A Worn Out Love (Novel) - 𓇼 Capítulo 3.2 𓇼
𓇼 Capítulo 3.2 𓇼
— 𓇼 —
Se você está se perguntando o que aconteceu depois disso, eles viveram bem sem nenhum incidente. Se davam muito bem. Para uma grande decisão de vida tomada num instante, os dias que se seguiram foram tão comuns quanto sempre.
A vida é o que importa de verdade. Casamento era casamento, mas por ora, comer bem e viver bem eram mais importantes. Na verdade, eram o mais importante. Depois de vagabundear por mais alguns dias, Seowoon começou um novo projeto. Não era com um cliente já existente, mas uma indicação de um deles, então ele ficou duas vezes mais tenso que o normal ao longo do trabalho.
Ter clientes fixos tinha a vantagem de tornar o trabalho mais fluido, mas se ater apenas a eles tinha a falha fatal de atrofiar seu crescimento. Em prol do próprio desenvolvimento, ele não podia se dar ao luxo de negligenciar a busca por novos clientes, mas era simplesmente tão difícil. Ele não conseguia lembrar da última vez que tinha feito uma refeição decente. Não estava trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, mas sempre que tentava sentar para uma refeição decente, o tempo parecia um tremendo desperdício. Hoje também, Seowoon comeu na escrivaninha. Depois de enviar a enésima revisão, mordeu um sanduíche de loja de conveniência enquanto fuzilava o monitor com os olhos.
Aprova logo, por favor. O tom do gerente de projeto tinha sido tão gentil que ele baixara a guarda. Esse cliente nunca dizia o que queria de uma vez. O ápice da comunicação indireta, dava para dizer. Era o tipo de pessoa com quem Seowoon menos se dava. Seowoon era uma pessoa direta que achava a fala indireta a coisa mais difícil do mundo.
Era pelo mesmo motivo que a atitude potencialmente grosseira de Yijin não o desagradava particularmente. Era muito melhor ficar perplexo com a honestidade excessiva de alguém do que ficar frustrado. Podia ser um absurdo, mas pelo menos uma conversa era possível, né? Seowoon organizou seus arquivos de trabalho enquanto mastigava o sanduíche.
Estava talvez na metade dele quando, como se fosse por deixa, seu celular tocou. Outro pedido de revisão? Seowoon franziu a testa e atendeu a ligação sem nem olhar o celular. Mas o toque continuou. O toque não parava.
O que foi? Checando o celular tardiamente, viu que não era uma ligação, mas um alarme. Era um alarme de agenda que Seowoon tinha configurado como rede de segurança uma semana ou duas atrás.
[Reunião de Família D-2]
Ah, é verdade. A reunião de família. Eu tenho uma reunião de família, não tenho? A ficha caiu como um choque. Ele tinha esquecido completamente dela.
Era compreensível. Não muito depois de Seowoon ter começado seu projeto, Yijin tinha ido numa viagem de negócios ao exterior. As mensagens que vinham trocando — pelo menos uma vez a cada dois dias, no máximo uma ou duas vezes por dia — naturalmente minguaram. Graças a isso, ele tinha bem esquecido. O fato de que estava prestes a se casar.
Dois dias até a reunião de família. Ele tinha que contar aos seus mais velhos sobre aquilo imediatamente. Dadas as circunstâncias, não havia sequer tempo para reconsiderar o casamento. Seowoon apressadamente contatou seu tio e sua tia maternos.
Era uma reunião de família repentina, difícil de acreditar tanto para Seowoon, que dava a notícia, quanto para seu tio e sua tia, que a recebiam. Ele podia entender por que estavam perplexos, mas naquele momento simplesmente não havia tempo. Antes que o choque que seu tio e sua tia tinham recebido pudesse sequer se assentar, o dia da reunião de família chegou.
— Você tem que entender. Seu tio é só um pouco cabeça-dura.
Se o alarme tivesse tocado só um dia antes, teria sido um desastre de várias formas. Seowoon olhou para a nuca desanimada do tio, que vinha encarando a janela desde antes, e deu um sorriso sem graça. Naquele momento, ele era simplesmente o culpado. Um sobrinho que liga do nada e anuncia uma reunião de família em dois dias — ele não tinha desculpa, nem que tivesse dez bocas.
— Não, não é isso. Eu estou cem por cento errado. Me desculpe, tia.
— Ah, tudo bem. Essas coisas acontecem. Mas você vai nos avisar a data do casamento na hora certa, né?
— …Me desculpe.
— Já que pulamos as apresentações, você tem que fazer questão de nos avisar a data do casamento com bastante antecedência, tá?
Normalmente, era costume apresentar o parceiro antes da reunião de família, mas os dois tinham pulado até isso. Não foi por nenhum motivo em particular; as agendas deles simplesmente não bateram e, depois de adiar por um dia ou dois, tinham concluído que deviam simplesmente fazer as apresentações na reunião de família. Seowoon estava ocupado, Yijin estava ocupado, e os próprios preparativos do casamento estavam avançando tão às pressas que não havia muito tempo de sobra.
Claro, tudo isso era desculpa. A maior culpa era de Seowoon, que na verdade tinha esquecido do próprio casamento.
— Ah, por que você está constrangendo o menino? Essas coisas podem acontecer quando a gente está ocupado ganhando a vida.
— Ai, quem disse alguma coisa? Descontando em mim sem motivo. Por que você está bravo comigo depois de levar um tapa do seu amado sobrinho?
— O que você está dizendo? O menino consegue te ouvir.
— Que menino? O Seowoon tem sete anos?
Então acaba assim de novo. Ele estava mesmo em cima de brasas. Ah, estou cansado. O caminho inteiro até o restaurante, Seowoon só conseguiu manter um sorriso rígido e robótico.
Agora que a reunião de família estava logo ali, a ansiedade esquecida voltou se arrastando, e ele até tinha perdido o sono por causa dela. Seu horário de sono já era irregular por causa do trabalho, mas com a tensão e o desconforto o atingindo tudo de uma vez, a situação parecia um sonho. O sonho tinha começado dois dias atrás.
— Ele sabe que você é um Ômega?
Tem uma pessoa com quem eu quero casar. A primeira reação àquelas palavras que ele lutara para pôr para fora foi preocupação. Num mundo em que Betas eram esmagadoramente mais comuns que Alfas e Ômegas, era uma preocupação compreensível. — Sim, ele é um Alfa. — Diante da resposta de Seowoon, sua tia foi quem ficou mais encantada.
Seu tio e sua tia eram ambos Betas. Como eles tinham se esforçado para compreender o mundo dos gêneros secundários, algo incompreensível só através de mensagens. Seowoon era genuinamente grato ao tio e à tia que o tinham criado.
— Que tipo de pessoa ele é?
— O que ele faz da vida?
— Vocês já se Vincularam?
— O que os pais dele fazem?
Perguntas se seguiram infinitamente após o anúncio repentino de Seowoon. Não era de forma alguma intenção de Seowoon evadir as perguntas deles dizendo que contaria pessoalmente. A verdade é que Seowoon também não sabia. Que tipo de pessoa Yijin era, o que ele fazia da vida — Seowoon era quem estava mais curioso sobre isso.
…Será que eu vou ficar bem mesmo? Não era que ele não estivesse preocupado, mas também era verdade que um pensamento irresponsável cruzou sua mente. Quer dizer, não é como se a gente já estivesse casado de verdade, então qual é o problema? Na pior das hipóteses, é só uma reunião de família. Ele ainda podia voltar atrás a qualquer momento. Seowoon sabia disso melhor que ninguém. Recompôs-se mais uma vez. Um noivado desfeito é melhor que um divórcio, e um término é melhor que um noivado desfeito. Pensar assim fazia seu coração se sentir muito mais leve.
Em pouco tempo, o carro parou. Um manobrista se aproximou e gentilmente abriu a porta do carro. Seowoon saiu do carro com determinação sombria. A reunião de família estava prestes a começar.
Por insistência do tio, eles tinham chegado quarenta minutos adiantados. Estava quente demais para esperar do lado de fora, então decidiram esperar dentro. A família de Seowoon foi conduzida a uma sala reservada em nome de “Ahn Yijin”. Como a maioria dos locais para esse tipo de reunião, o espaço era separado feito um anexo privado. Até aí, tudo normal.
— Você não acha que eles nos deram a sala errada?
— Eles estão fazendo uma coletiva de imprensa ou algo assim?
Só que a sala era excessivamente grande. Havia tantas cadeiras na sala que ele não conseguia abarcá-las todas de um relance. — Vou verificar — disse Seowoon, indo às pressas para fora encontrar um funcionário. Devia ter havido um engano. Seowoon naturalmente acreditou nisso, mas aquilo era um pensamento ingênuo. Aquela era de fato a sala que Yijin tinha reservado.
Quando voltou, Seowoon olhou calmamente pela sala. Num exame mais atento, havia apenas três cadeiras de um lado, enquanto no lado oposto as cadeiras se estendiam infinitamente. Quantos lugares afinal ele preparou? “A gente vai ser no máximo três pessoas, então você não precisa se dar ao trabalho de igualar o número.” Seowoon tinha definitivamente dito isso primeiro, mas aquilo parecia um pouco demais. A julgar pelo número de cadeiras, parecia menos uma reunião de família e mais um salão de coletiva de imprensa. Encarando o lado oposto vazio, que parecia ainda maior porque ninguém tinha chegado ainda, Seowoon ficou incrivelmente ansioso. A reunião de família nem tinha começado, mas já estava longe de comum.
— Não dá. Preciso beber mais água.
— De novo? Isso é quantos copos? Se acalme. Seu rosto está branco feito papel.
— E você acha que está com melhor aparência? Você está corado feito uma batata-doce recém-cozida no vapor…
— Chamar uma pessoa de batata-doce!
— Pelo menos eu não disse que você parece uma batata comum. Você deveria agradecer, tsc…
— U-uma batata…!
Normalmente, Seowoon teria tido o bom senso de buscar água para eles, mas naquele momento não tinha energia de sobra para a tia e o tio. Se ao menos isso não tivesse coincidido com seu projeto, ele poderia ter se preparado mais. Era só nisso que ele conseguia pensar.
Deixa pra lá que ele não sabia que tipo de pessoa Yijin era (esse fato tinha se tornado óbvio demais a essa altura); eles não tinham discutido uma única coisa sobre que história deveriam apresentar às famílias. Contar a verdade parecia imprudente demais, até para ele, mas se tentasse enrolar, ele duvidava que Yijin fosse embarcar.
…Esquece. Ele tinha que ser realista. Não tinha como Yijin ter o tato de embarcar em alguma charada não roteirizada que Seowoon inventasse. Ele podia não saber muito sobre Yijin, mas tinha certeza disso.
A sorte estava lançada. Tudo o que ele podia fazer agora era torcer para que, seja como fosse que aquilo terminasse, não deixasse na tia e no tio — ou nele mesmo, aliás — cicatrizes duradouras.
— Ai, você já está aqui?
— Muito prazer!
— Uau! O marido do nosso Jinny é tão bonito!
— Olá!
— Nossa, o que vocês estão fazendo aí? Entrem! Estão esperando!
Ainda assim, aquilo não era um pouco demais? Como a maioria dos desastres naturais, eles apareceram de repente. E não paravam de chegar. Uma pessoa, duas, cinco, sete… Conforme os números cresciam, a mente de Seowoon ficava em branco. As idades eram das mais variadas, e os Fenótipos igualmente diversos. Alfas, Ômegas e Betas invadiram a sala, cada um mais barulhento que o outro. As roupas eram tão espalhafatosas que doíam os olhos.
Tudo aconteceu num instante. A tia e o tio ficaram mudos. Seowoon ficou igualmente atônito, mas, para o bem ou para o mal, os convidados não convidados eram todos incrivelmente sociáveis. Eram amigáveis com sua família. Empurrados pela multidão, a tia e o tio foram arrastados para uma série de apertos de mão.
— Sou a tia do Jinny.
— Sou a segunda irmã mais velha do Jinny.
— Tio do Jinny aqui!
— Sou o terceiro irmão mais velho do Jinny.
— Do Jinny…
— Do Jinny…
Peraí um momento, quem raios era Jinny? Seowoon voltou tardiamente à realidade. Ele precisava descobrir quem era Jinny, mas não fazia ideia de quem perguntar. Havia gente demais. Risadas ecoavam sem fim. Embora seus pés estivessem firmemente plantados no chão, ele de repente sentiu uma onda de enjoo.
Então quem é Jinny? A confusão ainda não tinha se assentado quando as duas últimas pessoas vieram cumprimentar sua família.
— Olá. Sou a mãe de Jinny.
Hã? A mulher foi quem falou, mas o olhar de Seowoon pousou no homem de meia-idade ao lado dela. Entre as incontáveis pessoas cercando os três, perdidos em seu próprio devaneio sentimental, só aquele homem parecia familiar. O que era? Seowoon o conhecia. Ele definitivamente conhecia aquele homem. Tinha visto aquele homem alto de meia-idade, que era claramente um Alfa, em algum lugar antes.
— Sou o pai de Jinny.
Ah, então era isso. Seowoon entendeu num instante. Por sua voz suave e grave, ele se parecia muito com Yijin. Não, Yijin devia ter puxado a ele. Não era só a voz; os rostos eram parecidos também. Ele conseguia ver uma clara semelhança com Yijin nos rostos do casal de meia-idade que agora segurava suas mãos. Era por isso que ele tinha parecido tão familiar? Seowoon casualmente afastou a sensação de déjà vu.
— Vocês vão ficar em pé? Todos, por favor, sentem-se. Tio mais velho, por favor, fique no assento mais interno.
Havia tanta gente que ele nem tinha reparado que Yijin estava ali. A voz rígida de Yijin veio de longe. Ele algum dia ficara tão feliz de ouvi-la? Não que eles tivessem se encontrado mais de três vezes, incluindo hoje, mas enfim, Seowoon o esperou como se fosse um salvador. Yijin caminhava em direção à parte interna da sala, organizando a multidão caótica. Claro, não parecia fácil.
— O nosso Jinny vai se casar. Este velho tio está tão…
— Ai, meu. Jinny, vocês dois combinam tanto. O casal do século.
— O nosso Jinny, quando foi que você cresceu tanto?
— Tia, você entra também. Depois, tio, e meus irmãos e irmã podem sentar por aqui.
Parecia ser um traço de família. Todos, inclusive Yijin, falavam por cima uns dos outros. Seowoon encarou o espetáculo perplexo antes de ajudar a tia e o tio a se sentarem. Eles o seguiram docilmente, os olhos atordoados dizendo tudo. Que raios está acontecendo…
— Olá. Minhas desculpas pela apresentação tardia. Sou Ahn Yijin, o homem que vai se casar com Seowoon-ssi.
— Ah. É um prazer. Um prazer conhecê-lo.
Assim que a comoção diminuiu um pouco, Yijin fez uma reverência profunda em cumprimento. A tia e o tio, pegos de surpresa, retribuíram a reverência. Palmas, palmas, palmas. Uma salva de palmas trovejante irrompeu do outro lado da mesa. “Ele cresceu, cresceu de vez.” Vozes carregadas de emoção se seguiram. Agora era a vez de Seowoon.
— Olá. Meu nome é Jeong Seowoon.
Palmas, palmas, palmas, palmas, palmas! No momento em que terminou de falar, um estrondoso aplauso se seguiu. “Obri… gado…” A recepção fervorosa fez Seowoon oferecer seus agradecimentos sem pensar. Simplesmente pareceu algo que ele deveria fazer.
— Nossa. Ele é tão educado também.
— A voz dele é agradável!
— Vocês dois combinam tanto, até daqui.
— O nosso Jinny tem um bom olho para gente!
Não tinha como ele não ouvir os sussurros pingando boa vontade. Sabe-se lá o que havia de tão grandioso em elogios tão vazios, mas a tia e o tio sorriam de orelha a orelha. Olhando mais de perto, ele viu que estavam aplaudindo também.
— Obrigado por tirarem tempo de suas agendas ocupadas para estarem aqui. Nós somos os pais de Yijin.
Os pais de Yijin falaram primeiro. Diferente da tia e do tio, que eram Betas, eles eram um típico casal de Alfa e Ômega.
— Imagina. Nós é que devíamos estar agradecendo. Sou o tio materno de Seowoon.
— Olá, sou a tia materna de Seowoon.
A tia e o tio de Seowoon terminaram suas apresentações. Uma família composta por uma tia e um tio, não pais biológicos como os de Yijin — como a família de Yijin encararia isso? Seowoon ficou tenso, observando disfarçadamente a reação deles. Felizmente, eles não demonstraram nenhuma reação particular. Ao menos, era assim que parecia na superfície.
— Vocês dois formam um lindo casal.
— O senhor deve ter sido muito popular.
— Ah, imagina. Só o de sempre. Eu me cansei de todas as declarações, sabe.
Ahahaha! A resposta bem-humorada da tia aliviou bastante o clima. Não parecia possível a atmosfera ficar mais relaxada, mas ficou. Que isso? Que medo… Seowoon não conseguia se adaptar à diferença de temperatura entre Yijin e sua família. Yijin era o único que não ria. Não era que estivesse bravo ou de mau humor; ele só estava encarando Seowoon com aquele mesmo rosto impassível.
— Você tem passado bem?
— Eu?
— Sim. Você, Seowoon-ssi.
Como que por deixa, os adultos, que vinham alegremente trocando piadas, se calaram de uma vez. Foi porque as estrelas do dia tinham iniciado uma conversa. Seowoon rezou sinceramente para que Yijin não dissesse nada estranho.
— Claro, eu tenho passado… bem.
— Fico contente de ouvir isso.
— Haha. Sim…
— ……
— …Você também tem passado bem, Yijin-ssi?
— Sim. Eu também tenho passado bem. Já me adaptei completamente ao fuso horário.
— Isso é… bom de ouvir.
— Sim.
…A gente parece um casal normal agora? A pergunta surgiu em sua cabeça, mas ele não teve coragem de descobrir.
— Seowoon-ssi. O nosso menino é um pouco carente no departamento da expressão, não é?
Então, afinal, eles não pareciam um casal normal. Seowoon fez uma pausa para pensar numa resposta, sentindo o holofote de repente se virar para ele.
— Não me incomodo, mas na verdade sou eu quem está preocupado. Eu mesmo não sou muito afetuoso.
— Não. Seowoon-ssi não é impassível.
Você pode, por favor, só ficar quieto? Seowoon deliberadamente evitou olhar para Yijin. Se os olhos deles se encontrassem, ele sentia que poderia franzir a testa sem querer.
— Ai, escutem só ele. Parece que não temos nada com que nos preocupar, não é?
— Isso mesmo. Vocês não precisam se preocupar com Seowoon-ssi.
Eu entendi, então por favor cale a boca. Graças ao Alfa babão defendendo seu Ômega, sorrisos afetuosos se espalharam pelos rostos dos adultos. A tia e o tio não foram diferentes. A atmosfera estava boa, boa demais. Só Seowoon é que suava frio, completamente sem saber o que fazer. Não era a primeira vez que ele estava num cenário como aquele, mas podia dizer com certeza que era a primeira vez em um tão cordial.
— Este é um lugar que nossa família frequenta, mas não sei se vai agradar ao seu paladar.
— Por favor, nos avisem se precisarem de qualquer coisa.
Em pouco tempo, um banquete se espalhou pela mesa. Era um lugar escolhido para uma reunião formal de família, ainda por cima, então ele imaginara que a comida seria decente, mas não esperava que fosse tão espetacular. Havia muitos pratos que ele nunca tinha visto, fazendo-o se perguntar o que tinha sido toda a comida coreana que comera a vida inteira. Sua tia, que tinha um interesse aguçado por culinária, não conseguia tirar os olhos da comida.
— Isto parece que foi feito para exposição, não para comer. É tão bonito…
— Não só parece bom, tem gosto bom também, então por favor comam com calma e aproveitem.
Era verdade. Cada prato derretia na boca. A comida coreana refinada e elegante, nem pesada nem intensa demais, aos poucos abria seu apetite. Seowoon, que andara ocupado demais com o trabalho para fazer refeições decentes, teve seu apetite instantaneamente revivido. O enjoo que sentira momentos antes foi completamente esquecido.
Uma hora de refeição agradável, objetiva e subjetivamente, continuou. Antes que percebesse, os adultos estavam tomando bebidas com a refeição. A melhor bebida é uma tigela de makgeolli no cume de uma montanha, declararam com fervor a tia e o tio entusiastas de trilhas, e a família de Yijin, como se estivesse esperando por isso, imediatamente ofereceu bebidas a eles.
…As pessoas normalmente bebem nessas reuniões formais? Ele ponderou por um momento, mas por mais que pensasse, a premissa básica estava fora do lugar. Desde o primeiro encontro, nada nele e em Yijin tinha sido normal. Tudo era diferente das típicas reuniões de família das outras pessoas. E daí que não era normal? A comida estava deliciosa e o clima estava ótimo. Isso não bastava? Seowoon rapidamente desistiu do pensamento. Além dele, ninguém mais parecia se importar.
— Quando Seowoon disse que tinha alguém com quem queria casar, eu fiquei mais preocupado do que qualquer coisa, mas estou tão aliviado de que ele esteja formando um laço com pessoas tão maravilhosas.
— Era isso que a gente queria dizer. Todos os membros da nossa família casaram cedo, então sempre nos preocupamos com Yijin. Suponho que ele estava esperando para conhecer uma pessoa tão maravilhosa.
Até Seowoon, que vinha só aproveitando a comida, sentiu os olhos marejarem com aquela troca. Não porque estivesse comovido, mas porque estava aliviado. Ele estava genuinamente aliviado. Tinha se preocupado tanto com como a família de Yijin reagiria à sua própria situação familiar que até tivera pesadelos. Eles podiam ser um pouco barulhentos e caóticos, mas não pareciam ser pessoas ruins.
— Ahem, bom então, Yijin-gun?
Cof. Yijin foi quem foi chamado, mas foi Seowoon quem se engasgou. Seowoon mal engoliu uma tosse e rapidamente ergueu a cabeça. — Sim. Por favor, fale. — Yijin olhava para o tio com uma expressão plácida. Ah, não. Ele não sabia por quê, mas o pensamento simplesmente lhe ocorreu. Yijin e seu tio — não dava para prever aonde a conversa deles iria parar.
— Há quanto tempo você e o nosso Seowoon estão se vendo?
Hoje é nosso terceiro encontro. A reunião formal estava só começando.
— Eu tenho mais de uma pergunta para você, Yijin-gun, mas o nosso Seowoon simplesmente não me conta nada.
Para o bem ou para o mal, o tio conseguiu dar a primeira palavra antes que Yijin pudesse responder. — É mesmo — respondeu Yijin com calma, mas Seowoon não achou aquilo nada tranquilizador. O jeito de Yijin falar lembrava a IA embutida de um smartphone. Intencional ou não, era inegavelmente pouco acolhedor com os mais velhos.
— Então vou começar com uma breve apresentação de mim mesmo.
Apesar disso, ele não era mal-educado. Era algo que ele tinha notado no último encontro também; talvez fosse questão de tato. Yijin se levantou como que para se apresentar. Você tem mesmo que chegar a esse ponto? Seowoon gritou em silêncio.
— Meu nome é Ahn Yijin, um Alfa Dominante, e faço trinta e um este ano. Sou o mais novo de três filhos e uma filha, com dois irmãos mais velhos e uma irmã mais velha. Meus pais são um Alfa e um Ômega, meu irmão mais velho e minha irmã são Alfas, e meu segundo irmão mais velho é um Ômega.
Para toda a preocupação dele, acabou sendo um tempo surpreendentemente informativo. Primeiro, Seowoon teve uma noção clara da estrutura familiar de Yijin. Tinham sido apresentados antes, mas havia tanta gente que ele tinha ficado confuso sobre quem era quem. Agora conseguia distinguir perfeitamente todos os parentes de Yijin.
Então, ao declarar seu histórico educacional e profissional, Yijin resumiu grosseiramente seus últimos trinta e um anos de vida. Era algo que ele já sentira antes, mas o homem parecia que seria incrivelmente bom no trabalho. Antes que percebesse, Seowoon estava escutando atentamente a apresentação de Yijin ao lado da tia e do tio.
Fora o nome, a idade e o Fenótipo de Yijin, tudo era informação nova. Yijin passara um longo tempo estudando no exterior. Era por isso que a família o mimava tanto, porque ele tinha vivido longe deles? Seowoon diligentemente armazenou a informação na cabeça, acrescentando seus próprios comentários. De qualquer forma, Yijin era atualmente a pessoa com a maior probabilidade de se casar com ele.
— Neste ano, estou trabalhando na filial coreana da Corporação XX. Antes disso, eu estava na filial dos EUA.
Então era por isso que ele tinha tantas viagens de negócios ao exterior. Seowoon finalmente ficou sabendo a profissão de Yijin. Grande parte do motivo de ele ter conseguido decidir se casar sem nem saber o emprego do outro se devia à postura estilo AlphaGo de Yijin. Era óbvio que ele não estaria envolvido em nada ilegal, mas funcionário de uma grande corporação? Parecia combinar e não combinar com ele ao mesmo tempo. A própria ideia de Yijin navegando a vida de escritório era… Como ele ainda não foi demitido? Ele é diferente no trabalho? Esse foi o primeiro pensamento de Seowoon.
A tia e o tio, que não sabiam nada sobre Yijin, só conseguiam acenar junto com rostos cheios de confiança. A menção de escolas prestigiadas de que qualquer coreano teria ouvido falar, seguida por uma grande corporação, foi a pá de cal final. O olhar deles ao contemplar Yijin não poderia ter sido mais benevolente.
Tanto faz, se é bom, é bom. Ele finalmente estava começando a se sentir tranquilo. Mas, como sempre, o desastre ataca quando você menos espera.
— Vocês todos deveriam nos visitar da próxima vez.
Como é? Visitar onde? De repente, o tio mais velho de Yijin se meteu, fazendo notar sua presença.
— Vocês disseram que têm dois filhos, correto?
— Ah, sim. Uma filha e um filho. Mas onde é que o senhor está pedindo para a gente visitar…?
— LA!
Por que LA estava vindo à tona agora? Enquanto a família de Seowoon lutava para acompanhar a conversa, Yijin gentilmente acrescentou uma explicação.
— A filial dos EUA fica em LA.
— Ah, então você estava na filial dos EUA com o seu tio mais velho?
— Sim. Meu tio mais velho é responsável pela filial dos EUA, e meu pai é responsável pela filial coreana.
Era só impressão sua? Ele sentia que tinha acabado de ficar sabendo de algo monumental. Seowoon parou temporariamente de pensar.
— Agora que a família aumentou, vamos precisar de um cruzeiro maior.
— Ah, eu adoro isso. Quanto mais, melhor, com certeza.
— Irmão, essa é uma ideia maravilhosa. Vamos fazer uma Festa de Cruzeiro todos juntos! Quando seria uma boa hora para vocês, meus queridos consogros?
Ele tinha achado que era só o Yijin, mas parecia ser um traço de família. Do tio mais velho à mãe e ao pai, eram todos pessoas de ação. O casamento já era conclusão irrevogável, e eles pareciam prontos para começar a planejar uma Festa de Cruzeiro imediatamente. Em nome da tia e do tio perplexos, Seowoon tomou para si a tarefa de avaliar a situação.
— …Yijin-ssi.
— Sim.
— Tem uma coisa que eu quero perguntar, só por garantia.
— Sim. Por favor, fale.
— Peço desculpas de antemão se isto for ofensivo. Mas, como pessoas que estão… se casando, sinto que eu deveria saber.
— Não. Você tem razão, Seowoon-ssi. Fique à vontade para perguntar qualquer coisa. Vou dar o meu melhor para te contar.
— …Por acaso, o nome do seu pai é…
— Ahn Eui-seon.
— E-então, não me diga que o emprego do seu pai — não, a empresa dele, o cargo, é ele que aparece na TV…?
— Ah, então você o conhece, Seowoon-ssi. Ele é o presidente do Grupo XX.
Seu tio sobressaltado deixou cair a colher. O coração de Seowoon despencou. Não era à toa que ele tinha parecido tão familiar — não era só porque se parecia com Yijin, mas porque ele o vira tantas vezes antes. Independentemente disso, sua tia estava ocupada planejando um roteiro de viagem com os novos consogros.
Será que dá mesmo para levar esse casamento adiante? Seowoon desejou que tudo aquilo fosse só um sonho.
— O-o que você disse? Grupo XX?
— Estou te dizendo! Ele não é só um funcionário qualquer. Ele é o filho mais novo da família XX! Não, todos eles eram da família XX!
Não faço ideia do que conversamos ou como depois disso. A reunião de família, que vinha discutindo alegremente planos de viagem, foi levada a um fim abrupto por Seowoon e seu tio. Sua tia, que só ficou sabendo da verdade depois que se mudaram para um pequeno pavilhão no jardim do restaurante, teve uma reação parecida. Embora mantivesse a voz baixa, atenta ao redor, ela não conseguia esconder o olhar de choque no rosto.
— Uma família de ch-chaebol? É uma família de chaebol, não é? É sim! Por que uma família de chaebol iria querer o nosso Seowoon…
— Vocês dois… Tem algum motivo para vocês terem que se casar…?
— A gente não se Vinculou e eu não estou grávido, então por favor parem com essa conversa.
Seowoon estava igualmente perplexo, mas o que não era verdade não era verdade. “Então por que raios…?” A réplica afiada de Seowoon só aprofundou a confusão do tio e da tia. Para ser sincero, a pessoa que menos entendia aquela situação era, sem dúvida, o próprio Seowoon. Só que todos, menos Seowoon, não sabiam disso. Seowoon manteve uma postura serena, escondendo seus pensamentos internos da melhor forma que conseguia.
— Seowoon-ssi.
— Ai, você me assustou!
— Me desculpe. Você se assustou muito…?
— Ah, nossa. Não. Imagina. Você veio ver Seowoon?
— Sim. Isso mesmo…
— Vocês dois conversem à vontade! Bem à vontade! Nós já vamos indo. Seowoon, a gente vai nessa. Já está quase na hora de a Min-young sair da escola!
— Isso. É por causa da Min-young! Min-young, hã, ela está no último ano do ensino médio… B-bom, então nós vamos. Vocês dois tenham uma boa conversa!
Diante da aparição de Yijin, o tio e a tia partiram às pressas. Foi uma saída obviamente não natural, mas felizmente a outra pessoa era Yijin. Ele fez uma reverência profunda ao tio e à tia que partiam. Isso, ele tinha modos mesmo. Mas não era isso que importava. Não era isso… Seowoon soltou um suspiro curto. Ele não sabia o que dizer, como dizer, nem por onde começar. Que raios era tudo aquilo? Tinha sido assim desde que conhecera Yijin.
Sentindo a atmosfera incomum, Yijin contraiu uma sobrancelha. Seowoon falou primeiro.
— Por que você não me contou?
— Contar o quê?
— Sobre a sua família.
— Sim.
— Se você tivesse só me dado uma dica…!
— Sim.
Yijin não demonstrou nenhuma reação particular. Como que mandando ele continuar, esperou com calma Seowoon terminar. Era difícil chamar aquilo de seu jeito de sempre, mas não era muito diferente de como ele normalmente era, o que só fazia a energia de Seowoon esvair. Ele teria que conversar com ele para saber se realmente pensava daquele jeito, mas nesse ritmo, parecia provável que soltasse alguma balela do tipo “Uma coisa dessas é importante?”.
— O que meu pai faz da vida é assim tão importante?
Como esperado, seu pressentimento sinistro nunca estava errado. Como tinha antecipado essa resposta até certo ponto, Seowoon conseguiu manter a calma.
— A gente pode ter muitas coligadas, mas nem meu pai nem ninguém faz nada ilegal.
— …Não é como se eu estivesse aqui para uma auditoria. Você acha que eu faria caso de uma coisa dessas?
— Então qual é o problema?
Você está perguntando porque não sabe? No entanto, havia alta probabilidade de o Alfa à sua frente realmente estar perguntando porque não sabia. Seowoon respondeu, enunciando cada palavra com clareza.
— A diferença entre as nossas famílias é grande demais.
— Quando você diz diferença entre as nossas famílias…
— A diferença financeira.
A resposta saiu sem um momento de hesitação. “Financeira…” Yijin repetiu as palavras de Seowoon num tom casual. Ele parecia tão despreocupado que a frustração de Seowoon dobrou.
— Yijin-ssi.
— Sim. Por favor, fale.
— …É verdade mesmo?
— O quê?
— Que… O seu pai é mesmo o Presidente Ahn Eui-seon?
Até dizer a palavra “chaebol” em voz alta parecia estranho. Seowoon perguntou de forma indireta.
— Sim, ele é meu pai biológico.
— Ah, não, não. Não foi isso que eu quis dizer…
Graças a isso, Seowoon tinha involuntariamente acabado confirmando a paternidade da família de outra pessoa. Não é isso, né? Ele tinha esquecido porque o choque ainda não passara. O Alfa à sua frente não entendia fala indireta. No fim, Seowoon recorreu a verificar abertamente a identidade de Yijin.
— 𓇼 —— 𓇼 —— 𓇼 —
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna