Acidic Scent (Novel) - Capítulo 136
CAPÍTULO 136
O avião que chegou ao aeroporto de Incheon expulsou rapidamente os passageiros. A diferença das pessoas que se apressavam em massa em direção ao controle de imigração como se estivessem competindo entre si, Marvin dirigiu-se tranquilamente ao banheiro. Lá, trocou seu passaporte. Passaram-se várias dezenas de minutos esperando naquele mesmo lugar. Finalmente, após receber a mensagem de Woo Hyun-woo avisando que já tinha chegado, saiu lentamente para o exterior.
Pouco depois, pôde-se ver três ou quatro homens vestidos com ternos pretos saindo pela porta e caminhando. Marvin misturou-se com naturalidade entre eles e caminhou junto ao grupo.
A diferença dos passageiros comuns, eles se dirigiram ao controle exclusivo para pessoal autorizado. Era um local dentro do setor de imigração onde um funcionário abria um guichê para realizar a verificação.
Talvez porque tivessem chegado vários voos seguidos, a zona de controle migratório estava lotada de turistas e cidadãos nacionais. Marvin colou-se muito perto do homem de meia-idade que parecia o mais velho do grupo de ternos. Justo antes de chegar à fila, acelerou o passo e adiantou-se de repente por um passo.
— Ah, passe o senhor primeiro.
Marvin recuou com uma expressão de quem tinha cometido um erro sem querer.
O homem levantou a cabeça, perguntando-se quem era esse cara que lhe tinha tirado o lugar na fila no último momento. Mas não lhe parecia um rosto familiar. Não querendo parecer um velho ranzinza que se incomoda por uma simples fila, fingiu generosidade e colocou-se atrás.
— Sem problemas. O senhor estava na frente, então vá em frente.
Como já havia um grupo de tripulantes sendo checado, ali também era preciso esperar a vez. Marvin esboçou um sorriso envergonhado, como se realmente não tivesse a intenção de furar a fila.
— Passei tantos dias aguentando pessoas me cortando na fila que meu corpo simplesmente se adiantou sem eu perceber.
Marvin murmurou como se fosse daqueles que só se sentem mais tranquilos depois de dar alguma explicação. O homem, que o observava em silêncio, perguntou-lhe de onde vinha. Quando Marvin disse o nome do país, o homem assentiu como se entendesse.
— Lá é um pouco complicado, não é?
Marvin também sorriu levemente em sinal de concordância. Houve um breve silêncio incômodo.
— Viaja muito pelo sul da Ásia?
Entediado pela espera, o homem voltou a puxar conversa. Já tinha notado o passaporte vermelho de funcionário diplomático que Marvin segurava na mão. Marvin girou o corpo com certa ambiguidade e respondeu.
— Sim.
— Trabalha com comércio?
— Sim. Fui designado há pouco tempo. E o senhor?
— Ah, eu estou no Ministério do Meio Ambiente. Mas meu irmão passou muito tempo em negociações comerciais e acaba de ser designado como cônsul. Lembrei-me de como era duro naquela época. Viaja com frequência? Sai várias vezes ao mês?
— Só este mês é a quarta vez que saio.
Marvin suspirou levemente e empurrou os óculos para cima pela ponte do nariz.
— Nossa, deve ser duro.
Quando a risada do homem cessou, o silêncio voltou a se instalar. Marvin, ao tentar voltar a olhar para a frente após ter ficado virado desconfortavelmente, baixou os olhos sem motivo aparente e falou-lhe.
— Em qual consulado seu irmão está?
O homem sorriu para si mesmo. Foi porque sentiu claramente que o outro retribuía a conversa por pura cortesia, como se tivesse a obrigação de inventar alguma pergunta em resposta. Acostumado à vida no exterior, soltava pequenas conversas sem pensar muito, mas na verdade era um introvertido clássico. Um tipo muito comum dentro do Ministério das Relações Exteriores.
— Vietnã.
— Ah, está num bom lugar.
Quando a conversa intermitente estava a ponto de se apagar outra vez, o telefone celular de Marvin tocou.
— Sim, acabo de chegar. Entrarei de imediato.
Marvin desligou logo após consultar o relógio. Foi uma ligação bastante curta e estranha, mas o homem não achou particularmente esquisito. Supôs que ele devia ter uma reunião. Sim, a estas horas é quando mais as têm. O homem murmurou para si mesmo, lembrando-se de seus próprios dias de juventude.
Naquele momento, já tinha chegado a sua vez. Marvin deu um passo atrás com cortesia e cedeu o lugar ao homem.
— Passe o senhor primeiro.
A esta altura, recusar de novo teria sido ridículo, então o homem se adiantou e se colocou diante do oficial de imigração. Quando estava para entregar seu passaporte, de repente começou um tumulto na fila de controle geral.
— Ei, alguém desmaiou aqui!
Em um instante, o ambiente se encheu de murmúrios. Pelo visto, um cidadão nacional tinha perdido a consciência e caído no chão. As pessoas, movidas pela curiosidade, começaram a se virar para o local do incidente. Inclusive as pessoas que esperavam na fila exclusiva para pessoal autorizado esticavam o pescoço para olhar. Os colarinhos dos casacos de Marvin e do homem, que estavam um atrás do outro, chegaram a se tocar.
Enquanto o outro observava o incidente, Marvin colocou discretamente uma lâmina fina sobre o passaporte que o homem tinha na mão. Foi um movimento tão sutil que ninguém notou. O homem desmaiado foi retirado em seguida pela equipe médica do aeroporto.
— Às vezes acontece de, após voos longos, as pessoas desabarem assim.
O homem voltou ao seu lugar na fila diante do balcão. Marvin também regressou à sua posição como se nada tivesse acontecido.
— Por isso é importante se mover continuamente também dentro do avião. Eu, depois de comer, sempre caminho cem passos.
— Ah, sim. Eu também deveria fazer isso.
O homem riu ao ver como o jovem, embora sem muito interesse, fazia o possível para responder com entusiasmo. Em seguida, entregou seu passaporte ao funcionário de imigração.
— Obrigado pelo seu trabalho.
O oficial pegou o passaporte do homem e, sem olhar muito, comparou seu rosto com a foto e colocou o documento sobre o leitor. Mas o dispositivo emitiu um apito: beep, e apareceu uma mensagem de erro.
— Ué? Por que isso não está funcionando?
Tentou de novo, mas o leitor não conseguiu ler o passaporte. O funcionário franziu a testa, algo desconcertado, e fez um gesto para Marvin.
— Parece que o chip eletrônico está danificado. Quer tentar o seu enquanto isso?
Como se estivesse esperando por esse momento, Marvin entregou seu passaporte sem a menor hesitação. E, como era de se esperar, também não pôde ser lido. Era lógico: o passaporte de Marvin era falso.
— O que está acontecendo aqui? Por que não funciona?
Marvin franziu a testa com incômodo, como se dissesse “você não sabe?”. O funcionário nervoso, tentou várias vezes, mas não conseguiu extrair as informações do documento.
— Se está tão ocupado, por que não faz a verificação manual pelo número? Da última vez também fizeram assim. É D083A6630.
A voz excessivamente tensa fez com que o funcionário de imigração, sem se dar conta, digitasse aquele número. A consulta foi realizada normalmente. Nome: Yun Jeong-gyun. Filiação: Ministério das Relações Exteriores, com a marca da flor de mugunghwa. Parecia ser ele.
— O senhor também consulte pelo número. Aqui diz G1320987.
Marvin, olhando o passaporte do homem que estava à sua frente, ditou-lhe o número. O homem também foi verificado de imediato como pessoal do Ministério do Meio Ambiente.
Levado pela situação, o funcionário sentiu alívio por ter resolvido o problema e processou a entrada de ambos sem demora. Em seguida, os dois se dirigiram à área de restituição de bagagem. Os que estavam atrás também passaram com naturalidade pelo controle, ditando seus números de passaporte.
Não foi senão muito depois que se deram conta de que não havia nenhum problema com a máquina encarregada de ler os dados dos passaportes na seção de imigração.
Mas não deram maior importância. As próprias declarações dos sujeitos dizendo que eram eles mesmos e que a entrada tinha sido processada corretamente ganharam peso. Sobretudo, todos eram funcionários com passaportes oficiais. Que problema poderia haver se suas identidades eram mais confiáveis do que a de qualquer um?
A situação só veio abaixo uma hora depois, quando apareceu outra pessoa com o mesmo número de passaporte, segurando o abdômen.
Ao ouvir que esse número já tinha sido processado como registrado, o rosto do diplomata ficou pálido. Reportou de imediato aos seus superiores, mas já era tarde demais.
Não puderam identificar quem, com qual propósito, nem por que tinha feito aquilo.
O hálito que saiu da boca de Marvin, com um cigarro entre os lábios, era uma mistura embaçada entre vapor e fumaça. Com o telefone celular colado à orelha, observava o rio do alto. A essa altura, já tinha trocado de roupa e os óculos que usava também tinham desaparecido.
Sobre a ponte do rio Han, onde havia um painel que proibia se jogar na água, soprava um vento invernal tão frio que parecia cortar a pele. A mão com a qual segurava o celular esfriava cada vez mais. Ainda assim, só tocava o sinal; a outra parte não atendia há um bom tempo.
Sempre nos momentos importantes… que péssima sincronização ele tem.
Marvin tirou o cigarro da boca e enviou uma mensagem.
— [Sou eu. Suponho que esteja em uma reunião, então irei direto ao ponto.]
— [Por favor, diga ao secretário Park Sang-hee que quero aceitar novamente as condições que mencionei antes.]
O subdiretor Choi Hyeong-il respondeu de imediato.
— [O que você está fazendo? Onde você está agora? Não posso falar por telefone, te ligo em 10 minutos.]
No entanto, talvez não tenha conseguido aguentar esses dez minutos, porque em pouco tempo o telefone começou a tocar. Apenas atendeu, os xingamentos explodiram.
— Kim Marvin! Seu merda. Você desaparece por dois malditos meses depois de me fazer parecer um imbecil, e agora me vem com essa? Ainda por cima me dei ao trabalho de pensar em você, e você não tem nem um grama de gratidão, desgraçado. Se continuar assim, vai ficar fora da Coreia para sempre, está ouvindo?
Choi Hyeong-il descarregou de golpe a frustração acumulada durante os últimos dois meses. Marvin simplesmente inalou a fumaça do cigarro em silêncio.
— Já estou na Coreia. Não tem por que se preocupar comigo.
— O quê? Como? Você entrou escondido no país ou o quê? Desde quando está na Coreia?
— Diga ao secretário Park Sang-hee que aceitarei a questão do Centro Oncológico Kim Ji-ah. Mas avise-o também que mudei as condições. Tenho certeza de que esta nova proposta vai agradá-lo mais.
— Que diabo você está dizendo? Quem você pensa que é para mudar condições? Ficou louco ou o quê? Não vai voltar nunca mais? Se o diretor souber, você nesse mesmo momento…
Antes que Choi Hyeong-il pudesse terminar a frase, Marvin desligou a chamada.
Voltar? Isso já era algo impossível, e ele sabia perfeitamente. Marvin enviou a Choi Hyeong-il uma foto que já tinha preparado de antemão. Ao mostrar-lhe aquilo que tanto tinham buscado com desespero, sabia que receberia uma reação imediata.
Por suposto, não pensava em entregá-lo por um preço baixo.
Marvin sacudiu a cinza do cigarro e levantou a cabeça. Já estava ligando para outra pessoa. Desta vez, não teve que esperar muito.
— Alô? Quem é?
Pelo visto estava no meio de algo bastante divertido, porque do outro lado do auricular ouviu-se uma voz alegre, misturada com música alta e gargalhadas. Marvin, sorrindo como se entendesse tudo, apoiou o corpo contra o parapeito da ponte do rio Han.
— Ainda está interessado em encontrar o objeto? Estava pensando em leiloá-lo a partir de agora. Quer participar do lance?
Enquanto voltava a tragar o cigarro, fez-se um breve silêncio. Por sorte, parecia que o cara era esperto: captou a situação no ato. Reconheceu de imediato quem o estava ligando.
— Ah, merda…! Agente, meu pau subiu agora mesmo. Que puta adrenalina você acabou de me soltar.
Ouviu-se o barulho do outro se levantando de golpe do outro lado da linha.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello