Acidic Scent (Novel) - Capítulo 122
— Parece que você já sabe quem eu sou, então irei direto ao ponto. Não gosto de trabalhar nos fins de semana, por isso quero ir embora cedo.
Pressionou o envelope com a palma aberta e o empurrou na direção de Marvin. O olhar dele desceu lentamente acompanhando o movimento e depois voltou a subir.
— O que é isto?
Marvin manteve a cautela. Não tinha a menor ideia de qual era a intenção do outro lado. Embora tivesse somado no último minuto um acompanhante para o caso de algum intruso aparecer nessa reunião, não imaginou que a Secretária viria pessoalmente. Se respondesse sem pensar, sentia que acabaria encurralado.
— Apenas faça um trabalho comigo. Se estiver interessado, abra o envelope, leia e faça exatamente o que diz.
Diante da resposta dela, o cenho de Marvin se franziu.
— Não iam me matar? E agora, de repente, querem que façamos um trabalho juntos?
— Sim. No fim das contas, me pareceu que você não morreria tão fácil. Então, em vez disso, propus formalmente aos superiores que lhe encarregássemos de algo. Não precisa me agradecer.
Ela deu de ombros e cruzou os braços, esticando ligeiramente os lábios com desdém. Em seguida, jogou o corpo para trás, reclinando-se no sofá como se desse a entender que lhe daria tempo para pensar.
Marvin piscou lentamente, observando-a. Uma funcionária do Ministério da Justiça de aparência impecável, fiel representante da lei de proporções simétricas. Tinha ouvido que agora ela era a mão direita do secretário Im Sang-wook, encarregada de todos os assuntos mais problemáticos.
Talvez por isso, tinha o rosto coberto de esgotamento. Até mesmo Marvin, a partir de sua perspectiva, podia dizer que a Secretária era agora a facção mais agressiva e absurda de todo o aparelho. Era evidente que tudo isso não se tratava simplesmente de gerenciar um “risco” relacionado ao filho do presidente; o alcance estava completamente fora do normal. Assim, a irritação dela ao falar da jornada de trabalho também lhe parecia compreensível.
— E se eu recusar, vai voltar a me ferrar?
Ela não respondeu. Apenas o olhou fixamente, como quem diz para ele pensar por conta própria.
Marvin inalou em silêncio e se ergueu.
— Entendo. Vou ouvir primeiro. O que é preciso fazer?
— Só é preciso vigiar uma pessoa. Nada do outro mundo, então leia você mesmo.
Dentro do envelope havia um passaporte, uma passagem de avião e vários documentos administrativos. Ao revisá-los, viu que se tratava de uma operação de vigilância sobre um ativo humano norte-coreano. Zona designada: República de Chipre. Duração: tempo de espera indefinido. Marvin franziu a testa.
— Não tenho treinamento para tarefas relacionadas à Coreia do Norte.
— Bom, eu lá sei. Eu só transmito o encargo.
Com uma resposta totalmente desinteressada, ela olhou para o relógio. Em seguida, lançou um olhar afiado para Marvin, como quem o apressa a decidir. Marvin fechou novamente o envelope e perguntou:
— Então, isto implica que estou de volta?
— Isso já é problema seu. Este é apenas um encargo que nós lhe damos, portanto está fora da minha jurisdição.
— Então não tem nada a ver com o Serviço de Inteligência. Nesse caso, o que eu ganho se aceitar este trabalho?
Diante disso, ela ergueu as sobrancelhas como se perguntasse: Você está me perguntando isso a sério?
— Estamos salvando a sua vida.
Marvin soltou uma risada incrédula. Não era mentira. Diziam que lhe ofereceriam uma vida na qual não precisaria mais se preocupar com intrusos nem com explosões de carros, o que soava quase comovente. Mas Marvin sabia perfeitamente o que se escondia atrás dessa oferta.
Nem sequer era o Serviço Nacional de Inteligência, e estavam dando a um agente de campo do Gabinete de Inteligência uma missão relacionada à Coreia do Norte. Em resumo, tudo era uma desculpa: o que queriam era exilá-lo no exterior. Com a promotoria e a oposição envolvidas, parecia-lhes mais eficiente enviá-lo para o outro lado do mundo do que continuar gastando recursos para ocultá-lo dentro do país.
Como seu histórico já incluía serviço no exterior, poderiam dizer simplesmente que ele tinha sido reatribuído. E se a qualquer momento o Ministério da Justiça emitisse uma ordem de proibição de entrada, Marvin não poderia voltar a pisar no país jamais.
Encontrava-se em uma encruzilhada. Não podia aceitar tão levianamente uma proposta com intenções tão evidentes. Mas se a recusasse, preocupava-se com a represália que poderiam lhe impor.
Como se o estivesse ajudando a decidir, a secretária Park Sang-hee acrescentou outra proposta.
— E mais uma coisa. Faremos com que Kim Ji-a seja selecionada para o programa do novo fármaco com tanfameprasol.
Por um instante, o rosto de Marvin se fendeu.
— O que disse?
Eram palavras de que bem podia duvidar ter ouvido, mas ela não as repetiu. Apenas o olhava com expressão inexpressiva, como se soubesse que ele entendia perfeitamente o que isso significava.
Marvin ficou sem palavras. Não só o surpreendia que ela soubesse da existência de Kim Ji-a, mas que conhecesse com precisão o desejo dela de participar desse programa médico. Isso significava que…
— Não me diga que a entrada no centro também foi algo manipulado pela Secretária, desde o princípio?
Kim Ji-a estava realmente feliz, convencida de que tinha tido uma grande sorte. Alegrava-se por não ter que continuar dependendo de sua irmã gêmea, tanto que inclusive se atreveu a ligar para ele para contar. No final, a única que se iludiu com uma sorte fabricada foi ela.
— Seja ou não assim, o que importa? Se todos estão desesperados para entrar, então no final o resultado foi bom, não é? Pense pelo lado positivo.
Nem se deu ao trabalho de justificar a vazamento de dados pessoais. Claro, espiar era coisa fácil. Se tinham intervindo em seu celular, sabiam perfeitamente que Kim Ji-a era a refém mais fácil de pegar.
Mas para que tudo isso se sustentasse, deviam ter recebido primeiro uma informação-chave. Por mais que fosse a Secretaria do Presidente, não havia forma de encontrar uma pessoa cujo domicílio registrado não coincidisse com seu endereço real. Desde que Marvin regressou da Suíça, apenas uma pessoa sabia que ele estava hospedado no condado de Oseong.
O subdiretor Choi Hyeong-il.
Queria acreditar que ele tinha sido apenas um espectador, mas esta situação, onde a colaboração já era evidente, fez ferver uma pequena raiva nele.
— Você está com cara de que não gostou. Não é uma ameaça, estamos te oferecendo ajuda. Não lhe parece uma boa oportunidade?
O olhar da secretária Park, que tinha estado fixo no relógio pendurado na parede do café sem funcionários, voltou a se dirigir a Marvin.
Era uma jogada típica. Por suposto, se podiam administrar a Kim Ji-a o medicamento que ela desejava, ele não teria razões para recusar. Mas agora ela tinha se tornado sua refém. Se obedecesse, receberia uma recompensa; mas em caso contrário, nada garantia a segurança dela. No final, não era diferente de uma ameaça.
— Eu tenho sequer alguma opção?
Marvin exalou profundamente e bebeu um gole do café que estava esfriando à sua frente. Nesse momento, seu olhar se cruzou com o de Woo Hyeon-woo, que os observava com olhos inquietos de uma mesa no canto. Como estava fora do alcance audível, tinha uma expressão de estou morrendo de vontade de saber o que estão falando.
— Julgue isso você mesmo. Se acha que pode recusar, então recuse. Depois também assuma as consequências.
Ela se pôs de pé. Parecia que já ia embora. Marvin também se levantou de imediato para segui-la.
— Só uma pergunta. O investigador Ko Hyeong-jun também está vinculado à Secretária? Parece-me que há equipes demais envolvidas, e eu gostaria de poder distinguir quem é quem.
Por um momento, ela fez uma careta como se acabasse de ver um inseto nojento.
— Você se encontrou com o veterano Ko? O que ele disse?
Ao menos ficava claro que se conheciam bem.
— Disse-me para unirmos forças.
Diante disso, ela soltou uma mistura de bufo e suspiro ao mesmo tempo.
— É que agora mesmo eles é que estão com a corda no pescoço. Ugh, sempre tão incômodos e traiçoeiros…
Lançou um olhar em direção à mesa do canto onde estavam Woo Hyeon-woo e Oh Jae-yeong, e voltou a ajeitar a bolsa.
— O veterano Ko já não está com a nossa equipe, então espero que você não se confunda. Kim Marvin, você é funcionário público. E como tal, deveria estar do lado do governo. Enfim, eu já cumpri entregando a mensagem, então estou de saída.
Tão logo ela saiu do local e subiu em seu carro, abriu-se a porta do SUV que estava estacionado justo em frente à entrada. Um homem desceu do veículo, entrou no café e levou Oh Jae-yeong.
— Eh? — exclamou Woo Hyeon-woo, surpreendido.
Mas Oh Jae-yeong, inesperadamente, deixou-se levar sem resistir. Inclusive parecia conhecer o homem, já que coçou a nuca com uma expressão dócil. Justo antes de subir no SUV, olhou para Marvin através do janelão do café e lhe fez um pequeno gesto de despedida com a mão. Depois simulou enviar-lhe uma mensagem pelo celular, como dizendo que se manteriam em contato.
O SUV que o levou se afastou, mas o outro veículo continuava ali, imóvel. Parecia uma forma de dizer que deixariam olhos vigilantes no local.
Woo Hyeon-woo, observando a situação, aproximou-se aos poucos de Marvin.
— Vamos embora também?
Mas Marvin não respondeu. Deixou-se cair pesadamente no sofá, jogou a cabeça para trás e cobriu os olhos com o braço enquanto exalava um suspiro longuíssimo. Sentia que tudo estava girando.
Assim, para resumir: tinha recebido propostas de todos os lados.
Do governo, o que ofereciam era o exílio no exterior… e a cura para Kim Ji-a.
De Ko Hyeong-jun: encarregar-lhe uma amostra e um antídoto.
E da promotoria: justiça, punição aos culpados e…
E o que mais era?
Sexo espetacular?
De repente, Marvin soltou uma gargalhada contida com um puf.
A última equipe era, de longe, a menos competitiva. Mas não podia negar que emocionalmente era a que mais o atraía. Claro, se o que queria era uma solução definitiva, o mais sensato era ir com a promotoria. O problema era que, se bobeasse, acabariam “solucionando” a ele também.
— Haah…
Soltou um suspiro. Justo quando parecia que tudo começava a se encaminhar, esbarrava em um obstáculo enorme. Não, estava diante de uma grande encruzilhada.
O problema é… como se supõe que eu confie em você?
Marvin murmurou para si mesmo, recordando certa pessoa. Nunca deveria ter se envolvido. Por mais que agora se arrependesse, já não fazia sentido.
Sentiu o olhar de Woo Hyeon-woo, que o observava da frente, movendo os olhos com inquietação. Marvin baixou lentamente o braço que lhe cobria os olhos e murmurou:
— Primeiro tenho que ir a Seul.
Tinha que ver Choi Hyeong-il.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello