Acidic Scent (Novel) - Capítulo 181
CAPÍTULO 181
O quarto de hotel escuro estava saturado com o cheiro azedo de álcool. A secretária Park Sang-hee abriu a porta com a chave-mestra fornecida pelo funcionário e escancarou as cortinas da sala de estar da suíte. Com o aumento repentino da luminosidade, algo se contorceu no canto do sofá.
Franzindo a testa, a secretária Park Sang-hee desviou rapidamente o olhar e falou:
— O pessoal da promotoria virá amanhã. Vá, preste depoimento e volte. Aproveite que estará lá e faça um exame toxicológico também.
Ouvindo-se um bocejo, não dava para saber se ele tinha acabou de acordar ou se passara a noite em claro. Hong Kyung-wook reclinou a cabeça sobre o encosto do sofá e olhou para Park Sang-hee de ponta-cabeça.
— Ir por conta própria? Mas eu não uso drogas. Você sabe.
Park Sang-hee, que mantinha o olhar fixo fora da janela, baixou ligeiramente a cabeça para encarar ele. Felizmente, ele estava vestido e, ao contrário do habitual, não parecia haver nenhum visitante indesejado com a cabeça enterrada entre suas pernas.
Ainda assim, não dava para relaxar totalmente. Afinal, quem sabia se não havia mais alguém jogado pelado dentro daquele quarto? Ele era o tipo de sujeito capaz de organizar uma orgia sob o pretexto de aliviar o estresse. Não seria a primeira nem a segunda vez que ela presenciava aquilo.
— E eu nunca manipulei ações nem recebi favores sexuais. Foram elas que vieram primeiro e abriram as pernas. Só não entendo por que todo mundo está enchendo a porra do meu saco.
Hong Kyung-wook olhava para Park Sang-hee com um sorriso no rosto. A tez estava pálida e o olhar, opaco e turvo. Vendo o copo de bebida em sua mão, ficava claro que ele não tinha acabado de acordar, mas sim passado a noite em claro.
— É exatamente por isso. Vá lá, faça os exames e limpe seu nome de vez.
Ela falou isso, mas sabia que não seria nada fácil. Mesmo que ele não usasse drogas ilícitas, estava sempre encharcado de todo tipo de medicamento controlado. Se pegassem qualquer ponta de agulha, não deixariam passar barato. Sabendo disso, era óbvio por que a ordem de cima fora para ele se apresentar voluntariamente.
— Parece que alguém está determinado a me ferrar, mas é tudo balela. Eu não sou tão descuidado assim. Posso ser um desgraçado, mas não cometi nenhum crime perante a lei. As coisas decisivas eu desviei de todas.
— Sim. Que sorte a sua.
Respondendo com desdém, Park Sang-hee colocou a bolsa que trouxera sobre a mesa e começou a mexer no interior. Nesse meio-tempo, Hong Kyung-wook tomou um gole de bebida. O som do líquido descendo ruidosamente pela garganta dele podia ser ouvido de forma nítida. Em seguida, largou o copo de qualquer jeito, limpou a boca com a manga e perguntou:
— O que o meu pai disse?
Park Sang-hee, que estava curvada para pegar algo na bolsa, apenas virou o rosto para olhar para ele. Com as sobrancelhas levemente arqueadas, ela respondeu:
— Ele não fez nenhuma menção específica.
— …….
Em seguida, ela se ergueu novamente. Em suas mãos havia uma pasta de documentos.
Uma semana atrás, o presidente emitira uma breve declaração pública pedindo desculpas à nação pelo tumulto causado por seu filho, afirmando que deixaria as investigações correrem de acordo com a lei. Imediatamente a promotoria se movimentou, e a equipe de assessoria também começou a traçar a estratégia de resposta.
— Nenhuma menção, é?… Ele deve ter mandado você dizer exatamente isso, não é? Mas vendo que a secretária veio até aqui pessoalmente, parece que ele mandou você resolver essa pica. Quem é o promotor encarregado? Não quero ninguém muito velho.
— Não sei dizer. Fui enviada pelo chefe de gabinete. As indicações para a campanha vão começar em breve, e ele disse que não podemos deixar que notícias inúteis engulam o debate. Ele pediu para encerrar isso o mais rápido possível.
— …….
Haha.
Após um breve silêncio, Hong Kyung-wook soltou uma risada debochada.
— Puta merda, vocês dois são sempre tão iguais… Tratam a gente que nem bosta.
Havia raiva impregnada naquela voz murmurada, por isso Park Sang-hee esperou um momento. Ela ouvira dizer que o presidente comentara superficialmente que assumiria a vergonha da família por conta própria e que eles deveriam se concentrar nas eleições gerais, mas achou que não havia necessidade de repassar aquilo.
Como não houve mais palavras, Park Sang-hee entregou prontamente os documentos que segurava para Hong Kyung-wook. Ela queria acabar com aquilo logo.
— Este é o manual de resposta. Leia com atenção e siga exatamente como está aí. Especialmente sobre o inibidor permanente, não dê nem um piu. Amanhã, pessoal do gabinete de assuntos civis também virá para dar as diretrizes sobre a investigação da promotoria, mas não importa o que eles digam, a direção que fornecemos tem prioridade. Aja com sensatez.
— O que é isso? Estamos todos servindo à mesma pessoa, por que diabos fazer segredos? Por acaso os outros não sabem da história dos 2,8 trilhões de won perdidos pelo gabinete?
— …….
Desta vez foi ela quem se calou. Park Sang-hee pressionou os lábios no centro e desviou o olhar. Era a expressão que ela sempre fazia quando recebia uma pergunta que ultrapassava sua autoridade. Hong Kyung-wook deu uma risadinha debochada, como se já soubesse.
— Ultimamente tenho pensado nisso. É como se eu tivesse me tornado um refém, entende?
Ele colocou o copo sobre a mesa e ajeitou a postura.
— O caso do Hyung-jun também. Eu implorei para tirarem ele de lá, mas ele continua mofando sem conseguir sair. O advogado de merda que a secretária me indicou só cobrou uma fortuna do caralho e não serve para porra nenhuma.
— É a decisão do judiciário, o que podemos fazer?
Diante da resposta de Park Sang-hee, Hong Kyung-wook soltou uma risada seca.
— Puta que pariu, para dar desculpa você é boa pra caralho.
Hong Kyung-wook jogou os documentos que recebera sobre a mesa. As folhas dentro da pasta se soltaram e se espalharam pelo carpete.
Com uma expressão cansada, Park Sang-hee esfregou o canto dos olhos. No entanto, não disse mais nada. Apenas suspirou e começou a recolher os papéis caídos. Após juntá-los com um estalo seco, os documentos reorganizados foram colocados novamente diante dos olhos de Hong Kyung-wook.
— Como sempre digo, eu apenas transmito as ordens. Aceitar ou não fica a critério do senhor, representante Hong.
Significava que atacar o mensageiro não mudaria a mensagem. Park Sang-hee fez uma breve reverência, indicando que seu trabalho ali estava encerrado, e se virou para sair. Foi quando Hong Kyung-wook se levantou subitamente e se aproximou.
— Beleza. Entendi. Vou memorizar essa porra e acabar logo com isso. Em troca…
O olhar de Park Sang-hee, que estava direcionado à porta de saída, voltou-se de relance para Hong Kyung-wook. Na mão dele havia um celular.
— Você não pode dar um jeito nesse cara para mim?
Ao olhar desatentamente para a tela do celular estendido por ele, Park Sang-hee franziu profundamente a testa. Na tela havia a foto de alguém severamente espancado e uma linha de mensagem:
[4/6]
Ela olhou para Hong Kyung-wook com uma expressão de “o que é isso?”.
— É ele. Aquele desgraçado daquele agente ômega. Há um mês ele fica me mandando essas coisas, isso é chantagem. Eu ando sem dormir direito ultimamente e estou super sensível. Não quero ver isso, manda ele parar com essa porra.
Embora falasse num tom meio brincalhão, a expressão de Hong Kyung-wook estava estranhamente travada.
Uma das sobrancelhas de Park Sang-hee se ergueu lentamente. Ela observou em silêncio o quarto de hotel silencioso. Mesmo para ele, seria normal ter pelo menos uma pessoa ao lado… Para alguém cujo passatempo era fazer orgias, estava calmo demais. Não se ouvia nenhum sinal de vida vindo do quarto ao lado, que estava levemente entreaberto.
Ele está realmente sozinho?
Os seguranças que o acompanhavam diariamente também não estavam em lugar nenhum. Todos haviam sumido. Ela tinha ouvido boatos de que a fonte de dinheiro dele fora cortada e que ele estava vivendo como um mendigo, mas achou que fosse metade brincadeira…
Como se tivesse percebido algo, Park Sang-hee curvou levemente os cantos da boca. Agora ela entendia por que ele não dava um passo para fora e se trancara ali. Parece que, com o sumiço de todos os seus capangas, ele ficara com medo.
Uma brincadeira maldosa lhe veio à mente.
— Faça isso você mesmo. Parece que ele virá ao seu encontro em breve.
Park Sang-hee deu um sorriso como quem deseja boa sorte e saiu do quarto. Por algum motivo, o corredor atrás dela permaneceu em silêncio. Em situações normais, um “Ei, sua cadela do caralho!” teria saído imediatamente, mas parece que ele finalmente adquiriu um pouco de capacidade de entender a situação.
Filho da puta imprestável.
Após entrar no elevador, ela apertou o botão do segundo subsolo. Se pudesse, simplesmente fingiria que não viu nada, mas como funcionária pública, não tinha escolha. Enquanto descia, pegou o celular de trabalho.
— Sim, acabei de entregar. Acho que vocês deveriam mandar alguns homens da segurança para cá.
O chefe de gabinete não fez maiores perguntas e apenas desligou após confirmar que enviaria a equipe. Park Sang-hee também checou as horas calmamente e desceu para o estacionamento pensando em ir almoçar. Apenas desejava não ter que fazer tanto trabalho de campo.
>19 de novembro. Tribunal do Distrito Central de Seul.<
A plateia estava lotada, mas o julgamento prosseguiu sem sobressaltos. Não houve tumultos especiais nem incidentes que pudessem virar notícia. O juiz proferiu a sentença rapidamente, sem surpresas. Go Hyung-jun teve a pena de 13 anos confirmada, a mesma da primeira instância.
— Ah, puta que pariu! Por que isso só acontece comigo?!
Sentado no banco dos réus, Go Hyung-jun gritou furioso. Mas foi só isso. Ninguém deu a mínima para ele. Seus gritos foram prontamente contidos pelos carcereiros, e todas as autoridades presentes no tribunal recolheram suas coisas e se levantaram. O mesmo aconteceu com os promotores sentados em bancada.
— Bom trabalho, subprocurador.
— Bom trabalho a todos.
Embora os promotores da equipe especial de investigação desmontada não tivessem a obrigação de comparecer ao tribunal, todos permaneceram na bancada em apoio ao subprocurador Shin Chang-ik, que ficaria sozinho.
Jang Jin-woo também estava presente. Ele se tornara uma figura desconfortável entre eles, mas não se importava. A organização nunca fora receptiva com ele, então não havia nada de novo nisso; ele apenas queria saber o resultado do julgamento.
Entre os que saíam devagar conversando, Jang Jin-woo se afastou sozinho e foi em direção às cadeiras do público. Ele se aproximou de uma mulher na casa dos 20 anos que vinha observando há algum tempo.
Ela acabara de se levantar. Com o celular de tela acesa sobre o assento ao lado, a mulher vestia o casaco sem perceber que alguém se aproximava. No momento em que ela terminou de se vestir e pegou o aparelho novamente, Jang Jin-woo se colocou à sua frente, bloqueando a passagem.
Assustada, a mulher ergueu o rosto.
— Quem é você?
— Você está gravando a sessão no celular desde mais cedo, não está?
— O quê?
A mulher piscou os olhos arregalados como um coelho. Como ele disse, era verdade que ela mexeu no celular durante todo o julgamento. Vendo-a sem saber o que fazer, Jang Jin-woo continuou com a explicação:
— Gravações de áudio ou vídeo são estritamente proibidas no tribunal. Por favor, venha comigo, apresente seu documento de identidade, entregue o aparelho e preste esclarecimentos.
— Não, não é isso…
A mulher ficou vermelha de embaraço. Hesitante, ela perguntou cautelosamente:
— Isso… vai dar multa?
— Dependendo do caso.
— Q-Quanto? Eu só estou fazendo um bico… Não estou gravando nada. Só me mandaram deixar a chamada ligada…
Jang Jin-woo franziu o cenho. Sem entender o que ela queria dizer, pegou o celular da mão dela. De fato, ao olhar para a tela, não era uma gravação, mas sim uma chamada em andamento. Parecia que alguém contratara uma cidadã comum para acompanhar o julgamento.
Jang Jin-woo sentiu uma estranha sensação de desconforto. Ele colocou o celular da mulher no ouvido, mas não ouviu nada.
— Aqui é o promotor Jang Jin-woo, da 3ª Vara Criminal do Distrito de Seul. Quem fala?
— …….
O outro lado permaneceu em silêncio. Era evidente que estava ouvindo, mas parecia relutante em falar. Jang Jin-woo exigiu mais uma vez que a pessoa se identificasse.
— Qualquer gravação ou escuta no tribunal é proibida. Não complique a vida de uma pessoa inocente e identifique-se diretamente.
Do outro lado da linha, ouviu-se o som de uma respiração. Curta, mas com uma sensação familiar.
— …Sou eu. Quanto tempo, promotor.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello