1888-capitulo-21

Quando Chungyeon começou a andar para frente, Doheon seguiu lentamente atrás dele.
— Ambos.
— Mas colecionou vários trabalhos. Lembro que você estava bastante interessado.
— Fingi gostar dele porque não queria ser visto como um ômega recessivo que não conseguia aprender nada de alto nível. Pensei que se tivesse algumas pinturas caras, as pessoas podiam pensar que sei de alguma coisa e pensar que sou um pouco especial, mesmo que seja a mesma coisa.
Chungyeon estava surpreendentemente calmo por contar um segredo que ficou escondido por três anos. Não se sentiu muito aliviado, mas também não sentiu culpa. Doheon, que estava seguindo Chungyeon, veio até ele e começou a andar lado a lado.
— Se você está dizendo isso porque não quer ir comigo, pode ir sozinho.
Sua consideração generosa de alguma forma o fez rir.
— Não. Realmente não estou interessado. Naquela época só disse que gostava dessas coisas porque queria impressionar o diretor e chamar sua atenção. Até menti dizendo que odiava coisas de que realmente gostava.
Chungyeon não gostava de andar lado a lado com Doheon, então parou por um momento para deixá-lo seguir em frente.
— E também fiz para acompanhar o diretor. Para ser sincero, não entendo nada sobre artes.
— Por quê?
Depois de desistir de caminhar sozinho, Doheon de repente se virou e olhou para Chungyeon.
— Por que você mentiria algo assim pra mim?
— … …
Por um momento, seu rosto parecia tão frio que Chungyeon sentiu um enjôo no estômago.
Chungyeon era fraco contra um rosto tão direto e preciso. Era um rosto perfeito, sem pontos a serem descontados em lugar nenhum.
Mesmo que ele estivesse tão cansado de viver com Doheon que chegou a se divorciar dele, ainda se sentia tolo e patético por pensar dessa forma naquele momento.
— Quero dizer, nunca pedi para você fazer isso, então por que você fez?
Pensar em dizer algo assim sem ser rude. Talvez porque ele não tinha expectativas em primeiro lugar, Chungyeon nem ficou bravo com as palavras frias de Doheon.
— O diretor está certo.
Em vez de ficar com raiva, Chungyeon caiu na gargalhada.
— Olhando para trás, percebi que menti para mim mesmo, não para o diretor.
A risada infantil de Chungyeon deixou Doheon sem palavras por um momento. O cabelo de Chungyeon brilhava como ouro sob a luz do sol, seu rosto branco e esguio parecia como uma estátua de cera. No momento em que abriu os lábios para dizer algo, o empregado se aproximou deles.
— Ela acordou.
Chungyeon verificou a hora, antes que ele percebesse, trinta minutos haviam se passado desde que ela adormeceu.
Voltou rapidamente pelo caminho que ele havia passado para vê-la.
Desta vez, não ouviu nenhum passo seguindo-o.
*
— Por favor, deixe-me aqui.
Chungyeon apontou para a estação de metrô que começava a ser vista de longe.
— Sua casa fica em frente à estação?
— Fica a cerca de quinze minutos a pé daqui.
O caminho para sua nova casa onde se mudou era tão sinuosa e estreita que era impossível entrar de carro. Era mais rápido caminhar do que dirigir.
— É muito longe.
Doheon, que estava prestes a girar o volante, parou ao ouvir as palavras de Chungyeon.
— Basta parar na frente. Você não pode dirigir até lá de qualquer maneira.
— Qual deles?
Doheon teimosamente pediu a direção exata.
— Você não está entendendo, lá é uma rua estreita.
À primeira vista, o lugar mencionado por Chungyeon era muito mais pequeno e estreito do que o beco que levava à casa de Jihan.
Achando se ele mostrasse a Doheon que não poderia ir de carro, ele simplesmente desistiria e iria embora, mas Doheon olhou para o beco escura e não disse nada.
Contrariando o pedido de Chungyeon, ele estacionou o carro em um prédio comercial na rua principal, havia espaço suficiente em frente à loja, que ficou fechada durante uma noite de fim de semana, para estacionar vários carros.
— Por que, por que você está saindo do carro?
Quando Doheon saiu do carro sem dizer uma palavra, Chungyeon olhou em volta confuso. Um momento depois, ele voltou para o outro lado do carro e abriu a porta do banco da frente onde Chungyeon estava sentado.
— Vou levá-lo até a frente de sua casa. Parece perigoso, não posso deixar você ir sozinho.
— …o que poderia ser perigoso quando há tantas pessoas?
Chungyeon saiu do carro franzindo a testa como se não entendesse, Doheon apontou para o beco que ele mencionou com a ponta do queixo.
— Não há ninguém lá.
— … …
Chungyeon então olhou para o beco escuro. Claro que havia iluminação pública, mas como ele não conhecia esse bairro, ainda era difícil andar sozinho à noite.
A casa nem ficava naquele beco, então teve que ir mais fundo, os arredores se tornaram cada vez mais escuros e sombrios, cada vez que Chungyeon entrava na casa para onde se mudou depois que o sol se punha, se assustava ao olhar para trás, então não podia negar completamente as palavras de Doheon.
Quando ia ver casas através de uma imobiliária era sempre de dia, por isso não levava em conta como seria a noite.
Doheon abriu o porta-malas e tirou o pano de embrulho contendo vários suplementos nutricionais e fitoterápicos que sua avó havia preparado para Chungyeon. Devido à personalidade de Doheon, com a qual ele está familiarizado, não seria capaz de deixar o próprio Chungyeon carregar tudo sozinho. Não importa o quanto ele recusasse, Doheon era o tipo de pessoa que de alguma forma levaria isso para a frente da casa.
— Me dê, por favor.
Chungyeon foi ao lado de Doheon e estendeu a mão.
— Tá tudo bem.
Doheon recusou categoricamente, os olhos de Chungyeon se estreitaram.
Mesmo se ele o ajudar, será uma bagunça. Ele sabia que estava pensando agora, mas ele é uma pessoa que realmente não tem nada do que gostar nele mesmo, exceto rosto, corpo e dinheiro.
— …o secretário Kim não veio hoje.
Chungyeon odiava o silêncio constrangedor que o saudava enquanto caminhava lado a lado, então começou a falar sobre um assunto sem sentido.
— Dei esta semana de folga.
— Ah, entendo.
— Por quê? Sente a falta dele?
— Do secretário Kim?
— Nunca pensei que vocês dois ficariam tão próximos um dia.
Chungyeon ficou surpreso e virou a cabeça para Doheon. Olhando para o rosto dele, mas o beco estava tão escuro, que não conseguia ver sua expressão claramente.
Ele está apenas brincando ou falando sério? Chungyeon não era um tipo de pessoa envergonhada, por isso ficou bastante envergonhado com seus comentários, dizem que quando uma pessoa muda repentinamente, é hora de morrer.
— Está muito escuro aqui, não o é uma boa ideia andar sozinho à noite.
Quer Chungyeon estivesse assustado ou não, ele murmurou enquanto olhava para os edifícios sinuosos e bem construídos.
— Estamos quase chegando.
A cada passo que dava, parecia que o caminho ficava mais escura, isso ocorre porque havia postes de luz antigos e que não funcionavam direito.
— Ah, Diretor! Tenha cuidado com o cocô aqui.
Chungyeon, que caminhava diligentemente, de repente se lembrou de algo e gritou, Doheon se manteve firme nisso.
— Cocô?
— Sim. Alguma pessoa desinformada saiu sem pegar o cocô enquanto passeava com o cachorro, e ele está ali há alguns dias.
— Tem cocô no beco?
Doheon perguntou novamente como se não pudesse acreditar.
— É completamente sem sentido, estou pedindo a alguém para limpar o cocô do seu cachorro. Você viu isso. Esse caroço preto é cocô de cachorro.
— … … .
Na verdade, supostamente havia fezes de um cachorro grande no local para onde a mão de Chungyeon apontava. A boca de Doheon ficou rígida quando ele ficou um tanto chocado. Talvez por ter ficado ofendido, ele rapidamente desviou o olhar para outro lugar.
Chungyeon percebeu que os músculos de sua mandíbula estavam se contraindo estranhamente e sentiu vontade de rir.
— Você já pisou em cocô de cachorro antes?
Chungyeon, mal contendo o riso, perguntou em um tom calmo, e os dois começaram a andar novamente.
— Bem.
Doheon ficou em silêncio por alguns segundos, provavelmente porque estava tentando seriamente se lembrar.
— Acho que nunca.
OK. Ele pensou assim, provavelmente só pisou em sedas.
Chungyeon riu sozinho.
— Você?
— Eu?
— Você já pisou em um cocô na rua?
— Piso quase todos os dias.
Ficando envergonhado por ele ter lhe feito essa pergunta, mas Chungyeon respondeu honestamente.
— Você deve ter jogado fora alguns sapatos.
— Por que jogaria fora meus sapatos perfeitamente bons?
— Você não jogou fora?
Como ele poderia explicar isso em detalhes? Sério? Tem que explicar detalhadamente o que aconteceu depois que pisou no cocô?
Surgiu um breve conflito, mas logo o ego que queria uma explicação venceu, ele perguntou se poderia fingir que conhecia Doheon se não fosse agora, também foi interessante ver sua reação incomumente ativa
— Se os sapatos ficassem muito sujos ou gastos, poderia jogá-los fora… não jogo fora nenhum deles. Todos foram lavados adequadamente no banheiro da escola antes de ir para a aula, ou coloco em um saco plástico e lavar para lavar em casa.
Depois de terminar a explicação, sua nova casa finalmente apareceu.
— Estamos quase lá.
— Não acredito.
— Estou falando a verdade desta vez.
Logo os dois chegaram ao seu destino. Assim que pararam na frente da entrada da villa, Chungyeon estendeu a mão para Doheon como se pedisse sua bagagem, o mesmo não tinha intenção de deixá-lo entrar em casa.
— Obrigado por me trazer. Agora vamos nos separar aqui. Dirija com cuidado quando retornar… Custa mais 100 milhões!
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Tradução: Lilith
Revisão: Natty
Insta: @lilithtraducoes












































