Acidic Scent (Novel) - Capítulo 120
Capítulo 120
Marvin acordou em um motel qualquer em Oseong. Como de costume, a primeira coisa que fez foi verificar a hora e se sentar na cama. O colchão, afundado por ele ter dormido sem se mover como um tronco, conservava a forma de seu corpo. Ele se apressou para arrumar o quarto e saiu.
Era a primeira vez que saía após vários dias de reclusão. Hoje ele tinha um destino. Pegou um táxi e desceu na entrada do terminal de ônibus rodoviário. Olhou ao redor. Já tinha tentado isso uma vez sem sucesso, mas não tinha outra opção. Se quisesse sair de Oseong sem seu carro, tinha que pegar o ônibus.
Sentiu o olhar de alguém perto da bilheteria, mas ignorou e comprou sua passagem. O ônibus tinha acabado de sair, então teria que esperar cerca de uma hora. Comprou um lámen instantâneo em uma loja de conveniência e, depois de comer, foi se sentar na sala de espera até a hora da partida. Só então verificou as notificações acumuladas em seu telefone.
Surpreendentemente, havia uma mensagem de Kim Jia. Ela pedia que ele enviasse o endereço de onde estava hospedado na Coreia. Abaixo do texto, havia uma foto dela sorrindo ao lado de seu filho. Parecia estar em um hospital, a julgar pelo fundo.
Marvin hesitou por um momento, mas acabou pressionando o botão de chamada. Ouviu vários toques sem resposta e esteve a ponto de desligar quando finalmente ouviu a voz dela. Parecia que ela estava decidindo se atendia ou não.
— Eh… como você tem passado?
Achou engraçado vê-la tão sem jeito logo após ter sido ela quem o contatou primeiro.
— Para que você quer o endereço?
— Eh? Ah, não, nada importante. Jiwoo quer te enviar um cartão de Natal. Acho que ele gostou de você quando te apresentei como o “tio” dele naquele dia. Disse que só quer mandar para você… e para a irmã Gemma, claro. Tudo bem, não é?
Talvez ela tenha pensado que estava sendo íntima demais de repente, porque sua voz foi sumindo no final. Marvin também não respondeu de imediato. Ainda era uma relação estranha demais para trocar esse tipo de afeto familiar sem se sentir esquisito. Mesmo assim, gostou de saber que o menino tinha simpatizado com ele. O problema era que ele não tinha um endereço para lhe dar.
— Tenho me hospedado em lugares diferentes, então não há um local fixo onde eu possa receber nada.
— Ah… sério?
A decepção na voz dela era notável. Marvin tentou encontrar uma saída.
— E se eu receber pessoalmente? Você finalmente entrou naquele centro de que falou?
— Sim, entrei ontem. Mas fica bastante longe, é uma zona rural. Não precisa vir até aqui se estiver ocupado. Você não pode me dar o endereço de algum amigo próximo, pelo menos?
— Não acho que eu tenha alguém assim…
Enquanto falava, não pôde deixar de sorrir. Era quase cômico não ter nem uma única pessoa a quem confiar o recebimento de uma simples carta. O preço de ter vivido uma vida na qual até deixar rastros era quase um pecado. Nunca tinha dado muita importância a isso, mas ultimamente começava a se sentir vazio.
— Então, venha quando quiser. Eu adoraria. Além disso, a comida do refeitório não é ruim. Só permitem visitas uma vez por semana, mas também não é como se mais alguém fosse vir me ver.
— E quando você começa o tratamento? Já fizeram os exames?
— Ainda não. Acho que será na próxima semana. Primeiro fazem os testes e, dependendo dos resultados, me atribuem o programa de medicação. Pelo visto, isso também depende muito da sorte. Alguns pacientes estão aqui há anos sem melhorar, mas outros poucos com sorte receberam um remédio novo e saíram curados. Muitos vêm só com essa esperança.
— Que tipo de remédio é esse?
— Como era mesmo o nome? Acho que disseram Brouzol, de nível 3, mas com certeza tem um nome oficial mais longo. É um medicamento importado do Canadá, mas o preço é absurdo. Se você não conseguir por meio de um centro como este, pessoas como nós não podem nem sonhar em pagar.
Embora falasse como se já estivesse conformada, parecia claro que ela também desejava poder entrar no programa de medicação experimental.
Foi então que se ouviu uma voz do outro lado da linha, chamando por ela.
— Kim Jia.
Ouviu-se. Ela respondeu rapidamente e se despediu com pressa.
— Ah, tenho que ir agora. Hoje tem uma espécie de orientação, dizem que vamos ver materiais audiovisuais. Posso te ligar de novo mais tarde?
— Sim.
— Tá bom, até logo.
A ligação caiu de estalo. Marvin baixou o telefone, pensando que esse costume dela de desligar sem esperar resposta continuava o mesmo de sempre. Mesmo assim, o tom dela tinha parecido mais animado do que o habitual. Talvez só tenha sido estranho no começo, mas, no geral, a voz dela soava bem, mais leve.
Quando ouviu sobre o centro pela primeira vez, tinha sentido certa desconfiança. Mas, por enquanto, tudo parecia fluir normalmente, então não parecia haver motivos para se preocupar demais. Alguém poderia dizer que era apenas paranoia, mas ultimamente, para Marvin, isso de estar “respaldado por instituições do governo” já não significava segurança. Saber mais só lhe tinha trazido mais medo.
Justo nesse momento, chegou um ônibus do qual desceu uma multidão. Ao ver um grupo de homens de meia-idade com aparência desleixada descendo juntos, supôs que se tratava de um grupo de turismo atribuído por sorteio. À primeira vista, não pareciam ser pessoas com traços físicos alterados, então estava claro que vinham por meio de algum serviço ilegal de intermediários. Os taxistas começaram a cercá-los, ansiosos para levá-los ao centro da cidade.
Marvin se levantou do assento sem prestar atenção neles. Deu uma volta ao redor do terminal e depois entrou na sala de fumantes, onde acendeu um cigarro. Permaneceu um bom tempo imerso em seus pensamentos e, ao sair, dirigiu-se ao banheiro público ao lado de uma rede de comida rápida.
Entrou em uma das cabines e fechou a porta.
Pouco depois, outra pessoa entrou e começou a lavar as mãos na pia. Através do espelho, aquele homem deu uma olhada fugaz para a cabine onde Marvin tinha entrado. Ao ouvir o som da descarga, o homem girou o corpo lentamente e, com dissimulação, aproximou-se para encostar o ouvido na porta.
Nesse instante, uma mão surgiu com violência pela fresta, agarrando-o pelo colarinho da camisa.
— Urgh!
O sujeito bateu a parte de trás da cabeça contra a parede ao ser empurrado com força. Seu rosto empalideceu de susto.
— Ei, chefe, sou eu. Sou eu!
Tentou se soltar da mão de Marvin, que o segurava com firmeza. Por fim, seu rosto ficou à vista, refletido nos olhos frios de Marvin. Era um dos funcionários da PMC que tinha tentado sequestrar Oh Jaeyoung. Não tinham voltado a se ver desde aquela conversa na rede de comida rápida.
Marvin franziu a testa.
— O que você está fazendo aqui?
— Cof, cof… Primeiro me solta?
Quando Marvin afrouxou o aperto, o homem começou a tossir e a recuperar o fôlego, levando a mão ao peito como se tivesse acabado de se salvar por um triz.
— Meu Deus… assim sem avisar… você me deu um susto de morte.
— Por que está me seguindo? Contrataram você de Seul de novo para me vigiar?
— Eh? Não, não, nada disso…
Como tinha regressado a Oseong, pensou que naturalmente tinham colocado vigilância nele outra vez. No passado, teria deixado passar, mas não mais. Marvin não queria ninguém relatando seus movimentos.
Pensou em simplesmente despistá-los, mas decidiu que seria melhor dar um aviso direto, então armou uma armadilha e o pegou. Mais do que tudo, tinha curiosidade em saber como ele tinha conseguido segui-lo até aqui se, a partir de Seul, sua rota tinha ficado completamente cortada. Para sua surpresa, essa dúvida se resolveu facilmente.
— A verdade é que chegou um pedido para mim, sim. Me disseram que, se por acaso você aparecesse no terminal, era para eu te seguir, então fiquei fazendo vigilância esse tempo todo. Merda, eu saía todos os dias e pensei que ia morrer de tédio. Mas eu estou do seu lado, chefe. Até entrei com você no banheiro para avisar que tinha sido descoberto.
— Tem mais alguém fazendo vigilância?
— Sim, tem mais uma pessoa. Não é do mesmo grupo e, como é mulher, passa mais despercebida. Ela acabou de entrar no banheiro, então pensei: “que sorte”, mas uau, merda… você é bruto mesmo, sério.
Enquanto dizia isso, esfregava discretamente o pescoço, bem onde Marvin o tinha agarrado, como se estivesse se queixando. Marvin o ignorou e passou direto em direção à pia do banheiro, lavou as mãos e, enquanto tirava uma toalha de papel, falou:
— Eu te disse que, se chegasse outro pedido para você, era para me avisar. Por que não fez isso?
— Ah, eu fiz! Várias vezes! Mas você não atendia o telefone.
Diante dessas palavras, Marvin franziu a testa, secou as mãos e pegou o celular para verificar a lista de chamadas perdidas. O outro, espiando por cima do ombro dele, exclamou:
— Esse sou eu! — e apontou para o seu número.
Ao ver a data, era o mesmo dia em que tinha ficado inconsciente no carro de Jang Jinwoo, logo após o acidente. Na verdade, naquele dia ele não foi capaz de atender chamada alguma. E muito menos tinha cabeça para dar atenção a um número que nem sequer estava salvo.
— Eu mesmo vou salvar meu número, então.
Parecia realmente magoado, porque pegou o celular de Marvin sem permissão e salvou seu contato sob o nome de “Woo Hyeonwoo”. Depois o devolveu, tentando sondá-lo com cautela.
— Você está enfrentando o pessoal do gabinete da secretaria, não está? Estão te perseguindo?
Naturalmente, Marvin não respondeu. O outro interpretou seu silêncio como uma afirmação e continuou falando:
— Na verdade, não sei o que está acontecendo, mas não acho que você seja um vilão nem nada do tipo. Já te disse antes, mas se você não estiver trabalhando com mais ninguém agora, trabalhe comigo. Eu fico com apenas 30% do que você ganhar.
Marvin soltou uma breve risada, como se tivesse acabado de ouvir um absurdo.
— E se acontecer de eu estar na ruína?
— Eh… Qual é, supõe-se que com a Corvo te davam um monte de verba operacional. Você não guardou?
Mas Marvin apenas o olhou fixamente em silêncio, sem dizer uma palavra. Woo Hyeonwoo ficou de boca aberta.
— Sério que você está falido, chefe?
Sim.
Com uma risada incrédula mal contida, Marvin saiu do banheiro. Woo Hyeonwoo o seguiu apressadamente.
— Ah, merda. Mesmo assim, trabalhe comigo, chefe. O dinheiro não é tudo, não é? Pessoas como nós, somos puro romantismo e lealdade. Eu de verdade, há muito tempo, queria trabalhar com alguém como você, um cara completamente recluso. Você é ex-Corvo, não é?
Enquanto regressava ao saguão, Marvin parou abruptamente e o olhou. Woo Hyeonwoo percebeu o erro e fechou a boca. Definitivamente tinha ido longe demais ao perguntar diretamente sobre o passado dele. Ficou se culpando por ser linguarudo, quando Marvin, de repente, lhe perguntou:
— Você trouxe o carro?
— Eh? O carro? Ah, sim. Trouxe.
— Então vamos juntos a um lugar hoje.
Marvin fez um gesto com o queixo, como quem diz para ele ir na frente. “Eh, o que é isso?”, pensou enquanto sentia uma má impressão, mas Woo Hyeonwoo o guiou até o estacionamento tal como Marvin indicava. Ao destravar o carro com a chave, um veículo compacto branco apitou com um par de sons agudos.
Marvin subiu no assento do passageiro sem ser convidado diretamente. Woo Hyeonwoo, empurrado pela situação, acabou se sentando no banco do motorista e perguntou:
— Para onde vamos?
— Ver uma pessoa. Provavelmente alguém que você também conhece bem.
— Eu??
“Desde quando temos coisas em comum?”, pensou enquanto olhava de soslaio para Marvin, e então viu no GPS o endereço que ele tinha pesquisado.
Província de Gyeonggi, cidade de Namyangju, bairro de Basan.
Ah…
O rosto de Woo Hyeonwoo se contorceu por reflexo. Finalmente entendeu quem ele pretendia ir ver. Em sua cabeça, apareceu automaticamente a imagem de um beta masculino completamente despido.
— É sério?
Woo Hyeonwoo perguntou se realmente tinham que ir. Mas, ao ver Marvin fechar os olhos com total tranquilidade ao seu lado, desistiu rapidamente de continuar insistindo.
“Bom, de qualquer forma, se vou trabalhar com o chefe a partir de agora, era algo que cedo ou tarde teria que enfrentar. Era só ir e pedir desculpas. Não era possível que esse cara não soubesse que tudo o que fizeram foi por ordens de cima.”
Com sua decisão tomada, Woo Hyeonwoo colocou o carro em marcha.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello