Acidic Scent (Novel) - Capítulo 189
CAPÍTULO 189
— Como sei que o senhor está ocupado, não vou me prolongar. Encontrei uma pista sobre o pesquisador Yuk Sang-woo, mas preciso de um pouco do poder público.
— Sim, diga.
A voz de Kim Marvin continuava a chegar aos seus ouvidos enquanto explicava calmamente. Como um estudante que realizara a tarefa com dedicação, ele se divertia ao compartilhar os resultados alcançados ao longo daqueles dias.
Como quem aprecia uma música agradável aos ouvidos, Jang Jin-woo fechou os olhos. Em seguida, levou lentamente à boca o cigarro preso entre os dedos da mão caída.
O conteúdo não entrava direito em sua cabeça. Apenas imaginava a figura de Kim Marvin caminhando e falando ao telefone consigo agora, em algum lugar do centro de Seul.
Como estava frio, deveria estar vestindo roupas grossas. Com a franja caída ou usando um boné. Todo coberto de preto e desviando das câmeras de segurança, ele raramente chamaria a atenção.
Ainda assim, haveria uma ou duas pessoas que olhariam para trás sem querer. A primeira impressão era parecida para qualquer um. Um traje lamentável se comparado à aparência deslumbrante. Um homem com uma atmosfera única que, ao olhar de perto, não parecia um cidadão comum.
O gerente de hotel que guardava muitos segredos para si. Um estranho. E o ômega que entrara no heat.
Aquele que o fez se importar com a situação de outra pessoa pela primeira vez acabou, no fim, fazendo-o manobrar o próprio carro após terminar as investigações até de madrugada na Delegacia de Polícia de Oseong.
Ter levado uma hora para finalmente encontrá-lo caído no banco do motorista em estado incapacitado também não fora por compaixão ou amor à humanidade.
Que ridículo.
Só agora vinha esse tipo de pensamento. Se soubesse desde o início que não era um vínculo que se podia simplesmente deixar passar, a situação estaria diferente agora?
Não se arrependia de ter percebido tarde. Isso era algo inevitável até para si.
Apenas achava uma pena. Porque, mesmo naquela época, o tempo de Kim Marvin já estava derretendo. Achava lamentável a si mesmo por ter sido presunçoso, dizendo que faria uma vingança tranquila por ele.
— …Por isso. Se for possível, gostaria que verificasse o histórico de transações financeiras. Também tenho curiosidade em saber de onde veio, caso haja algum lugar por onde tenha entrado uma grande quantia de dinheiro.
Do outro lado da linha, a explicação de Kim Marvin ainda continuava. Ele suspeitava do irmão caçula do pesquisador Yuk Sang-woo. Sendo irmãos com um afeto tão bom a ponto de dividirem bens, era estranho que não tivesse sequer feito uma denúncia pelo desaparecimento do irmão mais velho e continuasse apenas fingindo não saber.
— Entendi. Vou verificar e enviar, então aguarde um pouco.
Embora tenha falado assim, não era uma tarefa fácil. Olhar as informações pessoais de um civil não seria possível apenas com simples suspeitas e circunstâncias. No entanto, Jang Jin-woo aceitou prontamente, sem grandes hesitações.
— Obrigado. Também gostaria que puxasse o histórico de chamadas.
Tratou disso como se não houvesse problemas também, atendendo ao pedido.
— Certo. Vou puxar.
— …Aproveitando o embalo, dê uma olhada nos registros de entrada e saída do país também. Gostaria de saber se ele esteve na Suíça depois disso ou não.
— Vou solicitar ao Ministério da Justiça.
— Promotor.
— O quê?
Um silêncio se fez. Como se a música agradável tivesse sido desligada sem aviso prévio, os olhos fechados de Jang Jin-woo se abriram lentamente.
Kim Marvin soltou um curto suspiro.
— O senhor não está prestando atenção em nada do que estou dizendo.
— Imagina. Não estou perdendo uma única partícula, uma única terminação verbal.
— Então por que nem sequer diz que é um pedido absurdo? Não parece o promotor. Uma fala dizendo que esse tipo de coisa é difícil na realidade já deveria ter saído há muito tempo. O senhor não dizia que separava estritamente o público do privado?
Desde há pouco, parecia ter percebido com sensibilidade a sua reação que parecia vazia. Vendo-o aceitar até mesmo pedidos sem pé nem cabeça, parecia tê-lo testado para ver até onde isso iria.
Pudera, era uma pessoa fundamentalmente diferente de quaisquer outros estúpidos.
O cigarro de Jang Jin-woo, bastante encurtado, queimou sua última chama. Olhando a fumaça se espalhar, Jang Jin-woo deu uma risada de deboche.
— Que público e privado o quê. Não existe nada disso. Basta solicitar um mandado. Se não der, ativo até o direito de investigação de emergência, então diga o que você precisa, Kim Marvin.
— Direito de investigação de emergência? O que é isso? É a primeira vez que ouço falar.
Era natural. Um promotor não tinha tal autoridade.
No entanto, o importante não era a presença ou ausência de tal autoridade. Queria atender a tudo o que Kim Marvin desejasse, mesmo que usasse atalhos. Status social, reputação, desvantagens profissionais que pudessem lhe sobrevir no futuro… tudo parecia insignificante diante dele.
— Não precisa se preocupar com isso. Se houver algo mais que queira, diga.
Ficou curioso se ele não precisava de dinheiro. Cartão de crédito, dinheiro vivo, carro. Havia muitas coisas que podia oferecer, mas ele não pedia nada. Se a boa vontade material fosse um fardo, não se importava que fosse outra coisa. Se pudesse, queria entregar até o próprio fígado ou a vesícula.
“Não deve precisar.”
Ser doloroso por ter tão pouco a oferecer era puramente uma questão sua. Kim Marvin era uma pessoa que não desejava muito. Por isso, as pessoas mexiam facilmente com ele. Ficavam tentando tirar a pequena parte dele e, quando ficavam em desvantagem, o descartavam e desviavam o olhar. O resultado atual gerado por esses egoísmos era cruel demais.
— O senhor está meio estranho hoje. Aconteceu alguma coisa?
A voz de Kim Marvin, que estava mais do que alegre, recuperou a calma a essa altura. Não era qualquer um, era Jang Jin-woo. Kim Marvin não era insensível a ponto de não conseguir distinguir o estado do seu parceiro de marcação com quem compartilhara o coração.
— Não aconteceu nada. Eu não sou muito normal no dia a dia mesmo. Não se preocupe. Eu cuido de tudo por conta própria.
— O que o senhor vai cuidar por conta própria?
Ele não deixou passar batido essa última frase que, de alguma forma, saiu do fluxo da conversa.
— Qualquer coisa.
Transmitiu a sinceridade de que, fosse o que fosse, ele mesmo carregaria tudo, para que não sofresse mais sozinho.
Foi uma frase curta, mas, talvez por ter sentido o peso dela, Kim Marvin ficou sem responder por um tempo. Se ele entendeu, ótimo, mas se não, não importava.
Jang Jin-woo tinha uma ordem de prioridades clara. Agora, planejava preparar algumas coisas para o homem que ocupava o topo mais alto daquele lugar. E, me desculpe, mas ao menos quanto a este assunto, não daria a ele o direito de escolha.
De repente, pensou que fora uma sorte ter percebido o estado de Kim Marvin primeiro. Caso contrário, talvez ele tentasse se afastar de seu lado mais uma vez. Jang Jin-woo, que encontrou uma forma de se consolar mesmo na pior das situações, deu um sorriso amargo.
Sacudiu o cigarro que queimara todo até virar cinzas e ergueu o corpo que estava encostado. A luz do sol da tarde, que já começara a se pôr, derramava-se para dentro do veículo estacionado.
É até aqui. Como o tempo concedido era pouco, não tinha o luxo de se deixar levar pelo sentimentalismo. Jang Jin-woo abriu a porta do veículo, entrou e deu a partida. O motor, que emitia um som áspero, preparou-se para um novo arranque.
Segurando em silêncio o smartphone que ficara calado após o fim da chamada, Kim Marvin se pegou pensando por um momento.
Realmente havia algo de estranho. Havia algo oculto bem no fundo do afeto dele. E aquilo, de qualquer forma, estava deixando Jang Jin-woo ansioso.
Nunca tinha sentido esse tipo de sensação vindo dele. Era uma pessoa que não perdia o próprio ritmo sob nenhuma circunstância. No entanto, ele do outro lado da linha parecia oco, como alguém que tivesse deixado tudo de si jogado em algum lugar. Chegara ao ponto de tratar com insignificância até os valores que mantivera até agora.
Era certo que algo mudara dentro de Jang Jin-woo, mas não conseguia descobrir a identidade dessa mudança. Sua fala de que cuidaria de tudo por conta própria provavelmente também estava ligada a essa transformação.
Como leu a intenção de que ele não contaria, não ligou de novo. De qualquer forma, não ajudaria. Kim Marvin decidiu confiar na promessa que fizera com ele de darem o melhor de si em seus respectivos lugares e esperar.
E a realidade daquilo se revelou dois dias depois.
26 de novembro. Estação de Seul.
[A partir de agora, não deve nutrir qualquer dúvida sobre a situação que vai se desenrolar.]
[Me desculpe. Vou te explicar mais tarde as circunstâncias de não ter havido outra escolha a não ser fazer assim, então por enquanto confie em mim.]
Kim Marvin conferiu mais uma vez as mensagens que recebeu de Jang Jin-woo como se as gravasse no cérebro e enfiou o celular no bolso.
Ele atravessou a barulhenta sala de espera e entrou em uma lanchonete de fast-food. E comprou um combo de hambúrguer com a intenção de comer dentro do trem.
Ao lado de Kim Marvin, que caminhava a passos pesados segurando o saco de papel com o hambúrguer, um grande display transmitia o jornal na TV. Não dava para ouvir o som, mas o nível de concentração dos cidadãos sentados nas cadeiras era alto. Pessoas que esperavam seus acompanhantes de longe também olhavam para a tela, de relance.
Na parte inferior, uma grande manchete corria em letreiro:
“Byun Jeong-hoon, ex-vice-promotor-chefe da Promotoria-Geral, faz declarações bombásticas em sequência. Os 2,8 trilhões de won jogados fora pela Operação Maxona: o próprio Presidente deve se explicar.”
“Serviço de Informações de Segurança entra em estado de emergência. O partido de oposição que vazou segredos de Estado de Nível 1 deverá arcar com as devidas responsabilidades. Sobre o agente de campo A, que teve a classe alterada, silêncio absoluto até o fim.”
Kim Marvin puxou o boné de beisebol bem para baixo e passou rapidamente ao lado.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello