Acidic Scent (Novel) - Capítulo 171
CAPÍTULO 171
Tomado pelo pavor, Hong Gyeong-uk gritou desesperado:
— Ei, peguem as armas! Atirem nele… *khup!*
Sua garganta pisoteada parecia prestes a jorrar sangue. Ele fazia de tudo para tentar se libertar, mas suas vias aéreas se estrangulavam cada vez mais.
“Não faz sentido. Com tantas pessoas aqui, como ele consegue tão facilmente…”
Seu corpo, que esperneava, começou a perder as forças gradativamente. Quando pensou que seria o fim, de repente um tiro ecoou e faíscas saltaram diante de seus olhos. Um dos seguranças particulares de Hong Gyeong-uk disparara contra Marvin.
Marvin recuou um passo apertando o próprio ombro. Aproveitando a brecha, Hong Gyeong-uk levantou-se rapidamente e berrou para o seu segurança:
— Atire de novo! Continua atirando! Ei, ele está vindo de novo. Atira logo, porra!
Escondido atrás de um colchão, Hong Gyeong-uk jogava qualquer objeto ao seu alcance na direção de Marvin. Nesse meio-tempo, outro sujeito avançou, mas teve o braço quebrado para trás e rolou pelo chão. Percebendo que não daria certo, Hong Gyeong-uk tomou a arma do segurança e disparou ele mesmo.
*Bang, bang, bang!*
Disparou três vezes, mas nada aconteceu. Marvin avançava em um combate corpo a corpo, encurtando cada vez mais a distância em relação a Hong Gyeong-uk.
— O que é isso?!
Hong Gyeong-uk franziu o cenho examinando a boca do cano. Disseram que munição real era difícil de conseguir, então aqueles imprestáveis pareciam ter trazido munição de festim.
Atirando longe a arma inútil, Hong Gyeong-uk olhou ao redor do depósito. Isso. Tinha aquilo. Como se tivesse tido uma excelente ideia, ele correu em direção a Woo Hyeon-woo. Em seguida, pegou uma faca derrubada por alguém e encostou-a no pescoço de Woo Hyeon-woo.
— Se der mais um passo, eu acabo com esse desgraçado!
Só então os passos de Marvin pararam bruscamente. Ele limpou a mão suja de sangue vivo e encarou Hong Gyeong-uk fixamente. Porém, não conseguiu tomar nenhuma atitude de imediato.
A certeza de ter capturado uma fraqueza fez o êxtase florescer no rosto de Hong Gyeong-uk.
— Isso, primeiro se acalme. Vou liberar os dois, então fique parado.
Mantendo a faca empunhada, Hong Gyeong-uk se levantou arrastando Woo Hyeon-woo. Em seguida, virou o corpo de mansinho na direção da saída. Marvin também mudou de posição acompanhando-o. Observava atentamente Hong Gyeong-uk, que recuava aos poucos para garantir uma rota de fuga.
Hong Gyeong-uk suava frio involuntariamente diante daquela situação imprevisível.
— Ha… Esse desgraçado maluco. É uma verdadeira arma humana, né? Tá bom, eu admito. Eu subestimei demais o poder militar da Coreia do Sul. Afinal de contas, meu pai é o comandante supremo das Forças Armadas, é claro que você tinha que ser desse nível. Ei, fala alguma coisa. Pede para ele te deixar vivo.
Hong Gyeong-uk balançou Woo Hyeon-woo como se o mandasse convencer Marvin. Com o rosto terrivelmente inchado, Woo Hyeon-woo apenas contorceu os lábios sem saber o que fazer.
Por um instante, uma preocupação cruzou os olhos de Marvin, até então semelhantes aos de um soldado sem emoções.
— Está tudo bem.
Marvin tranquilizou Woo Hyeon-woo, fazendo um sinal com a mão para que ele viesse em sua direção. Ao mesmo tempo, encarou o rosto de Hong Gyeong-uk. O recado era claro: libertaria todos em paz se entregasse Woo Hyeon-woo.
Hong Gyeong-uk passou a língua pelos lábios ressecados e afastou ligeiramente a faca do pescoço de Woo Hyeon-woo. O mais importante no momento era que ele próprio saísse dali ileso.
Piscando com dificuldade os olhos mal abertos, Woo Hyeon-woo aproximou-se de Marvin. Marvin usou a voz para guiá-lo e evitar que perdesse o rumo:
— Muito bem. Continue caminhando devagar…
No instante em que pareceu que tinham conseguido, a expressão de Marvin congelou. Baixando a cabeça devagar, ele franziu o cenho. O sangue escorria de sua cintura. Um dos guardas caído no chão o esfaqueara.
— …
Até mesmo o sujeito que esfaqueara ficou olhando abobado, em dúvida, sem dar nenhum ataque subsequente.
O problema veio a seguir. De repente, vários homens avançaram gritando. Ao verem o homem considerado imbatível ser ferido, todos iniciaram um ataque simultâneo.
— É agora!
— Peguem ele!
A lógica era avançar em bando para ver o que ele faria. Com os olhos arregalados de frenesi, Hong Gyeong-uk os incentivou como se fosse exatamente aquilo que queria:
— Isso, muito bem! Matem de qualquer jeito! Se não matarem esse desgraçado aqui e agora, ele vai perseguir vocês até o fim do inferno! Eu dou 100 milhões para quem cortar o pescoço dele! Entenderam? Ouviram?
Enquanto gritava, ele próprio abandonou o depósito às pressas junto de seus seguranças. Não se importava com o destino dos que ficavam.
Seria por já terem visto sangue? Ou seria porque o dinheiro de Hong Gyeong-uk estimulara a coragem deles? Logo a situação se transformou em um caos incontrolável. Todos avançavam e caíam repetidamente, como se estivessem coletivamente embriagados por algo.
Não havia uma única pessoa inteira. Nas duas mãos de Marvin, a essa altura, estava empunhada a estrutura metálica de uma cama. Sozinho e coberto de sangue, ele continuava golpeando sem parar aqueles que investiam contra ele e Woo Hyeon-woo.
Porém, os limites se aproximavam. Na prática, era impossível para uma pessoa ferida dar conta de cinco sozinha. Quando ele golpeava a cabeça do homem à frente, outro o sufocava pelo pescoço. Girava o corpo para abrir espaço e chutava o abdômen do adversário.
— Porra, morre!
No instante em que puxava o ar arfante, alguém avançou segurando uma faca. Marvin intuiu: não conseguiria desviar daquele golpe. Estava preparado para sentir as vísceras cortadas pelo metal afiado, mas, surpreendentemente, algo macio o tocou.
— …
Estranho. O sangue jorrava como uma cascata, mas não era o seu. O adversário cheio de sede de sangue continuava cravando a faca, e o som da pele rasgando completamente podia ser ouvido. No entanto… não sentia dor alguma.
*Ah…*
Não levou muito tempo para compreender que alguém se colocara à sua frente para bloqueá-lo.
— Porra! Seu porra!
O adversário também estava meio fora de si. Sem sequer saber quem estava esfaqueando, atacava sem sentido com as mãos empapadas de sangue.
Marvin segurou a lâmina da faca com as mãos nua. Fez tanta força que nem sentiu a carne ser cortada.
— Chega…
— *Hu…*
O último suspiro escapava da boca de Woo Hyeon-woo, que fora retalhado em seu lugar. A voz de Marvin, coberto pelo sangue dele, tremeu:
— Pare, por favor…
“Ele está sentindo dor.”
Só então o sujeito percebeu o que fizera e recuou assustado.
— O… o quê?
— *Haa… Haa…*
Estava difícil respirar. Marvin rangeu os dentes com força, tentando não perder a consciência. Foi por volta daquele momento que os movimentos de Woo Hyeon-woo, que borbulhava vomitando sangue, cessaram por completo.
A respiração de Marvin estremeceu forte mais uma vez. O som dos sinos da catedral que ouvira dias atrás ressoou fracamente em sua cabeça. A realidade era tão cruel que agora não tinha mais coragem de encará-la.
“O que eu fiz de tão errado? O que eu…”
Naquele momento, um comunicado ecoou pelo sistema de som do hotel. Era uma ordem da polícia dizendo que houvera uma denúncia de agressão e que todos deveriam permanecer onde estavam. Pelo alto-falante, o som de sirenes se sobrepunha. O tumulto do lado de fora chegava intacto, mas Marvin nem se mexeu.
Os que ainda respiravam fugiram rastejando. O comunicado continuava a ressoar, repetindo que evitassem deslocamentos desnecessários até a transferência pela polícia. Por entre o tom mecânico da voz, ouvia-se o som dos passos daqueles que fugiam do depósito subindo as escadas de emergência.
Marvin sabia muito bem que lhe restavam apenas alguns segundos do tempo de despedida concedido.
Não sabia o que dizer. Queria ficar bravo e perguntar por que fizera aquilo, mas com certeza só receberia de volta sermões dele o repreendendo.
O sangue estava espalhado por todo o depósito. Viu o hambúrguer rolando pelo chão e um boné caído debaixo da cama. No instante em que identificou a frase bordada na parte externa do boné, um riso amargo e lágrimas se misturaram e escorreram.
*I love Zurich.*
Lembrou-se de como o repreendera perguntando por que gastava dinheiro comprando aquilo, para no fim o rapaz acabar pegando emprestado de qualquer jeito.
— *Veterano. Usando um boné de turista desses com terno, você parece meio louco.*
Junto com a voz dele zumbindo em seus ouvidos, o comunicado ressoou mais uma vez. Com os olhos sem foco, Marvin levantou-se do lugar. Em seguida, despediu-se de Woo Hyeon-woo pela última vez, murmurando como se falasse sozinho:
— É, você está coberto de razão.
Marvin deitou suavemente no chão o corpo de Woo Hyeon-woo, que já havia falecido, e fechou seus olhos. Não tinha coragem de dizer “sinto muito” agora.
Precisava gravar os rostos na memória antes de esquecer. O homem que segurava a sacola de hambúrguer. O homem que se aproximara para revistá-lo. O segurança que atirara. Os que seguraram seus braços e o sujeito que esfaqueara Hyeon-woo. E Hong Gyeong-uk.
Marvin apanhou o boné, colocou-o na cabeça e saiu do depósito como um fantasma, abrindo a porta de emergência. Ao mesmo tempo, o som dos passos dos policiais ressoou, indicando que o elevador chegara.
“Porra.”
Rangendo os dentes, Marvin subiu as escadas em disparada, como se saltasse.
Passando por Yongsan, mais uma viatura policial colou em seu encalço. Ainda assim, ter suportado por 30 minutos significava que se saíra bastante bem. Havia 70 mil câmeras de segurança instaladas apenas nas vias da cidade de Seul. Despistar a perseguição era quase impossível.
14h00. Cinco viaturas policiais perseguiam o carro de Marvin com as sirenes ligadas. Os carros que passavam acabavam gerando congestionamento enquanto os motoristas curioavam para ver o que estava acontecendo.
Não podia ser pego agora.
Se fosse pego, não conseguiria fazer nada.
Marvin estercou o volante em direção à ponte Hannam. Era um plano que queria evitar até o fim, se possível, mas não havia outra alternativa. Nunca esquecera as palavras do instrutor de treinamento, que dizia que no instante em que lamentasse pela própria vida, você seria o primeiro a morrer. Se aquilo funcionaria desta vez também, era uma incógnita.
— *Veículo 2409, pare a marcha. Pare o veículo. 2409.*
O som do megafone veio de trás. No mesmo instante, uma viatura policial que vinha no sentido oposto cruzou a linha central e bloqueou o caminho de Marvin. Ele se desviou por uma fração de segundo, mas viu outra viatura se aproximando. A faixa ao lado também estava emparelhada.
Duas viaturas policiais pressionaram o carro de Marvin simultaneamente. E logo o veículo que vinha na contramão se juntou a eles, cercando o carro de Marvin. Não dava mais para acelerar. Com um canto ensurdecedor de pneus, Marvin pisou no freio e parou o carro no acostamento da ponte Hannam.
A perseguição em pleno luz do dia chegara ao fim.
— *Jogue as armas e saia do veículo!*
Talvez por causa de depoimentos sobre tiros ouvidos, os policiais cercaram o carro de Marvin apontando suas armas. Cercado num piscar de olhos, Marvin soltou o cinto de segurança e saiu devagar. Parou de costas para eles, encarando o rio Han.
— *Mãos para cima!*
Os policiais se aproximaram devagar, pressionando Marvin.
Naquele momento, um carro parou bruscamente no local cantando pneu. A porta se abriu e logo várias pessoas desceram em bando.
— É a Promotoria. Recuem!
— Apenas preparem-se para atirar e recuem!
Ouviram-se vozes que interrompiam a cena para assumir o controle arbitrariamente, acompanhadas pelo som de passos apressados de sapatos de couro aproximando-se.
Mesmo sem olhar para trás, ele saberia quem era. Não conseguia sentir o perfume dele nem qualquer feromônio, mas simplesmente sabia.
— Kim Marvin!
O homem ultrapassou a fita isolante da polícia e virou o ombro de Marvin sem pedir licença. A expressão estampada em seu rosto ao encararem-se era dolorosamente contorcida, muito além do que Marvin pudesse ter imaginado.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello