de Jang Jin-woo continuava firme. Sua postura não vacilava, mostrando que não se tratava de uma brincadeira.
Como Jang Jin-woo era um promotor do departamento de julgamentos, era necessário outro promotor para liderar a investigação. Mas não era qualquer um que podia assumir a busca e apreensão na Casa Azul. Vendo que ele viera até a sala do Chefe Adjunto por não encontrar uma saída sozinho, Goo Sang-min sentia o peso do afeto por tê-lo formado e não conseguia simplesmente dispensá-lo.
Sabia que ele não era de fazer besteiras, mas a situação era complicada. Em um momento em que o clima já estava caótico por causa da auditoria parlamentar, declarar uma busca e apreensão na Casa Azul era o mesmo que anunciar que a Promotoria entraria de cabeça na briga. Atacar diretamente a Secretaria da Presidência sem a permissão do Promotor-Geral do Distrito era algo extremamente pesado até mesmo para ele.
Claro que era infinitamente melhor saber disso com antecedência do que ser pego de surpresa, mas…
Goo Sang-min soltou um suspiro audível entre os lábios e coçou a ponte do nariz.
— Não é ambíguo? Como disse o Chefe da Secretaria, não houve obtenção de lucro pessoal. Mesmo que o processo tenha sido truculento, e se alegarem que foi realmente para o bem público?
— O agente do Serviço de Inteligência que tentou desviar o material na Suíça foi morto para ser calado.
— Não ouvi nada sobre isso.
Goo Sang-min olhou alternadamente para o celular e para Jang Jin-woo.
— Há alguém que pode testemunhar separadamente.
— Onde?
— No centro de detenção.
“Nossa…”, pensou Goo Sang-min, olhando torto para Jang Jin-woo com extrema desconfiança. Duvidava muito que aquele raposão do Chefe da Secretaria fosse aceitar passivamente o depoimento de alguém que estava preso.
— Tem certeza disso? Falando francamente, parece que você também está envolvido nisso. O Chefe da Secretaria sabe disso e por isso está agindo de forma tão audaciosa, não? Como conseguiu gravar?
— Eu tinha dois celulares.
À resposta surpreendentemente simples, Goo Sang-min franziu a testa.
— O quê? Não achava que você fosse um cara tão descuidado.
— Provavelmente ele achou que não haveria problema se eu gravasse. O objetivo dele era me alertar caso eu pensasse em mudar de ideia. Como o senhor disse, se isso vier à tona, minha posição também ficará complicada. Já me encontrei com o pessoal da SN Bio, mudei a acusação do suspeito e entreguei a amostra, então não tenho o que dizer se me acusarem de destruição de provas.
— E mesmo assim você quer expor isso?
— Sim.
— Por quê?
A menos que estivesse louco, Goo Sang-min não conseguia entender por que alguém faria algo que claramente o levaria junto para o fundo do poço.
Mas Jang Jin-woo permaneceu em silêncio mais uma vez, sem responder. Era exatamente isso que deixava Goo Sang-min apreensivo.
O garoto que ele acompanhava desde o início da carreira mudara recentemente. Desde que entrara para a equipe de investigações especiais, parecia carregar algum segredo, mas ele jamais imaginara que tinha feito um acordo de acusação por trás dos panos com a SN Bio. Mesmo que fosse uma infiltração para denúncia interna, se não explicasse direito, seria uma mancha gravíssima em sua carreira. De certa forma, parecia que ele estava arriscando o próprio cargo de promotor.
— Tenho certeza de que houve propina pessoal direcionada ao Chefe da Secretaria. É uma ótima oportunidade para conseguir provas através da busca e apreensão.
— Se pedirmos o mandado, acha que sai?
— Como ele próprio desmentiu no plenário da auditoria as declarações que fizera antes, o tribunal entenderá que há risco de destruição de provas. O Judiciário tem andado bastante rígido com o partido governista ultimamente.
— Na verdade, parecem até estar esperando que a gente tome uma atitude primeiro…
Goo Sang-min, sem perceber, acabou sendo levado pelo ritmo da conversa e concordando. Jang Jin-woo não perdeu a brecha:
— Por favor, me ajude. Não consigo fazer isso sozinho.
— É claro que não consegue sozinho, seu moleque! No momento em que entrarmos com o mandado, o problema não vai ser o Promotor-Chefe do Distrito, mas sim a sala do Promotor-Geral da Nação me ligando.
Goo Sang-min desviou o rosto de propósito e soltou um longo suspiro. A hesitação permanecia, mas, diferente do início, quando achou que era brincadeira, agora considerava a proposta seriamente.
Era uma gravação forte demais para fingir que não ouvera. Sabia que ele acabaria fazendo alguma loucura sozinho de qualquer jeito, então parecia mais sensato ajudar para garantir que desse certo…
A sobrancelha de Goo Sang-min se ergueu levemente.
— E se a gente invadir e não tiver absolutamente nada?
— Vai ter.
— De onde vem tanta certeza? Alguém te deu alguma dica sobre o que tem lá?
Sobre essa parte, Jang Jin-woo calou-se novamente.
“Ah, sério… deixa para lá.”
Goo Sang-min fez uma careta de desapontamento e afundou o corpo na cadeira.
Ainda assim, era um alívio. Se ele tivesse dito que era apenas um pressentimento, seria bem mais dor de cabeça. Como parecia ter suas próprias fontes de informação, a chance de dar em nada parecia baixa.
— Se der errado, não é só você que morre. Eu vou junto para o olho da rua. Hoje em dia, abrir escritório de advocacia nem dá mais dinheiro, você sabe disso.
— O senhor não disse uma vez que o promotor trabalha por um senso de missão?
— Eu? Quando foi que eu disse isso?
Fingindo desentendimento, ele soltou um suspiro profundo e ficou imerso em pensamentos. Recusar era um problema, aceitar também era.
— Tá bom, entendi. Me dá um tempo.
Ele transmitiu a intenção de que Jang Jin-woo esperasse, vendo-o parado ali sem se mover um milímetro.
A essa altura, ambos sabiam que tinham feito o possível. Jang Jin-woo fez uma leve mesura e saiu da sala.
Caminhando pelo corredor, os passos de Jang Jin-woo eram lentos. Levaria um ou dois dias. Como o Chefe Adjunto conhecia bem seu temperamento, sabia que ele não diria “não”. No fim, era apenas uma questão de quão rápido ele reuniria coragem.
Como esperado, lamentou o ocorrido de ontem. Deveria ter aproveitado melhor aquela oportunidade de ouro que jamais se repetiria. Arrependeu-se de não ter extraído mais intenções reais de Lim Sang-wook.
“Será mais fácil se eu pegar Yook Sang-woo e confrontá-lo com as provas?”
Jang Jin-woo lembrou-se da próxima tarefa que precisava realizar. Ao mesmo tempo, por hábito, olhou para o celular de baixo custo que segurava na mão. Naturalmente, checou a localização de Marvin.
Ele estava nas proximidades do Parque Olímpico. Não sabia o que estava fazendo, mas a localização permanecia a mesma de quando checara pela manhã. Há alguns dias ele descera para Busan e, desde ontem, voltara a ficar em Seul.
Enviara uma mensagem há dois dias agradecendo por não ter perguntado nada. Não recebera resposta, mas não se importava. O simples fato de ele não ter desligado o rastreador já era motivo de sobra para ser grato. Confirmar a presença de Marvin piscando como um ponto vermelho na tela era o único refúgio de Jang Jin-woo ultimamente.
Ao retornar para a sala dos promotores, Jang Jin-woo voltou ao trabalho. Na tela do computador, inúmeros arquivos e janelas de e-mail sobrepunham-se em uma bagunça organizada.
Seu olhar deteve-se mais uma vez na resposta em inglês que recebera dois dias atrás de um órgão vinculado ao governo russo.
…É verdade que recebemos a proposta da pesquisa, mas como foi realizada por licitação fechada, esta instituição não participou.
De acordo com Marvin, o lado russo também contara com o apoio do FSB na operação, então era natural que declarassem publicamente não ter participado da licitação da Maxona. Porém, a informação que Jang Jin-woo buscava não era essa.
…Junto com os esquemas, foram fornecidos 3 tipos de amostras: uma para o Tipo A, uma para o Tipo O, e a restante correspondente à substância do antídoto…
O conteúdo escrito no meio da resposta era o ponto central. A primeira possibilidade que lhe viera à mente ao ouvir a história do Professor Kim Joo-young. Se tivesse entendido corretamente a teoria do cone que ouvira na feira médica há um ano, a primeira amostra que Marvin entregara a Park Sang-hee, ou a segunda amostra que ele próprio trouxera, pareciam ser o antídoto que devolveria a característica alterada ao estado original.
Fora um erro doloroso, mas também uma tremenda jogada de sorte.
Agora que via uma esperança, não havia motivo para hesitar. O descarte ou não da amostra era o mais importante. E, se ainda estivesse guardada, precisava trazer para o seu lado a pessoa que saberia a localização. Havia exatamente uma pessoa ideal para isso.
Na tela, outro e-mail estava aberto. A resposta de alguém que rapidamente captara a ameaça não tão sutil de Jang Jin-woo e buscava a própria sobrevivência. O motivo pelo qual era imperativo realizar a busca e apreensão na Secretaria da Presidência estava escrito ali.
Enquanto olhava fixamente para o e-mail, Jang Jin-woo estendeu a mão para o celular sobre a mesa. Nesse momento, alguém bateu à porta.
— Promotor, vamos almoçar? Quer que eu peça a comida?
O investigador Kim Ho-seok colocou a cabeça para dentro da porta meio aberta e perguntou a Jang Jin-woo:
— Hoje vamos todos pedir tonkatsu.
Ao investigador que informava o menu com cuidado, Jang Jin-woo pediu o mesmo sem demonstrar resistência. Assim que ele desapareceu, o olhar de Jang Jin-woo voltou a descer para o celular.
A localização de Marvin continuava exatamente a mesma. Não era uma área de hotéis ou acomodações; ele estava no meio do Parque Olímpico, sem se mover. E já fazia mais de três horas.
Incapaz de conter a ansiedade, enviou uma mensagem:
[Você está bem?]
Por que seria que um mau pressentimento o invadia sem motivo?
Enquanto tentava reorganizar a mente à força, a porta se abriu mais uma vez. Desta vez, era o aviso de que o chefe de investigações responsável pelos julgamentos viera procurá-lo. Mesmo enquanto se preocupava incessantemente com alguém, a rotina continuava a girar como uma engrenagem.
Jang Jin-woo disse para irem começando e colocou o celular de volta na mesa.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello