A Worn Out Love (Novel) - 𓇼 Capítulo 1 𓇼
𓇼 Capítulo 1 𓇼
— 𓇼 —
16h06
Já tinha ficado tão tarde assim? Seowoon largou o gibi que segurava. Suas costas estavam começando a doer de ficar deitado o dia inteiro mesmo.
Fazia duas semanas desde a última vez que se aventurara para fora, usando a onda de calor desastrosa como desculpa. Até sua vida de caseiro, que um dia considerara sua verdadeira vocação, estava começando a cansar. Às vezes ele queria vestir outra coisa que não sua calça de moletom folgada; queria ter um dia novo e diferente de sua rotina habitual.
Uma ocasião moderadamente formal cairia bem. Um programa que exigisse certa atenção à aparência, que viesse acompanhado de uma dose razoável de expectativa e empolgação — era isso que ele queria.
Não havia nada como um encontro para isso. Seowoon tomou um banho mais demorado que o normal. Uma cantiga escapou de seus lábios por vontade própria durante todo o tempo em que se lavou. Para um freelancer como Seowoon, se arrumar todo para um programa não era algo que pudesse fazer a qualquer momento.
Comer num restaurante badalado numa tarde de dia de semana sem fila, assistir a um filme com tranquilidade numa sala de cinema vazia. Solteiro, freelancer, morando sozinho. O cotidiano de Seowoon, que atendia a todas as três condições, era o retrato da liberdade e da paz.
Claro, nem sempre fora assim. Conseguir clientes fixos e alcançar uma renda estável eram tudo conquistas recentes; nos primeiros anos, ele havia se matado de trabalhar. Como dizem, uma desgraça nunca vem sozinha. Naquela época, tudo na vida de Seowoon era uma bagunça, e ele nem tinha paz de espírito para sair e ver um filme.
Assim que suas finanças se estabilizaram, sua há muito perdida paz de espírito voltou. Como esperado, dinheiro era o melhor. Não havia nada que dinheiro não pudesse fazer. Tendo recuperado a serenidade junto com uma renda estável, Seowoon disparou para fora de casa como se estivesse esperando pela chance. Ele literalmente fez de tudo por diversão. Fez viagens espontâneas sozinho e foi diligentemente para a balada. Comia sozinho e bebia sozinho com a mesma naturalidade com que respirava, aproveitando a vida. Não era exagero dizer que fazia tudo por diversão, exceto as coisas que não se pode fazer sozinho.
O maior exemplo disso era namorar. Ele conseguia fazer todo o resto sozinho, mas namorar sozinho era impossível. Aos tenros trinta e um anos, já tinha ido a uma boa quantidade de encontros às cegas arranjados por conhecidos. Também tinha ido a uma boa quantidade de seon — encontros formais de casamento arranjados por pessoas mais velhas. Era natural que Seowoon tivesse procurado uma agência de casamentos por conta própria.
Ele só precisou inserir suas informações uma vez, no começo. Depois disso, uma couple manager e uma matching manager encontrariam para ele um parceiro cujo Fenótipo e qualificações combinassem bem. Entrar para a agência de casamentos foi a melhor coisa que Seowoon fez o ano inteiro. Não porque já tivesse encontrado um parceiro compatível, mas porque, para um Ômega Homem como ele, só de poder conhecer um Alfa com um histórico garantido já valia o dinheiro.
Hoje já era seu oitavo seon. Suas roupas para encontros às cegas estavam definidas para cada estação, e as conversas a se ter também eram previsíveis até certo ponto. O mesmo valeria para seu oitavo par, que ele ainda não conhecia. A pessoa que melhor correspondesse aos seus critérios apareceria, então expectativas ou decepções prematuras estavam fora de cogitação. No começo, ele sentira uma espécie de autodesprezo, se perguntando se era só isso que valia, mas seres humanos são criaturas de adaptação. Agora, Seowoon tinha confiança de que conseguiria manter um clima razoavelmente cordial, não importava quem aparecesse.
Mas, no fim das contas, nunca dá para prever o que está logo ali na esquina da vida. No instante em que Seowoon chegou ao ponto de encontro, um sujeito praticamente lhe deu uma palmatoada nos nós dos dedos.
— Você está atrasado.
— Estou?
— Sim.
O homem estava sentado numa mesa junto à janela, com visão direta da entrada do café. Era, claro, um completo desconhecido para Seowoon, mas o homem parecia já saber quem Seowoon era. Era um pouco intrigante, mas a dúvida não durou. É um encontro às cegas, ele pensou. Ele deve ter visto minha foto antes. Do contrário, não teria brandido uma palmatória verbal no instante em que Seowoon pôs os pés no café, antes mesmo de ele ter chance de olhar em volta. Não, era mais exato dizer que ele nem tinha lhe dado a chance. Nem uma busca de imagem no Google seria tão rápida.
Tinha sido escolha inteira de Seowoon não olhar as fotos de seus pares depois do terceiro, mas, por algum motivo, ele sentiu que tinha levado a pior. Se soubesse, teria se esforçado mais na aparência, pensou com uma pontada de arrependimento.
Vendem mercadoria assim no mercado? No instante em que Seowoon viu o rosto do homem, esqueceu tudo o que acabara de ouvir.
— Você está exatamente dezoito minutos atrasado.
Que estranho. Ele tinha certeza de que chegara na hora. Mesmo enquanto pensava isso, Seowoon foi tomado pela postura firme do homem e acabou se desculpando por reflexo.
— Desculpe. Esperou muito?
— Sim. Estou esperando há dezoito minutos.
Que isso, déjà vu? A repetição maquinal das mesmas palavras pelo homem fez seu coração acelerado parar, como que por um feitiço. — Ha, haha, entendi… — Seowoon riu sem graça e puxou uma cadeira.
O homem, que supostamente chegara dezoito minutos antes, estava na mesma posição desde que Seowoon o vira pela primeira vez. Ele apenas ficava ali sentado, encarando Seowoon, independentemente de ele se sentar ou não. Será que ele tem 1,60 m? Por que não se levantou nenhuma vez? Seowoon examinou o homem rapidamente, um sorriso no rosto.
Ele parecia ainda mais irreal de perto. O café, uma parada pré-jantar, não tinha nada de especial, como era típico desses locais de encontro para casamento, mas com esse homem ali, aquele lugar era o paraíso, uma utopia. Mesmo à distância, suas feições já eram excessivamente marcantes. Olhando-o de perto, Seowoon não conseguia distinguir se estava olhando para uma tela ou para uma pessoa real. Era de fazer alguém se perguntar se o rosto de uma pessoa precisava ser tão tridimensional assim.
Dada a situação lá em cima, era só natural que o olhar de Seowoon fosse gradualmente descendo. Seowoon estava curioso. Ele estava morrendo de vontade de saber como era a parte de baixo do homem, escondida pela mesa. Se pudesse, usaria visão de raio-X. Com certeza ele não tem de fato 1,60 m. O pensamento cruzou sua mente, mas Seowoon chegou à conclusão de que não importava. Com aquele rosto e aqueles ombros, ele ficaria grato mesmo que o homem tivesse 1,70 m. Já que era melhor que os números fossem redondos, até 1,67 m, exatamente 10 cm mais baixo que Seowoon, estaria de bom tamanho.
— …Hã…
— …
— …Com licença…
— Sim, pode falar.
— …Tem alguma coisa no meu rosto?
Seu breve momento de contar os pintinhos antes de os ovos chocarem chegou ao fim quando seu exame — que atingira eficiência máxima em tempo mínimo — virou o jogo contra ele. Seowoon também estivera examinando o homem, e com bastante diligência, aliás, mas ao menos não tinha sido tão descarado quanto ele. Ao menos tinha tentado disfarçar. Ele não tinha encarado ninguém tão abertamente, era o que queria dizer.
O homem continuava encarando Seowoon de sua posição original. Sua postura era tão impecável que Seowoon inconscientemente endireitou a própria. A essa altura, qualquer um pensaria que ele desviaria o olhar por conta própria, mas mesmo com a pergunta de Seowoon, os olhos do homem não se moveram. Na verdade, ele parecia estar encarando com ainda mais intensidade do que antes. Tinha mesmo alguma coisa em seu rosto? Então era só dizer. Seowoon não conseguia entender por que ele o encarava daquele jeito.
No fim, foi Seowoon quem desviou o olhar primeiro. Por que se sentia tão constrangido, se tudo o que o homem fazia era olhar para ele? Embora fosse ele quem tinha feito a pergunta, Seowoon conseguia respondê-la mais rápido que ninguém. Era tudo por causa daqueles olhos. O homem tinha um aspecto geral de traços fortes, quase lineares, mas seus olhos não eram assim. A linha da sobrancelha até o dorso do nariz era extremamente alta e reta, mas os dois olhos ao lado dela eram infinitamente profundos e límpidos.
Um homem com um rosto que não parecia jovem nem com muito esforço de imaginação, mas com os olhos de uma criança inocente. Suas pupilas úmidas, contrastando com as sobrancelhas escuras, encaravam Seowoon sem piscar. Se Seowoon fosse uma folha de papel, já estaria perfurado a essa altura. Estava num nível em que não seria estranho se o homem à sua frente tivesse se apaixonado à primeira vista.
— Não.
Claro, nada disso aconteceu. Como se lesse a mente de Seowoon, o homem falou em tom firme.
— Não há nada no seu rosto.
— …Como?
— É assim que me parece. Gostaria de verificar você mesmo? Não tenho um espelho comigo, mas posso lhe mostrar com a câmera do celular.
— Aqui. — Diante de suas palavras, um rosto familiar apareceu diante de Seowoon. Alguém que ele via bastante o encarava de volta com a expressão mais idiota do mundo.
— E então?
— …
— Confirmou?
Não era outro senão o próprio Seowoon. O homem gentilmente mostrava a Seowoon seu próprio rosto com a câmera do celular. Ele não parece ser má pessoa… mas parece um pouco esquisito. Era tudo por causa do calor. Ele devia pedir para agendar seu nono encontro para quando esfriasse um pouco. Seowoon culpou o inocente clima.
— …Não tem nada.
— Sim, correto.
— …Acho que já pode desligar a câmera.
— Entendido.
Por sorte, ele era obediente. O homem docilmente desligou a câmera do celular. …Espera aí, o que tem de bom nisso? Nesse ritmo, ele ia ser arrastado pelo homem sem nem saber o que estava acontecendo.
Enquanto Seowoon tentava se recompor, seus olhos encontraram os do homem, que o encarava de novo. Não tem nada no meu rosto, então você não está encarando um pouco demais? Seowoon deu um sorriso sem graça, carregado de seu incômodo, e o homem de repente fez uma pergunta.
— Por que está sorrindo?
— Como?
— Você acabou de sorrir.
Ah… Um longo suspiro escapou dos lábios de Seowoon. Ele devia ter ficado em casa. Que glória e riqueza ele esperava conquistar nesse calor… Em desespero, Seowoon soltou a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
— Estou feliz porque você disse que não tem nada no meu rosto.
— Entendo. Você gosta desse tipo de coisa.
— Acho que sim…
— Gostaria de ver de novo?
— …Uma vez foi suficiente. Obrigado.
— De nada. Fico contente de ter ajudado.
Ai… Mãe… Seowoon chamou por uma mãe que não tinha e fechou os olhos em silêncio. Ele estava começando a entender, só um pouquinho, por que o homem à sua frente, com uma casca daquelas, não tinha casado na idade dele.
Seowoon abriu os olhos devagar. Viu o homem bebendo água bem à sua frente. Era claramente o mesmo tipo de copo que estava diante de Seowoon, mas o homem segurava a coisa inteira só com uma mão. Só o rosto dele era pequeno; as mãos eram grandes e o pescoço, grosso. O jeito como o colarinho da camisa assentava perfeitamente contra o pescoço grosso sugeria que não era uma simples camisa de prateleira. E que dizer daquele paletó, que caía sem esforço sobre os ombros largos ao mesmo tempo em que se ajustava perfeitamente ao corpo? As veias saltadas visíveis abaixo do relógio de pulso pareciam um acessório.
O homem, bebendo sua água em silêncio, tinha a aparência de um perfeito macho adulto. Suas feições, formando curvas elegantes porém harmoniosas, lembravam uma escultura.
Certo. Não vamos tirar conclusões precipitadas. Eu não deveria julgar uma pessoa tão às pressas depois de vê-la por tão pouco tempo. O retorno do homem a uma escultura silenciosa quando fechava a boca amoleceu um pouco o coração de Seowoon.
— Gostaria de me desculpar de antemão.
— Como assim?
O homem se desculpou de repente, com voz séria. Seowoon não sabia por que ele se desculpava, mas sua voz grave e profunda soava incrivelmente sincera. Seowoon sentiu vontade de perdoá-lo por qualquer coisa.
— Andei ocupado, então não consegui revisar os documentos como devia.
— O que isso…
— Em vez disso, você me permitiria confirmar os detalhes diretamente com você, cara a cara, neste encontro?
A escultura estava falando. Só o rosto dele já era persuasivo o bastante, mas ele estava pedindo a permissão de Seowoon com a maior polidez, numa voz solene que soava como se nunca tivesse contado uma mentira na vida. Não era um pedido de casamento, e era improvável, mas se ele pedisse Seowoon em casamento ali mesmo, naquele instante, ele talvez apenas acenasse com a cabeça sem pensar.
Na verdade, Seowoon quase acenou sem saber com o que estava concordando, antes de mal recuperar o juízo. Parecia que o homem o havia confundido com outra pessoa. Era o tipo de coisa que se diria numa reunião de negócios.
— Desculpe, mas acho que você está me confundindo com outra pessoa.
— Isso é impossível.
— Não, acho que você se enganou.
— Você não está aqui para um encontro às cegas?
Seowoon queria lhe fazer a mesma pergunta. Quando acenou a contragosto, o homem cravou a estocada.
— Eu também estou aqui para um encontro às cegas.
— …Ah, entendi.
— Esta é a primeira vez que conheço um Ômega Homem. É um prazer conhecê-lo. Sou Ahn Yijin.
Um Alfa Dominante que tinha insistido apenas em Ômegas mulheres até aquela idade tinha alta probabilidade de ser um preconceituoso preso a uma mentalidade antiquada. Parecia que a corda agora estava no seu pescoço, então ele tinha voltado sua atenção para Ômegas homens, mas de qualquer jeito era uma merda. Seowoon se apresentou com um pouco menos de entusiasmo.
— Sou Jeong Seowoon.
— Jeong Seowoon, agora vou lhe fazer algumas perguntas.
— Ah, tá.
— Eu agradeceria se você as respondesse com sinceridade.
Por que não lê logo os meus direitos, já que está nessa? Seowoon pensou com sarcasmo, mas secretamente aguardou a pergunta do homem. Estava um pouco curioso sobre o que ele ia dizer dessa vez.
— Quais são seus planos quanto a filhos?
Ah, merda. Seowoon se engasgou. Cof, cof. Uma série de tosses secas explodiu. O homem, que observava, pediu água a um garçom. Seowoon rapidamente chamou o garçom de volta.
— Água com gelo, por favor.
Água fria não era suficiente. Seowoon virou a água gelada. Ah, assim está melhor. Quando Seowoon pousou o copo, o olhar do homem acompanhou o movimento. O copo estava mais da metade vazio. O homem falou.
— Você deve cuidar bem dos seus dentes.
— …O quê?
— Então, quais são seus planos quanto a filhos?
Tá bom, vamos nessa. Seowoon aceitou a situação depressa. Antes de encarar o homem para valer, recostou-se confortavelmente no encosto da cadeira. Corpo confortável leva a mente confortável. Seowoon respondeu com sinceridade.
— Não pensei sobre isso.
— Está dizendo que não quer filhos?
— Não. É mais que… eu simplesmente nunca senti isso antes.
— Ter um plano quanto a filhos é algo que exige um certo sentimento?
— É, sim?
Quando Seowoon devolveu a pergunta, o homem contraiu uma sobrancelha. O que foi isso? Seowoon ignorou e terminou o que estava dizendo.
— “Quero ter um filho que se pareça com essa pessoa e comigo.”
— …
— Só ainda não conheci ninguém que me faça sentir assim.
Tinha havido momentos em que ele ficou curioso sobre a infância de alguém que não conhecia, mas era só isso. Ele devia ter sido fofo quando criança também, e o pensamento parava aí. Nunca chegava ao ponto de querer ter um filho. A verdade é que a outra pessoa nunca lhe dera nem a chance, mas Seowoon não se deu ao trabalho de se corrigir.
— Mesmo assim, não sou contra ter filhos. Só não quero ter muitos, isso sim.
— É mesmo.
— Claro, não é uma decisão que eu possa tomar sozinho, mas por enquanto parece uma coisa distante demais…
— Isso é suficiente. Então prosseguirei para a próxima pergunta.
Como assim, suficiente? Não, antes disso, é só isso? Eu falo sozinho e acabou? Antes que Seowoon conseguisse organizar seus pensamentos desnorteados, a próxima pergunta veio imediatamente.
— O que você costuma fazer no seu tempo livre?
— Meu tempo o quê?
— Passatempos servem, ou sua rotina diária. Você só precisa me dizer como Seowoon passa o tempo sozinho.
O homem estava sério, e Seowoon ficou perplexo. Aquilo parecia menos um encontro às cegas e mais uma entrevista de emprego. Desde que entrara para a agência de casamentos, ele tinha ido a encontros com muitos Alfas Dominantes, mas nunca conhecera um Alfa que avaliasse alguém de forma tão descarada.
Então existem pessoas assim. Ele pensava que já tinha visto uma boa parte do mundo, mas talvez tivesse sido confiante demais em si. Pensando nisso, sua mente ficou mais calma. Tá bom, você pode me avaliar. Vou só considerar isto um pouco de azar para espantar coisa pior e seguir para o meu nono encontro. Seowoon respondeu serenamente.
— Eu só passo o tempo normalmente. Quando tenho trabalho, trabalho, e quando não tenho, descanso. Meus passatempos… é para eu listar todos?
— Sim. Por favor.
— Isto é tanto um passatempo quanto uma habilidade especial: jogar sem gastar dinheiro de verdade. Tenho bastante tempo, já que sou freelancer. Gosto de jogos, e gosto de assistir coisas também. Filmes, séries americanas, quadrinhos, documentários — assisto praticamente de tudo. Faço exercício de vez em quando para me manter vivo, e ah, gosto de cozinhar também. Quando estou ocupado, tendo a comer qualquer coisa, então quando o trabalho acaba, me dá essa vontade de cozinhar que eu não tinha antes. Minha coisa favorita entre todas elas provavelmente é ficar deitado sem nenhum plano? Acho que sou mais feliz quando estou só deitado à toa e aí, se me vem à cabeça alguma coisa que eu queira fazer, posso fazer na hora.
Até ele achou que era um TMI descomunal, mas não sentiu necessidade de parar. Não sabia o que o homem estava pensando, mas ele escutava atentamente as palavras de Seowoon. Ao menos, aparentava escutar, então não era completamente sem modos.
— É para eu falar mais?
— Não. Isso é suficiente.
O homem acenou com satisfação. Seowoon viu nele o reflexo de um ex-professor que adorava folhas de respostas preenchidas até a última linha.
— Parece que Seowoon não ficaria entediado nem quando está sozinho.
— Eu fico entediado às vezes, mas o que se pode fazer? Já estou acostumado, porque moro sozinho faz um bom tempo.
— Perfeito.
— Como? Eu sou?
— Vou começar a próxima pergunta imediatamente.
— Peraí, vamos pedir primeiro. O que você quer beber?
— Peça primeiro.
— Vou querer um latte gelado. E você, senhor Jeong… Ah.
— Sou Ahn Yijin. Vou querer o mesmo. Dois lattes gelados, por favor.
Distraído com a pergunta, ele tinha esquecido completamente o nome do homem. Seowoon sorriu sem graça e ficou mexendo no copo d’água sem motivo. Então, de repente, lhe ocorreu. O nome que tinham lhe dito não era “Yijin”. Ele não tinha visto foto, mas sua manager lhe passara algumas informações. Dessa vez também, seu par era um Alfa Dominante, trinta e nove anos, e o nome dele era…
— Yijin.
— Sim.
— Por acaso, o seu nome original era…
— Eu mudei.
— Ah, entendi.
— Você parece ter feito bastante pesquisa, Seowoon.
Isso podia ser chamado de pesquisa? Ele ponderou por um instante, mas como não estava exatamente errado, Seowoon deu um aceno vago. A expressão de Yijin ficou ainda mais séria.
— Eu também deveria ter feito pesquisa suficiente antes de vir… Foi um descuido meu. Peço desculpas.
Ah, sim. Claro. Seowoon não podia estar menos interessado enquanto pescava um cubo de gelo meio derretido e o comia. Ele na verdade tinha querido comer o gelo desde o início, mas se segurara, considerando o ambiente. Não que o Alfa à sua frente parecesse estar se segurando de nada, mas tanto faz.
— Então vou começar com as perguntas.
— Sim. Estou pronto.
Aquilo era uma quest. E quests, por natureza, existem para serem concluídas. Seowoon encarou a entrevista com determinação sombria. Mais algumas perguntas idiotas foram trocadas antes de as bebidas pedidas chegarem. A conversa entre os dois fez uma breve pausa.
— 𓇼 —— 𓇼 —— 𓇼 —
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna